um tesouro por descobrir!

AGOSTO de 2019
A Lituânia é o estado báltico com maior área e que se situa mais a sul. Faz fronteira a norte com a Letónia, ao leste e ao sul com a Bielorússia, ao sul com a Polónia, ao sul e ao oeste com o exclave russo de Kalinigrado e ao oeste com o mar Báltico. Foi um estado poderoso especialmente na Idade Média. Depois foi dominada pelos polacos e russos. Os períodos de ocupação fomentaram uma união forte entre o povo. Entre as 2 guerras mundiais houve um breve período de independência, no entanto, apenas em 1991 a Lituânia adquiriu a sua nacionalidade e independência definitiva. Apesar da devastação sofrida ao longo dos séculos ainda subsistem muitos dos seus emblemáticos edifícios históricos que merecem o nosso olhar!
Com a adesão à NATO e à UE a Lituânia começou a ser um país mais próspero e mais seguro. A Lituânia ainda é um destino barato!
A Lituânia é um país rico em paisagens naturais, montes ondulantes, lagos, praias e dunas de areia. Tem 3 cidades que se destacam. São elas: Vilnius, Kaunas e Klaipèda.
Vilnius, a sua capital, por ter sido palco de muitos povos, reflete essa multiculturalidade na mistura de vários estilos – o gótico, o neoclássico e principalmente o barroco, contrastando com o modernismo do século XXI. Tudo isto faz dela uma cidade grandiosa.
ROTEIRO DE 3 DIAS
1º DIA – FIM DE TARDE – Chegada a VILNIUS
Tendo partido do Palácio de Rundale (Letónia) a meio da tarde e ainda com 240km (cerca de 3h) pela frente até chegarmos à cidade de Vilnius, só nos restava fazer check in no Hotel Europa City Vilnius, jantar e descansar.
2º DIA – VILNIUS
É interessante começar a desbravar o que até ao momento não passava de “circuito virtual”. Saímos do hotel e fomos tomando contacto com a cidade. Passámos pelo Museu da KGB. De seguida fizemos o percurso ao longo da (Avenida Gedimino) Gedimino Prospektas que nos conduzia até aos locais de maior interesse de Vilnius. Ao longo dessa avenida fomos observando e fotografando edifícios que saltavam à vista até atingirmos o fim que desembocava na Praça da Catedral. Logo que se começou a vislumbrar tal, dávamos connosco a arranjar perspetivas interessantes para fotografar o Campanário da Catedral bem como a Catedral.



Aí começámos nós o périplo das igrejas, a primeira delas a Catedral de Vilnius. Mesmo para quem não é fã desses locais, é impossível ir a Vilnius e não entrar numas quantas, pois elas fazem parte dos monumentos a visitar. Tanto quanto me foi dado estudar, dei-me conta de pelo menos 15! E não é que valem a pena?!
A Catedral, a principal igreja católica românica em estilo neoclássico da Lituânia, foi construída no local de um antigo templo pagão.
No flanco leste da praça encontra-se o Palácio Real que funciona como Museu. Em frente está a Estátua do Grão-Duque Gediminas. No centro da praça há um azulejo com a inscrição: “stebuklas“(milagre) que se julga ser o ponto de partida da Cadeia Báltica. (nome designado para o cordão humano que atravessou os 3 Países Bálticos – a seu tempo explico!)

Há algo que devo partilhar convosco para melhor entenderem o que é o quê! Já mencionei a Catedral e o Palácio Real e só falta o Arsenal para se poder dizer que estes 3 edifícios são conhecidos como Castelo Inferior .

O Arsenal alberga o Museu Nacional da Lituânia , o qual apresenta uma visão da vida quotidiana na Lituânia antes da II Guerra Mundial. ( não visitámos por falta de tempo).
Lá em cima situa-se o Castelo Superior ou Torre de Gediminas. É um símbolo da cidade e da nação. Pode ser alcançado a pé ou de funicular. Nós optámos pela segunda escolha para rentabilizar o tempo. Chegados ao topo temos uma visão da cidade de 360 graus que é ainda mais deslumbrante da varanda do Castelo Superior. De lá observam-se “duas cidades” – a antiga – pináculos e telhados do centro histórico e a moderna – recentes arranha-céus abrilhantados pela presença do rio, qual delas a mais digna de ser observada e fotografada.



O Castelo tem uma exposição através da qual se enriquece os nossos conhecimentos acerca da Lituânia incluindo a explicação do cordão humano que uniu os 3 Países Bálticos em 1989.
“Designa-se por Cadeia Báltica o evento ocorrido em 23 de Agosto de 1989 nos três países bálticos – à data ainda repúblicas soviéticas – quando aproximadamente dois milhões de pessoas deram as mãos para formar uma cadeia humana de mais de 600 km de comprimento, cruzando as três repúblicas bálticas (Estónia, Letónia e Lituânia) e passando pelas três capitais (Tallinn, Riga e Vilnius, respetivamente). Ilustrando solidariedade entre as nações, o movimento foi descrito como publicitariamente efetivo, emocionalmente cativante e visualmente impressionante. Esta original manifestação foi organizada para chamar a atenção da opinião pública mundial sobre o destino comum que tinham sofrido as três repúblicas. De facto, celebrou-se coincidindo com o cinquentenário da assinatura do acordo secreto conhecido como Pacto Molotov-Ribbentrop, pelo qual a União Soviética e a Alemanha Nazi dividiram esferas de influência na Europa de Leste, e que levou à ocupação por parte dos soviéticos dos três estados. Este pacto só foi admitido pelas autoridades soviéticas uma semana antes da realização da Cadeia Báltica. O protesto foi completamente pacífico.” https://pt.wikipedia.org/wiki/Cadeia_B%C3%A1ltica

Não nos apetecia abandonar aquele local com vistas tão magníficas mas o tempo urgia e o nosso plano ainda contemplava muitos locais em Vilnius.
Descemos também de funicular e dirigimo-nos para a Rua Pilies,

uma das mais antigas da cidade e que oferece uma bela perspetiva do local onde tínhamos estado – o Castelo Superior. Outrora foi o principal centro de comércio de Vilnius, sendo hoje muito popular pois alberga muitas esplanadas e restaurantes bem como lojas de âmbar, entre outras. Não quisemos ser exceção e também nós almoçámos nessa tão alegre e famosa rua, mas não antes de termos dedicado algum tempo ao campus da Universidade (onde tencionávamos visitar a Livraria Littera– famosa pelos seus frescos- mas estava em restauro) do qual fazem parte a Igreja de S. João e o seu Campanário, com 68 metros de altura, sendo assim o edifício mais alto do centro histórico, oferecendo vistas interessantes sobre a cidade.




A Igreja de S. João, de seu primeiro estilo gótico data de 1426 e foi reconstruída em 1749 num exuberante estilo barroco. Apresenta, assim, um interior digno de uma visita.


Após o almoço tínhamos pela frente mais uns locais para conhecer. Começámos pela Igreja de Santa Ana e de Santa Bernardina. Elas são contíguas.
A Igreja de Santa Ana em estilo Gótico Flamejante, conseguiu sobreviver aos tumultos, ao longo dos séculos. Diz-se que durante a guerra franco-russa, tendo Napoleão deixado a Rússia e passado por Vilnius e se ter encantado nesta igreja, levou-o a dizer que gostaria de a levar para Paris na palma da mão! É de facto uma igreja imponente. A sua fachada ricamente ornamentada com arcos de ogiva e janelas esguias apresenta ainda pináculos cobertos por florões decorativos. Ela exibe 33 tipos diferentes de tijolos de barro.


À frente da igreja Bernardina há uma estátua de Adam Mickiewicz, que foi ponto de encontro da primeira manifestação pública (em 1987) que apelava aos direitos nacionais para a Lituânia.
Daí fomos para a zona da Câmara Municipal. Aí deparámo-nos com mais 2 igrejas – a Igreja de S. Casimiro e a Igreja de Santa Teresa.
A igreja de São Casimiro foi um dos primeiros edifícios barrocos da cidade. Sofreu diversas devastações ao longo dos séculos, desde incêndios a ocupações por diferentes grupos religiosos sendo que no final do séc. XX foi devolvida aos católicos.


Muito perto há uma outra igreja digna de nota pela riqueza do seu interior: a igreja de Santa Teresa. Ela apresenta frescos e altares magníficos.

Imediatamente a seguir encontra-se a Porta da Alvorada, considerada uma das entradas da Cidade Velha e um local de peregrinação pois por cima da Porta existe uma Capela com a imagem prateada da Virgem Maria, da qual se diz ter poderes milagrosos. Ela é visível da janela.


Não muito longe dali há também a Porta Basiliana, que apresenta uma fachada de estilo Barroco.
Como o centro histórico de Vilnius tem muito para oferecer ou se sabe que para além do clássico e antigo há uma outra Vilnius, ou não se vai lá – estou-vos a falar do Bairro ou República de Užupis como é conhecida. Este bairro está situado perto da cidade velha de Vilnius, num meandro do rio Vilnia e como para lá chegar é preciso atravessar a ponte, foi designado Užupis, que em lituano significa “atrás do rio”.
No século XVI, Užupis era o distrito mais pobre de Vilnius. Os artistas começaram a ir viver para lá e ali se estabeleceram. Em 1997 os artistas e espíritos livres declararam Užupis como uma República livre, adotando uma bandeira própria e nomeando um presidente. Desde então, Užupis tem o seu guardião – o Anjo de Bronze de Užupis, bem como um hino, uma Constituição e um Presidente.

O bairro Uzupis é assim uma zona de artistas que mostram a sua arte de uma forma distinta e única – um museu ao ar livre.




É uma zona descontraída e pitoresca com ruelas ladeadas de galerias de arte, cafés, esplanadas onde apetece descansar um pouco à beira do rio. E como o dia declinava, nada melhor que gozar a tranquilidade do local. Jantámos no restaurante mesmo à beira do rio, deliciados com o som da água como música de fundo.

3º DIA – CASTELO DE TRAKAI – KAUNAS – KLAIPÈDA
Nem as condições climáticas nos molestaram. Do roteiro desse dia fazia parte o Castelo de Trakai, entre outros locais.
De Vilnius lá eram apenas cerca de 30km. Libertámo-nos do carro deixando-o num dos parques a alguns metros de distância do caminho para o castelo e assim podermos começar a gozar o Castelo na ilha de Trakai e a sua envolvência.

Antes e ao longo da ponte pedonal em madeira que une a terra e a ilha, não sei quantas fotografias foram tiradas para aquele local exótico.


Pena o dia não estar convidativo pois teria sido interessante fazer um circuito de barco em redor da ilha para ter um perspetiva mais completa deste complexo. Assim fizemos o caminho marginal (o que contorna o castelo, junto às margens da ilha) para melhor apreciar o lago e obter uma ideia da grandiosidade do castelo.
Apreciado este local, queríamos mais um – Kaunas.
Kaunas é a segunda cidade mais importante da Lituânia. Ergue-se na confluência dos rios Nemunas e Neris, os maiores da Lituânia. Durante a II Guerra Mundial foi ocupada por alemães e russos. Pauta-se por ser uma cidade moderna sendo que os pontos de maior interesse se encontram na bem preservada Cidade Velha. É uma cidade tranquila onde apetece estar.
Chegados a Kaunas após uma hora e meia de trajeto, estacionámos ao pé da igreja de Vytautas. Deslocámo-nos para o outro lado da ponte para termos um primeiro contacto com a cidade.

A seguir entrámos na Igreja de Vytautas. Esta igreja em tijolo vermelho, erigida nas margens do rio Nemunas, por ordem de Vyvautas, o Grande, remonta ao séc. XV. Andando alguns metros alcançámos uma praça onde se situa a antiga Câmara Municipal, que mais parece uma igreja e que é conhecida como “Cisne Branco” bem como a Igreja da Santíssima Trindade a qual associa os estilos Gótico e Renascentista, tendo o seu interior sido remodelado antes do início da II Guerra Mundial.


Os nossos olhos e dedos sempre a trabalhar para tirarem fotos para mais tarde recordar, mas já com um estômago faminto. Acabámos por almoçar num restaurante lituano – Etnos Dvaras, na praça da Câmara Municipal. O seu interior era de um requinte absoluto. Ficámos com a sensação de ser um edifício antigo que foi adaptado para esse fim. Tinha várias salas com pinturas nalgumas paredes, sendo outras em tijolo as quais faziam um contraste interessante.
Instintivamente e porque a cidade é pequena, os nossos passos encaminharam-se para a Vilniaus Gatvè, principal artéria da cidade velha.
Entrámos na Catedral de S. Pedro e S. Paulo, verificando que a simplicidade do exterior contrasta vivamente com a beleza e exuberância do interior, essencialmente barroco.


Continuámos pela mesma rua, ao longo da qual nos fomos deliciando com o tipo de casario. Grande parte dos edifícios eram lojas, muitas delas com artigos regionais ou restaurantes.

Ao longe começava a distinguir-se outra Kaunas, a moderna. Ainda bem que estava a ser restaurada pois assim não tivemos tanta pena de abandonar este local, para além de que ainda nos restavam fazer cerca de 225km (2h 30m) para alcançarmos o local onde iríamos ficar a dormir – Klaipèda.
Feito o check in no Ibis Styles Klaipeda Aurora, ainda queríamos gozar o resto do dia. Como o hotel não era no centro trouxemos o carro e deixámo-lo perto do porto e aí começámos a fazer uma volta de reconhecimento.

Apesar de Klaipèda ter sofrido destruição durante a II Guerra Mundial, é hoje uma cidade florescente constituindo o único centro portuário da Lituânia, pois situa-se na entrada da laguna da Curlândia, que desagua no mar Báltico. É a terceira maior cidade lituana.
A cidade velha apresenta um colorido de ruas calcetadas e edifícios com estrutura em madeira. É um local repleto de tranquilidade e de encanto. O coração desta zona é a Praça do Teatro.

4º DIA – PALANGA (Museu de Âmbar) – LIEPAJA (Letónia)- RIGA (dormida)
O dia iria ser longo mas não sem desafios pelo caminho! Do nosso plano de viagem fazia parte a ida a Palanga com o intuito de visitar o Museu de Âmbar. De Klaipèda até lá eram cerca de 35km.
Palanga é uma cidade costeira, popular estância balnear que oferece 18km de praias tendo na sua orla dunas e pinhais. Dando resposta à imensidão de pessoas que por ali gozam alguns dias de veraneio, as suas avenidas estão repletas de restaurantes, cafés e bares, o que lhe confere um ar descontraído. Para além disso possui um palácio em estilo neo-renascentista que abriga o Museu de Âmbar, o qual conta com cerca de 4500 peças incluindo algumas invulgares com insetos e plantas preservados no interior.

Chegados a Palanga demos um breve giro pela zona que nos conduzia ao areal, só para ficar com uma ideia. Depois dirigimo-nos de carro até às proximidades do jardim onde se situava o Museu de Âmbar. Por ali demos uma volta a pé, tendo ainda contactado mais uma vez com o mar e as dunas.

Aí íamos nós ver algo diferente nas nossa vidas e aprender um pouco mais! Este museu é algo imperdível e digno de uma visita.
“O âmbar é uma resina fóssil muito usada para a manufatura de objetos ornamentais. Desde a pré-história, as regiões banhadas pelo Mar Báltico, como Lituânia, Letônia e Estônia, são a principal fonte de âmbar. Acredita-se que o material foi utilizado desde a Idade da Pedra.
Sabe-se que as árvores (principalmente os pinheiros) cuja resina se transformou em âmbar viveram em regiões de clima temperado. Nas zonas cujo clima era tropical, o âmbar foi formado por plantas leguminosas. Muito valorizado desde a antiguidade até o presente como uma pedra preciosa, o âmbar é transformado em uma variedade de objetos decorativos.
As resinas produzidas pelos vegetais agiam como proteção contra a ação das bactérias e contra o ataque de insetos que perfuravam a casca até atingir o cerne das árvores. A resina que saía da madeira acabou por perder o ar e a água de seu interior. Com o passar do tempo as substâncias orgânicas formadoras do âmbar acabaram por se polimerizar, formando assim uma resina endurecida e resistente ao tempo e à água.” https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%82mbar


Após termos gozado este local único, queríamos também nós experimentar a sensação de ser veraneantes em Palanga e almoçar num dos muitos restaurantes dali.
Estava na hora de partir e com muita pena nossa, esse tinha sido o nosso último local na Lituânia!
No trajeto para Riga tínhamos projetado ainda conhecer Liepaja (já na Letónia), que ficava a cerca de 70 km de distância. É a terceira maior cidade da Letónia. Não sabemos bem porquê mas ou por termos perdido a capacidade de apreciar ou pelo facto da cidade não corresponder ao esperado considerámos que não é um local imperdível. Talvez se pretendêssemos fazer praia tivéssemos gostado pois apresenta uma faixa de areal a perder de vista!
Depois deste local ainda nos esperavam cerca de 3 horas de trajeto para alcançarmos Riga, aí dormirmos e aproveitar depois a última manhã antes de regressarmos a Portugal.
A Lituânia surpreendeu-nos pela positiva! Vale a pena a viagem!
É interessante rever locais onde gostámos de estar!
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Lindo! Monumental! 😘
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Tesouros escondidos que têm que ser encontrados!
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