São Miguel – a maior e a mais rica!(II)

SETE DIAS POR S. MIGUEL

1º DIA – RIBEIRA GRANDE- LAGOA DO FOGO – PONTA DELGADA

Após termos levantado o carro no aeroporto e porque o estômago reclamava, encaminhámo-nos para a Ribeira Grande

com o intuito de ir almoçar ao restaurante Alabote. Aproveitámos assim para visitar essa povoação.

Ao início da tarde e porque ansiávamos pelo primeiro contacto com a verdadeira natureza seguimos em direção à Lagoa do Fogo.

Não desanime se à primeira não a conseguir ver na sua plenitude. As nuvens protegem-na de olhares de intrusos. Insista! Aproxime-se e terá perante si uma paisagem deslumbrante!

Estacionámos num parque para o efeito, a alguns metros do Miradouro da Lagoa do Fogo. Extasiados pela tranquilidade e beleza do local, desejávamos algo mais: fazer a descida para podermos contactar mais de perto com este desígnio da natureza. (trajeto completo – descida e subida – 1h30m a 2h). Não demos esse tempo por perdido como podem observar através das fotos!

Chegámos a Ponta Delgada já a noite tinha caído. Instalámo-nos na casa de uns amigos e por ali jantámos.

2º DIAPONTA DELGADA – LAGOA DAS SETE CIDADES – SETE CIDADES – TÚNEL DOS MOSTEIROS – TRILHO até MOSTEIROS

Como o nosso dia começou com o pequeno-almoço num café em frente à Igreja Matriz, achámos por bem dar alguma atenção ao Centro Histórico de Ponta Delgada.

Torre da Igreja Matriz – Ponta Delgada – S. Miguel, Açores

Mas… estávamos empolgados em sair do bulício da cidade e refugiarmo-nos noutra paisagem bucólica – a Lagoa das Sete Cidades. Tínhamos mais um desafio pela frente pois as nuvens são sempre as primeiras visitantes de lugares como estes!

Por vezes acontece ter que ir a este local paradisíaco mais do que uma vez, pois nem sempre se tem o privilégio de sermos contemplados à primeira! De certeza que toda a gente fará o mesmo! Vir a S. Miguel e não usufruir desta paisagem única, não está nos planos!

Deslocámo-nos, depois de nos termos deliciado durante um tempo infinito perante tal maravilha, em direção a Sete Cidades, mas na decida há pelo menos uma paragem obrigatória – o Miradouro do Cerrado das Freiras. Daí conseguimos ter outras perspetivas das lagoas, da ponte e da povoação. Quantas fotos não terão sido efetuadas de locais como estes! São indescritíveis !

O povoado Sete Cidades usufrue de uma localização privilegiada: tem para oferecer a Igreja de S. Nicolau e um passeio à beira da lagoa que nos conduzia ao túnel dos Mosteiros. Mas antes disso tínhamos que nos nutrir com um bom almoço.

Bem… para quem gosta de conhecer os mais recônditos locais, apesar de não saber o que nos esperava, arriscámos! Já tínhamos decidido percorrer o túnel dos Mosteiros (1,2km de comprimento). Aí fomos nós!

Se tivéssemos levado galochas teria dado jeito pois ao longo do túnel havia troços que obrigavam os ténis a contactar com alguma água!

É desafiante e interessante! Quando começámos a ver luz ao fundo do túnel, o que giriamente falando, é algo bom, é de facto uma sensação que só vivida!

Fomos recebidos por uma saída agradável, um muro repleto de hortênsias! Demos continuidade à nossa aventura, fazendo parte de um trilho com paisagens relaxantes

que nos conduziu à povoação de Mosteiros. Aí apanhámos um táxi para nos levar de volta a Sete Cidades, onde tínhamos deixado o carro. A tarde já ia longa e já havia algum cansaço! Dirigimo-nos para Ponta Delgada onde jantámos no restaurante Alcides. O staff era simpático e a comida muito boa!

3º DIA VILA FRANCA DO CAMPO – ZONA DAS FURNAS – SANTUÁRIO Nª SRA da LUZ – PONTA DELGADA

Começámos o nosso dia em Vila Franca do Campo, local pacato mas muito agradável.

Em frente a Vila Franca do Campo, fica o Ilhéu com o mesmo nome. Através de um local ficámos a saber que se poderia ir até lá pois existem carreiras regulares na época de verão. Contudo não fazia parte dos nossos planos, apenas, por falta de tempo (ver visita ao Ilhéu no roteiro – “Escapadinha de 3 dias em S. Miguel”)

Dali encaminhámo-nos para a zona das Furnas, onde tínhamos muito para explorar.

(ver descrição mais pormenorizada em “Escapadinha de 3 dias em S.Miguel“)

Iniciámos o nosso passeio a pé pela povoação das Furnas ( entrámos na sua igreja de Nª Sra da Alegria, a qual tem os traços característicos das demais igrejas açorianas).

Igreja da Nª Sra da Alegria – Furnas, S. Miguel, Açores

Seria ela pacata, se não fosse o número de viajantes que por ali passam. Não admira! As pessoas têm curiosidade em conhecer aquilo que há alguns séculos foi a cratera de um vulcão. No entanto agora tem locais dignos de nota e imperdíveis. Aí visitámos também o Parque Terra Nostra, o qual possui uma piscina circular (enorme) natural de águas termais férreas, muito apreciada pelos locais e por quem o visita. A zona das Caldeiras é mais um deles!

Aí podem-se observar várias caldeiras com água em ebulição libertando fumo e que deixam um rasto cor de laranja, devido à grande quantidade de ferro. Esta caldeira que se observa na foto acima por exemplo, é utilizada para cozer milho!

Não perca também a Lagoa das Furnas.

Aí irá observar algo único: buracos vulcânicos que são utilizados pelos locais, individuais ou donos de restaurantes, para cozer o célebre cozido das Furnas durante várias horas.

A seguir deliciámo-nos nas águas termais, entre os 28 e 39 graus, na Poça da Dona Beija. ( leve fato de banho usado e de preferência não molhe o cabelo, se fôr pintado) um momento diferente e nunca antes vivido!

Se quiser comece por dar ao seu corpo uma temperatura menos quente ( vá até ao fim do espaço – na zona da ribeira).

A seguir e de acordo com a profundidade desejada assim se escolhe um dos cinco espaços disponíveis. Descontraia e goze o momento!

Saídos dali, gozando de uma descontração e relax intensos, estávamos prontos para continuar o nosso plano. Seria ir visitar o Santuário de Nª Sra da Luz, na zona de Vila Franca do Campo.

Do cimo da escadaria há vistas deslumbrantes para Vila Franca do Campo e para o Ilhéu.

Daí partimos para Ponta Delgada onde ainda conseguimos dar uma volta pela zona da marina antes de jantarmos. É uma cidade muito cosmopolita. Aqui temos dificuldade em perceber que estamos numa ilha. Nos Açores até há pouco tempo era a única localidade que possuía MCDonalds e sala de cinema. É preciso não esquecer que metade da população açoriana reside nesta ilha.

Marina de Ponta Delgada – S. Miguel, Açores
DIA – PORTO FORMOSO – CHÁ GORREANA – ACHADA – NORDESTE – POVOAÇÃO

Ora bem! Hoje iríamos dedicar a nossa atenção a outra parte da ilha (costa norte com rumo ao Nordeste) bastante famosa pelo fabrico de chá. Há dois locais onde há plantações dessa bebida tão apreciada: Porto Formoso e Gorreana. Começámos por dar um giro por Porto Formoso.

Depois dirigimo-nos para a zona do Chá Gorreana para visitarmos a plantação de chá, (a mais antiga da Europa), a fábrica e o museu.

A plantação de Chá Gorreana começou a partir de 1874 e a sua comercialização em 1883, com o primeiro quilo de chá seco. O grande incentivo desta plantação veio por causa da crise da laranja no século XIX, surgindo então como alternativa de cultivo na região, alcançando na década de 50 cerca de 250 toneladas de chá em uma área de 300 ha.

A propriedade Gorreana está situada nas belas montanhas da ilha, bem afastada da poluição industrial do centro urbano. Graças também ao clima húmido e o solo argiloso da região, não há necessidade de utilizar herbicidas, pesticidas, fungicidas, corantes ou conservantes no seu processo, sendo um produto 100% orgânico. A colheita ocorre entre abril e setembro“. https://byacores.com/cha-gorreana/

É interessante a visita à fábrica bem como ao museu pois é possível ver todo o processo do fabrico do chá até à sua comercialização bem como ficar a conhecer um pouco da sua história. De seguida demos uma volta pela propriedade para apreciar mais de perto a plantação.

A seguir encaminhámo-nos para a Achada tendo dado uma volta por aí, pois a ideia era continuar pela costa norte.

Esta ilha é designada como ilha verde e entende-se porquê! A paisagem é verdejante, cuidada, sendo completada com o azul do mar e o branco do casario. Ora aí estamos nós já na costa leste na povoação Nordeste, que assim se intitula pela sua localização. É mais um local tranquilo sempre com uma igreja com um estilo inegável e a ilustrar o local! E aí já estávamos na costa leste, mas com alguns desafios pela frente.

Nordeste – S. Miguel, Açores
Nordeste – S. Miguel, Açores

A beleza rude e exuberante desta zona onde se sucedem altas montanhas, profundos desfiladeiros, pontas de terra que entram pelo mar azul bem como miradouros deslumbrantes, fizeram-nos escolher por exemplo a zona da Ponta do Arnel.

Farol da Ponta do Arnel – S. Miguel, Açores
Farol da Ponta do Arnel e porto – S. Miguel, Açores

Estacionámos o carro junto da estrada principal e começámos a descer a encosta até ao porto. É um trajeto difícil tanto para viaturas como para pessoas pois é bastante íngreme e sinuoso, mas valeu a pena: a paisagem verdejante com algumas espécies locais e o marulhar do oceano, transmitem uma sensação de liberdade e de acalmia!

A partir daí fomos parando em diversos miradouros e como as paisagens eram deslumbrantes, era difícil avançarmos pois a vontade era gozar todos os momentos que a ilha nos oferecia!

Ponta da Madrugada– S. Miguel, Açores

Bom… poderíamos fazer paragens a todo o minuto pois as paisagens apesar de parecerem iguais, têm sempre algo diferente! Ou a costa mais recortada, ou uma paisagem bordada pelo verde em contraste com o casario e com o mar…

Para mudar um pouco de cenário chegámos à Povoação! Aquela localidade respirava tranquilidade e paz de espírito!

O dia já estava a declinar. Estava na hora de regressar e jantar em Ponta Delgada no restaurante Mariserra. É difícil não se comer bem em terras açorianas!

DIA – ESTUFA DE ANANASES – GRUTA DO CARVÃO – PONTA DELGADA – PASSEIO DE BARCO

As duas estufas de ananases A Arruda e a Quinta das Três Cruzes, ambas na Fajã de Baixo situam-se não muito longe de Ponta Delgada. É uma visita interessante pois conseguimos perceber as várias fases pelas quais o ananás passa até ao aterrar no nosso prato! E nada como provar e até comprar um exemplar!


A cultura do ananás, originário das Américas, foi introduzida na ilha de São Miguel no século XIX, concentrando-se a maior parte da produção nos arredores da cidade de Ponta Delgada.
As plantas são cultivadas em estufas de vidro caiado de branco.
O cultivo do ananás começa no “estufim”, onde a uma temperatura de cerca de 38ºC se planta os bolbos de plantas que já deram fruto, chamados de “tocas”. Ao fim de um mês as pequenas plantas são transplantadas para outras estufas mais espaçosas e não tão quentes. A terra destas estufas, chamada de “cama” tem de ser muito rica em matéria orgânica e é ainda melhorada com folhagens trituradas de outras árvores. Cada planta dará apenas um fruto e no primeiro mês são regadas abundantemente, rega esta que vai sendo gradualmente reduzida até ser totalmente retirada na fase de maturação do fruto. Quatro meses depois da plantação definitiva é efetuada a operação do “fumo”. Esta operação consiste na queima de verduras dentro das estufas de modo a “intoxicar” as plantas, obrigando a que estas floresçam todas ao mesmo tempo, conseguindo-se assim controlar os ciclos de produção. Em média todo este processo de produção de um ananás leva cerca de 18 meses (1 ano e meio) https://dobrarfronteiras.com/plantacao-ananases-ilha-sao-miguel

Tínhamo-nos proposto também visitar a Gruta do Carvão que se situa na Rua do Paim – 2ª Circular, Ponta Delgada. Deve-se fazer marcação por email ou por telefone.

É algo diferente nas nossas vidas pois não é todos os dias que podemos circular num túnel escavado pela lava de um vulcão e ao mesmo tempo apreciar as belezas geológicas de tal fenómeno.


Mas o dia ainda tinha mais para nos oferecer e surpreender! O casal que nos tinha convidado a passar uns dias na casa deles possuía um veleiro. Proporcionaram-nos um pequeno passeio ao largo de Ponta Delgada. Foi maravilhoso!

Ponta Delgada vista do mar – S. Miguel, Açores
Ponta Delgada vista do mar – S. Miguel, Açores
DIA – FERRARIA – MOSTEIROS – MIRADOUROS – CALDEIRA VELHA

Avizinhava-se mais uma “jornada difícil”! Começámos o nosso dia pelo extremo sudoeste da ilha, mais concretamente a  Ponta da Ferraria. Esta, bem como outras partes da ilha, teve origem em fenómenos geológicos vulcânicos ocorridos nos séculos passados, que lhe fornecem uma paisagem peculiar.

Ponta da Ferraria – S. Miguel, Açores

É apreciada pelos locais e pelos visitantes pois oferece alguns espaços distintos: para além de poder ir fazer um pouco de um trilho para chegar ao farol, pode usufruir da piscina perto das termas, das termas, de uma piscina natural e ainda um pequeno passeio perto do mar.

Ferraria – zona da piscina natural – S. Miguel, Açores

Fomos prosseguindo viagem e parando sempre que possível para contemplar várias zonas da costa, uma delas a dos Mosteiros, pois tem vistas fabulosas.

Ihéu dos Mosteiros – S. Miguel, Açores

Após alguns quilómetros eis-nos chegados à costa norte. Aí vimo-nos obrigados também a parar pois as paisagens eram dignas disso. O Miradouro do Pico Vermelho oferece-nos uma paisagem já descrita, mas não menos interessantes que outros.

Miradouro do Pico Vermelho – S. Miguel, Açores

Miradouro de Sto António – S. Miguel, Açores

Prosseguindo viagem e chegados a mais um miradouro – Miradouro de Sto António – ficámos deslumbrados pois apresenta uma paisagem bastante abrangente da costa norte. Continuámos a acompanhar a estrada costeira até atingirmos a zona de Rabo de Peixe/ Ribeira Grande, onde iríamos almoçar no restaurante Associação Agrícola (essencialmente carne dos Açores), aconselhado pelo nosso casal amigo.

Após esse momento começámos a dirigir-nos para o interior da ilha pela estrada regional da Lagoa do Fogo com a finalidade de irmos à Caldeira Velha. É formada por poças de águas termais numa temperatura média de 34º graus e belas paisagens. Se tiver tempo é um local que oferece uma experiência única de paz, silêncio e tranquilidade.

Uma vez por estas bandas decidimos ir ver como estava a Lagoa do Fogo, mas antes parámos no Miradouro da Bela Vista, donde se avistava a Ribeira Grande.

Miradouro da Bela Vista – Ribeira Grande – S. Miguel, Açores

Como a Lagoa do Fogo nos reconheceu, premiou-nos deixando-se iluminar pelo sol. Deslumbrados com o contraste do azul do mar, da lagoa e do céu com o verde e algumas nuvens simpáticas, caminhámos um pouco por ali.

Lagoa do Fogo – S. Miguel, Açores
DIA – CALOURA – ÁGUA DE PAU – PRAIA DO PÓPULO – PONTA DELGADA

Ainda nos tínhamos proposto conhecer mais alguns locais recomendados pelos nossos amigos!

São Miguel, sendo a maior ilha e com uma população considerável, tem necessidade de vias rápidas para tornar a maior parte dos locais de fácil e rápido acesso. Assim sendo, demorámos cerca de 20 minutos de Ponta Delgada à Caloura, que fica na costa sul. Para além de termos dado um passeio a pé, deliciámo-nos nas águas da piscina natural e no mar o que desencadeou uma sensação de liberdade e descontração.

Invertemos o sentido e passámos por Água de Pau. Por aí passeámos um pouco, contactando com locais simples e simpáticos nos quais se denota a tranquilidade de vida que parecem ter.

Água de Pau – S. Miguel, Açores

Daqui fomos no sentido de Ponta Delgada, para conhecer uma praia ampla e muito apreciada pelos locais – Praia do Pópulo, onde almoçámos contemplando as pessoas a banharem-se em águas amenas.

Praia do Pópulo – S. Miguel, Açores

E, como se costuma dizer, “o que é bom acaba depressa”, e é verdade! Só nos restavam algumas horas para partir. Aproveitámos para passar por algumas zonas de Ponta Delgada onde ainda não tínhamos estado: O Jardim Antero de Quental – em honra do escritor nascido em São Miguel , onde se pode ver um monumento alusivo à sua vida e obra.

Fomos ainda ver o Monumento aos Emigrantes (não muito longe do Forte de S. Brás), o qual representa uma homenagem ao povo açoriano disperso pelo mundo.

E pronto! Nós também tínhamos que emigrar para outras paragens: como os São Miguelenses dizem com um accent, por vezes difícil de entender! : então, já vão embora para o “Contenente”?

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