Santa Maria é a ilha que se situa mais a sul e também a mais próxima do continente português. É a única em que afloram depósitos sedimentares calcários e grande variedade de fósseis de moluscos e de outras espécies . Tem uma paisagem variada, sendo a metade oriental da ilha montanhosa e a zona ocidental mais plana e toda a costa muito recortada.
Há ligações aéreas diretas a partir de Lisboa (duração do voo – 2h 25m).

Experiência inesquecível na Ilha de Santa Maria
Agosto de 2020 – um roteiro de 4 dias
Conheça e goze o que a ilha tem para oferecer!
Apesar da pandemia que se vivia, arriscámos e valeu a pena! Sentimo-nos seguros e tranquilos!
Ao partilhar o que eu e o meu marido desfrutámos, sinto que poderá servir de ajuda para quem se quiser aventurar e alcançar o ponto mais meridional do arquipélago!
1º DIA -TARDE – TRILHO DA COSTA SUL E PRAIA FORMOSA
Tendo feito voo direto (Sata Azores Airlines) de Lisboa para a ilha de Santa Maria de manhã, foi só levantar o carro (no aeroporto) que já tínhamos previamente alugado (Iha Verde-Rent-a-Car) e dirigimo-nos para Anjos (10 minutos de trajeto)- estância balnear para almoçar no Restaurante – Bar dos Anjos, onde já tínhamos reservado mesa. É um lugar fabuloso e descontraído. Deliciámo-nos com lapas grelhadas como entrada e peixe do dia. Foi um preço razoável.

De seguida dirigimo-nos para as proximidades de Vila do Porto para fazer o check in no Hotel Colombo. É um hotel com uma localização fantástica, a poucos minutos do aeroporto. Temos logo uma perceção da Vila do Porto (a capital da ilha) e do mar ao longe.
De seguida toca a preparar o adequado (roupa confortável, incluindo fato de banho, (pois nos Açores nunca se sabe se passamos por uma praia e nos apetece refrescar) ténis, água, chapéu, protetor solar, telemóvel e powerbank carregados e avisar na receção do hotel) para iniciar o Trilho da Costa Sul ( Forte de S. Brás – Praia Formosa – 7 km – 3h 30m) porque teríamos melhor luz para fotografar em virtude da orientação do sol.
Começámos o trilho no Forte de S. Brás (pelas 17h 10m) onde nos deliciámos logo com a vista para a marina de Vila do Porto (que se situava do lado direito) e para a paisagem selvagem e relaxing (do lado esquerdo).

Sendo nós (eu e o meu marido) amantes de fotografia começámos aí a nossa reportagem fotográfica que iremos partilhar convosco!

Seguindo as indicações do trilho lá fomos observando a paisagem (turbinas eólicas como pano de fundo bem como vacas que se sentiam um pouco desconfiadas com a nossa presença) e tirando fotos.

Chegados à Pedreira do Campo – monumento natural que contém rochas vulcânicas submarinas e sedimentos fossilíferos marinhos, únicos no Arquipélago dos Açores – fomos até ao fim do passadiço, num local um pouco mais alto, e tivemos uma panorâmica mais ampla.

Prosseguimos por entre paisagens divinais, repletas de catos e campos verdejantes e o mar como que pintado de um azul forte, o que obrigou a vários cliques das máquinas fotográficas e telemóvel!
Eis-nos chegados à Gruta do Figueiral. É uma gruta artificial de onde se extraía a argila para o fabrico de telhas e o calcário que era transportado para um forno, para o fabrico de cal, utilizado na construção das típicas casas marienses.

Um pouco mais adiante começámos a avistar a Prainha – a qual constitui uma importante jazida fossilífera de elevado interesse paleontológico.

As vistas eram deslumbrantes e tranquilizantes neste fim de dia! Encantados e descontraídos nem nos dávamos conta do número de fotografias que íamos tirando!
Aí estávamos nós, a cerca de 1.8 km do final do trilho, numa zona alta onde ainda se adivinhava a Prainha, mas já conseguíamos vislumbrar a Praia Formosa ao longe (para a nossa esquerda). Tínhamos lido que de acordo com as marés assim seguiríamos as indicações do trilho ou pela esquerda ou pela direita. Como já era tarde e com receio da maré não nos deixar passar, optámos pela esquerda – o caminho mais direto para a Praia Formosa. Após uma descida com um grau de dificuldade moderado chegámos à beira mar.

A partir daí não foi tarefa fácil pois as indicações começaram a ser escassas. Tivemos de caminhar sob rocha vulcânica muito irregular, sobre areia molhada e mais à frente num troço difícil com o apoio de uma corda colocada na parede de rocha até que chegámos à Praia Formosa (pelas 20h 40m), já o sol se tinha posto há algum tempo.


Jantámos no Restaurante Paquete, mas quando chegámos não tínhamos a certeza de conseguir pois o restaurante já estava sem ninguém! Fomos atendidos com uma simpatia desmesurada! Devido à hora encaixámo-nos no que ainda havia disponível. O espaço é muito interessante – tem 3 zonas diferentes mas todas elas agradáveis uma vez que se encontra à beira da água.
Regressámos de táxi até ao parque de estacionamento do Forte de S. Brás, onde tínhamos deixado o carro. (10€)
2º DIA – ANJOS – BARREIRO DA FANECA – LAGOINHAS – SÃO LOURENÇO – PICO ALTO – PRAIA FORMOSA
Iniciámos a manhã pela povoação de Anjos, que se situa na parte norte da ilha.

Deixámos o carro numa zona de estacionamento à esquerda, na estrada de acesso à vila. A intenção era visitar a Ermida de Nª Sra dos Anjos, local onde rezou a tripulação de Cristóvão Colombo no regresso da sua viagem de descobrimento da América, mas estava fechada. Do outro lado da rua existe um edifício interessante que remonta a uma Associação de antigos escravos. Na praça em frente encontra-se a estátua de Cristóvão Colombo. Continuámos a pé até à baía e zona balnear.


De seguida dirigimo-nos para o Barreiro da Faneca ou Deserto Vermelho (4.4km – 10min) – paisagem única e inimaginável. Trata-se de uma paisagem semi-desértica, em tons amarelados e avermelhados resultante da transformação de cinzas vulcânicas há milhares de anos, rodeada por bastante vegetação que, entretanto, foi classificada como Área de Paisagem Protegida.


Como tinha chovido na noite anterior ficámos com os sapatos de tal maneira, que o condutor (meu esposo) optou por conduzir descalço até à proximidade da Baía do Raposo. Após termos perguntado a alguns locais, e apesar de não termos jipe, prosseguimos pela estrada de terra batida e cheia de poças de água durante algumas centenas de metros até chegar à estrada de alcatrão e virar à esquerda. Estacionámos numa zona alta onde o caminho começava a ser muito irregular e demasiado estreito para o carro.

Estacionámos junto a uma quinta e fizemos parte do Trilho da Costa Norte (1 ou 2 km) que permitiu ter vistas deslumbrantes sobre a referida baía e deixar os sapatos num estado mais apresentável!


Agora, à procura de mais um local interessante, eis-nos chegados ao Miradouro das Lagoinhas, o qual oferece uma paisagem luxuriante da zona norte da ilha!


Depois iniciámos o trajeto em direção à Baía de São Lourenço. A primeira vez que a avistámos ficámos deslumbrados. Ao longo da descida fomos parando nos vários miradouros. A paisagem de qualquer um deles é de cortar a respiração! Desde currais de vinhas, ao casario e à baía em forma de anfiteatro (com praias e piscina natural) tudo é indescritível.


Já tínhamos reservado mesa na esplanada do Restaurante Ponta Negra. Tem uma vista fantástica pois fica em frente à praia. É um local tranquilo, com comida excelente e um staff muito simpático. Comemos lapas grelhadas, ovos mexidos com alheira de Santa Maria e lírio (um entre uma imensa variedade de peixes que se encontram nas ilhas açorianas) e a famosa meloa (cor de laranja) de Santa Maria. Pagámos por volta de 60€.
A seguir ao almoço fizemos um trajeto, rico em vista e cheiro de rocas-de- velha (flor amarela muito frequente nas ilhas açorianas) pois emanam um odor muito agradável, que nos conduziu ao Pico Alto (590m de altitude). Aí trepámos uma escadaria de 200 metros acima do local onde estacionámos o carro. De lá pudemos desfrutar de paisagens deslumbrantes de toda a ilha. Dizem que nos dias límpidos se consegue avistar a ilha de S. Miguel.

Voltámos à Baía de São Lourenço, desta vez com o propósito de nadar. A praia estava tranquila com vários nadadores salvadores atentos a quem desfrutava da água a 24°.
Como a ilha é pequena, rapidamente nos pusemos na Praia Formosa, para usufruir dos últimos raios de sol na esplanada do Restaurante Paquete, onde acabámos por jantar.
3º DIA – POÇO DA PEDREIRA -STA BÁRBARA – SANTO ESPÍRITO- RIBEIRA DE MALOÁS – PONTA DO CASTELO – FAROL GONÇALO VELHO- MAIA- CASCATA DO AVEIRO
Deixámos o hotel com o compromisso de cumprir o programa que tínhamos estabelecido para o dia! O dia começaria com a ida ao Poço da Pedreira!
Na estrada principal depois de se ter passado o desvio para Sta Bárbara surge uma indicação (do lado direito) para o Poço mas ignore-a pois conseguiria lá chegar mas seria mais longe e mais complicado, isto de acordo com indicações dadas por uma pessoa local. Prosseguimos mais umas centenas de metros pela estrada principal e virámos à direita numa estrada de terra batida com um pequeno parque de estacionamento (a indicação de Poço da Pedreira e Pico Vermelho não é visível para quem se desloque nesse sentido). A poucos metros deparámo-nos com um cenário deslumbrante e único – o Poço da Pedreira!

“O Poço da Pedreira é uma antiga zona de extração de inertes, talhada num antigo cone de escórias, o Pico Vermelho. A rocha que o constitui, conhecida como pedra de cantaria mariense, corresponde a piroclastos basálticos subaéreos (escórias) muito alterados, consolidados e de coloração avermelhada, dada a antiguidade do cone vulcânico. A frente de exploração apresenta paredes verticais, dadas as características geotécnicas do material e o seu método de extração. Na base da frente de exploração, onde há uma pequena depressão, formou-se um charco de água” http://siaram.azores.gov.pt/vulcanismo/Poco-da-Pedreira
Sempre que passávamos na estrada que liga Vila do Porto à Baía de São Lourenço, avistávamos o casario dos arredores de Santa Bárbara. Hoje decidimos dedicar um pouco da nossa atenção a um conjunto de casas típicas de Santa Maria (marienses), que refletem as raízes arquitetónicas das casas tradicionais do Alentejo e Algarve, região de origem dos primeiros povoadores de Santa Maria. Constituem uma paisagem única e interessante!

Depois disso, e porque é viciante e apetecível, descemos de novo até à Baía de São Lourenço, aproveitando para esgueirar os nossos olhares mais uma vez para a paisagem já vista, mas incansável, sobre a baía! É claro que os nossos fatos de banho nos pediram para os refrescar!

Aí fomos nós, mas o mar hoje dava alguma luta, pois estava agitado. Após isso passámo-nos por água doce perto da piscina natural. Nesse momento um casal cruza-se com alguém conhecido. Esse rapaz comenta que apesar de já ter ido diversas vezes à ilha de Santa Maria, nunca tinha feito o trajeto de barco em redor da ilha. Contou essa experiência ao casal e eu acabei por escutar e ficou-me na mente!
Como tínhamos gostado da refeição feita no dia anterior no Restaurante Ponta Negra, acabámos por repetir a experiência e não nos arrependemos! Perguntei ao rapaz que nos atendeu se ele conhecia alguém/ alguma empresa que oferecesse a hipótese de nós observarmos a ilha sob outra perspetiva! Deu-nos o contacto da empresa MantaMaria. Telefonei de imediato e ficaram de dar a resposta logo que pudessem, pois já estavam com muitas reservas. Passado algum tempo confirmaram que nos podiam encaixar no dia seguinte da parte da tarde. Ficámos radiantes!
Após o almoço passámos pelo Santo Espírito para visitar a Igreja da Nossa Senhora da Purificação e fomos à procura da Ribeira de Maloás ou Calçada do Gigante. Após alguma luta com as indicações do GPS, tomámos o caminho certo quando vimos a indicação de Nª Sra da Boa Morte.


O caminho de terra batida é muito irregular mas permite chegar de carro até muito próximo da Calçada do Gigante. Esta estrutura vulcânica é uma das maiores e mais incríveis dos Açores.
No curto trilho pedestre para chegar à Ribeira de Maloás, já tínhamos vislumbrado paisagens interessantes da costa sul da ilha, incluindo a Ponta do Castelo e o farol.


Queríamos de todo gozar estes dois locais mais de perto. Seguindo a indicação de Maia, conduziu-nos a uma estrada na qual havia um miradouro. Tinha uma vista exuberante – para a direita via-se a zona da Maia com a sua piscina natural

e em frente era-nos dado observar a Ponta do Castelo e o Farol de Gonçalo Velho. Deixámos o carro aí e demos uma volta a pé nessa zona. O dia começava a declinar, apresentando umas zonas ao sol e outras à sombra o que dava um encanto peculiar à paisagem!

De seguida prosseguimos até à Maia e deliciámo-nos com a paisagem – o mar batido que entrava pela piscina natural dentro, bem como o farol no cimo do monte, enquanto bebíamos algo fresco no bar da praia.

Mas de acordo com o nosso plano inicial ainda nos faltava cumprir mais um local: a Cascata do Aveiro. Perguntámos a uns locais como chegar até lá. Aconselharam-nos a fazer 1 ou 2 km de carro e depois fazer o resto do percurso a pé. Assim fizemos. Como a ilha é pequena encontrámos algumas pessoas que já tínhamos visto noutros locais, uns viajantes como nós e outros residentes. É uma sensação agradável. Acabámos por entabular conversa. Volvidos cerca de 600 metros foi-nos dado, então, visualizar a Cascata, com cerca de 100 m de altitude, com uma ribeira recheada de patos com vontade de interagir connosco. Fomos andando de forma a aproximarmo-nos da queda de água! Impressionante a tranquilidade de paz de espírito que provocou em nós! Não nos apetecia arredar pé!


Já tínhamos assumido, no entanto, compromisso com o local do jantar, restaurante do Clube Naval, na marina da Vila do Porto. Quando pedi ao waze que nos conduzisse até lá, apercebemo-nos que estávamos a meia hora de distância e sensivelmente 30 km, isto é, que teríamos que atravessar a ilha de uma ponta à outra.
Conseguimos cumprir o tempo de viagem previsto e instalámo-nos na esplanada do Clube Naval.

Respirava-se tranquilidade e bem estar. Apercebemo-nos da presença de vários habitués: velejadores, outros de empresas de viagens de barco que fazem o circuito em redor da ilha sendo que um deles foi o senhor que nos tinha entregue o carro no aeroporto de Santa Maria.
Bom, mais uma vez, quase nos sentimos em casa, num local onde nunca tínhamos estado pois as pessoas são de uma simpatia contagiante! A empregada foi tão afável connosco que pensámos que seria uma boa repetirmos a experiência no dia a seguir, ao almoço, uma vez que era dali que partiríamos para fazer o percurso de barco. Pedimos para nos arranjar uma mesa na esplanada, mencionando logo ela que teria o cuidado de reservar na zona da sombra pois ao meio dia estaria muito calor, no sítio onde jantámos. Sempre que se sinta indeciso no que comer não hesite em pedir ajuda, pois comerá o de mais interessante que eles tenham! Aceitámos as sugestões dadas: polvo frito e naco de atum. Pagámos cerca de 50€.
4º DIA – VILA DO PORTO – PASSEIO DE BARCO
Decidimos dedicar a manhã a Vila do Porto. Começámos pela Igreja de Santo Antão e de seguida entrámos na Igreja Matriz de Nª Sra da Assunção – teve origem no séc. XV e foi reconstruída no séc. XVI. Depois dirigimo-nos para a zona do Forte de S. Brás e lemos a sua história – construído no séc. XVI como ponto importante de defesa de corsários e piratas. Visitámos também a capela, contígua, de Nª Sra da Conceição. Observámos o porto e a marina lá em baixo e fomo-nos dirigindo para lá até perfazer horas para o almoço, de novo no Clube Naval. Aceitámos a sugestão dada: camarão frito e peixe do dia.


A seguir tínhamos a árdua tarefa de fazer o passeio de barco (empresa MantaMaria – 40€ por px) em redor da ilha.

Foi uma experiência espantosa que aconselhamos vivamente, mas depois de já se ter visitado a ilha. Permitiu-nos apreciar a ilha vista do mar para a terra. As máquinas fotográficas e telemóvel não cessavam de tirar fotografias pois o cenário era riquíssimo.

A bordo ia um Vigilante da Natureza que nos ia relatando os locais por onde íamos passando bem com a história da ilha.

De quando em vez o skipper parava o barco e perguntava se alguém queria contactar com aquelas águas de temperatura agradável. Isso ocorreu 4 ou 5 vezes ao longo do percurso. Foi uma experiência única e maravilhosa. (duração da viagem – cerca de 5h)
Ainda faltava mais um momento no nosso dia! Jantarmos no restaurante Os Marienses e mais uma vez contactar com uma empregada simpaticíssima a quem solicitámos logo que nos reservasse mesa para o dia seguinte para o meio-dia e escolhemos logo o que iríamos comer.
5º DIA – MANHÃ – VILA DO PORTO
De manhã após o check out decidimos ir visitar o Centro De Interpretação Dalberto Pombo – Casa dos Fósseis (Vila do Porto) para aprofundarmos alguns conhecimentos relativos à ilha.
Mal entrámos no restaurante a empregada reconheceu-nos e de imediato trouxe os pratos já servidos de acordo com o pedido feito no dia anterior, pois de seguida teríamos que entregar o carro no aeroporto e apanhar avião. (10 minutos de trajeto)
É impressionante a amabilidade de todas as pessoas com quem nos cruzámos ao longo destes dias!

Não perca a oportunidade de se deixar encantar pela ilha de Santa Maria!
Lindas fotografias!
Ilha espetacular. Já está nos meus planos de viagem agendada para ??????
Continua a usufruir e a partilhar estes momentos inesquecíveis, querida Lita!
Beijinho grande. 🥰
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Obrigada. Esteja atenta pois vão haver mais destinos!
Beijinhos.
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