Marrocos – #Medinas# e #Souks#

1. medina

2. souk

3. visita a uma medina/souk

O que é uma medina?

 Medina em árabe significa cidade antiga. Foram os árabes que criaram este tipo de centro urbano no século IX. A medina constitui, assim, a parte histórica de diversas cidades (do noroeste da África – Magrebe) de Marrocos, Argélia e Tunísia.

Consiste num conglomerado urbano densamente compacto dentro de paredes defensivas com torres de observação. O emaranhado de ruas estreitas e sinuosas e incontáveis ​​becos torna o traçado de uma medina num labirinto.

Apesar do seu aparente caos as medinas estão dispostas de acordo com determinados princípios: tem em conta – os diferentes grupos religiosos e étnicos; se se trata de local de habitação e/ ou apenas local de trabalho e a localização das atividades estão posicionadas de acordo com a hierarquia social e comercial. A grande mesquita, habitualmente, localiza-se no coração da medina. Todas as medinas se regem segundo estas normas.

Por assim dizer as medinas estão divididas em bairros e em geral cada um deles tem ao dispor das pessoas que aí vivem ou trabalham: uma escola islâmica, uma zona de banhos, um forno, uma fonte e uma mesquita.

Estes bairros são constituídos por uma série de ruelas e becos. Eles representam o núcleo da vida laboral e espiritual para essa comunidade.

Nestes bairros as lojas/bancas vendem todo o tipo de artigos essenciais. Aí pode encontrar desde fruta, vegetais, carvão, açúcar, especiarias e outros produtos. As lojas de artigos valiosos habitualmente encontram-se nas proximidades da mesquita.

O centro da medina (no qual se situa a grande mesquita) é cortado por largas avenidas que correm entre as entradas principais e outras ruas principais, que, como medida defensiva, são anguladas ou fechadas por casas ou muros de proteção.

Habitualmente existe pelo menos um portão monumental que é uma entrada fortificada flanqueada por torres com ameias salientes que conduz à medina, onde habitualmente se circula a pé, de bicicleta ou de burro. (não quer dizer que às vezes não seja surpreendido por um carro!)

A medina de Fez declarada Património Mundial pela  UNESCO  em 1981 estende-se por duas zonas distintas: costuma considerar- se a El Bali – como a histórica ou mais antiga com o bairro Andaluso (a este) e o bairro Karaouiyine (a oeste) sendo de realçar a mesquita com o mesmo nome, entre outros edifícios.

e a Jedida cidade nova -construída em 1276 – destacando-se (a oeste) o Palácio Real,

o bairro Moulay Abdallah, o bairro Islâmico, o bairro Judeu ou Mellah com a Sinagoga Danan

e os Méchouars – zonas amplas e muradas usadas em ocasiões militares cerimoniais, entre outros. O planeamento bem como a maior parte dos monumentos – desde palácios a residências, a mesquitas, fontes, medersas (escolas muçulmanas) ou fondouks (edifícios de planta quadrangular ou retangular com um pátio central a céu aberto designados para acomodar mercadores e os seus servos, animais e mercadorias) datam desse período.

O que é um souk?

Souk é definido como sendo um mercado tradicional das cidades do norte de África. Pode funcionar dentro ou fora das muralhas de uma medina. É também usado para designar zonas comerciais de uma cidade.

Muitos dos souks são designados de acordo com os artigos que vendem.

Os souks de Marraquexe são dos mais fascinantes do Magrebe.

Eles situam-se essencialmente nas ruas estreitas a norte e a leste da famosa Praça Jemaa el-Fna: pode-se afirmar que o “coração histórico” dos souks se estende desde a Mesquita Ben Youssef no norte até ao Souk Smarine – de vestuário – no sul. A este acrescentem-se: o Souk Atarin – de artigos de metal; o Souk Smata – essencialmente cintos e chinelos; o Souk Chouari – de cestos feitos com fibras de palmeira e madeira; o Souk Siyyaghin dedicado à joalharia , os Souk el- Batna e El-Kebir mercado de peles; o Souk Zarbia – o principal mercado de tapetes, o Dyers’ Souk – onde a lã e a seda são tingidas e o Souk das Especiarias, localizado no Mellah, o antigo bairro judeu.

Existem também as Kissarias que são espaços dedicados a venda de roupa, de tecidos, de artigos de couro e ornamentos.

Na generalidade os souks decorrem ao ar livre (aqueles que ocorrem num dia da semana), exceto alguns de caráter permanente (conjuntos de lojas) que decorrem dentro das medinas, sendo que podem ser cobertos. Todos os souks, rurais ou urbanos apresentam os produtos procurados pelas populações.

Nas zonas comerciais urbanas é habitual os souks estarem organizados por áreas definidas como por exemplo vestuário, alimentação, sapataria, artesanato, produtos rurais (fruta, vegetais, galinhas vivas…)

Contrariamente ao que estamos habituados, nestes locais nenhum produto tem preço, o que significa dizer que tem e deve ser regateado. Atenção que o primeiro valor sugerido por eles está completamente inflacionado. Tente pensar o que vale este ou aquele produto que lhe interesse e de acordo com isso atire um valor (sugere-se que ofereça um terço do preço proposto pelo comerciante).

É comum nas grandes medinas haver informação do que encontra neste ou naquele souk.

Hoje em dia as autoridades locais procuram preservar estes espaços devido ao seu valor cultural e turístico.

Visita a uma medina/souk

Embrenharmo-nos nestes espaços e contactar com uma realidade que não faz , de todo, parte do nosso dia-a-dia é difícil descrever. Tudo é único – as pessoas, os sons, os cheiros, as cores, as sensações…

Nós fomos a 3 medinas com os respetivos souks: Casablanca, Marraquexe e Fez.

Há que entrar no espírito e tirar partido de locais como estes! Adorámos pura e simplesmente. Posto o pé para além do portão sentimo-nos tentados a comprar tudo, pois tudo nos parece apetecível!

Comparando estes espaços nas 3 cidades, pensamos que começámos pelo mais pequeno e terminámos no mais emblemático. Qualquer um deles tem as mesmas ofertas, mas numa dimensão diferente.

A medina de Casablanca constitui, para nós, de qualquer das formas, o encanto de um local exótico e diferente do que qualquer europeu possa imaginar!

Apesar dos souks de Marraquexe serem considerados dos mais emblemáticos de Marrocos por não termos muito tempo acabámos por não conseguir explorar todos eles mas contactar com realidades tão diferentes das europeias mesmo que poucas, são momentos que ficam pelo colorido, pelo cheiro, pela riqueza. Na noite em que chegámos pudemos logo contactar com um mundo mais apreciado por mulheres – o da joalharia – apercebemo-nos que eles usam, a mão de Fátima, em muitas peças – desde brincos, a pendentes, a anéis … mas como era imperioso alimentar os estômagos, não lhe reservámos muita atenção. No dia seguinte quando nos aproximámos da zona onde havia todo o tipo de especiarias notavam-se odores uns facilmente identificáveis, outros nem por isso! Na área dedicada às peles já tingidas a secar ao sol, também ficámos estupefactos com o processo de as tratar.

(Mão de Fátima (refere-se à filha mais nova do profeta Maomélíder espiritual do Islamismo) é um  símbolo esotérico – é representado com uma mão plana e aberta – significa o número cinco, que é a quantidade de dedos que se possui numa mão. É um amuleto usado para atrair a sorte)

Tendo contactado com 3 medinas distintas podemos referir que a medina de Fez é incomensurável. É francamente labiríntica pois possui 9800 ruelas. Recomendamos que façam o mesmo que nós! Apesar de termos feito um estudo prévio dos locais a visitar nesta medina, após insistência consistente dos rececionistas do hotel, acabámos por aceitar um guia para nos acompanhar. Não nos arrependemos pois ele conduziu-nos a todos os locais de interesse descritos no guia Eyewitness Travel de Marrocos, que nós nem com Waze ou Google Maps, conseguiríamos encontrar.
Na zona El Bali – ou seja a mais antiga, sentimo-nos mais verdadeiramente no seio de uma medina, pois aí encontramos os autênticos souks: penetrámos no mundo das peles que se estende por uma área a perder de vista- desde a secagem das peles em varandas ou ainda tinas enormes com os mais variados tons de tinta

até às lojas com o produto final – desde malas a casacos a poufs... tudo o que possa imaginar feito com pele.

Como eles usam tons lindíssimos a pessoa sente-se tentada a comprar algo. Se comprasse noutro país qualquer não era barato, portanto se gosta compra: é um recuerdo de um local exótico! O guia ter-nos-á dito que a marca Louis Vuitton compra as peles aos marroquinos para confecionar as suas malas.

E como isso significa apenas um pouco do mundo dos souks aí fomos transportados para um outro: o da cerâmica – é fenomenal assistir aos vários momentos de execução das mais variadas peças.

Mais uma vez apetece comprar algo para mais tarde recordar – porque não uma tagine

(panela em cerâmica com tampa cônica) ou para cozinhar ( mais tosca – em barro) ou para enfeitar (em cerâmica e com prata) ou o tampo de uma mesa

(pois eles têm logo o cuidado de informar que não há problema com o transporte – eles tratam de tudo). Mas não ficámos por aí: havia mais souks onde gastar dirhams: desta vez fomos transportados para o mundo da tapeçaria – é interessante observar algo que faz lembrar Arraiolos: os tapetes apresentam uma conjugação de cores apelativas à compra.

Daí passámos à fase seguinte: o da tecelagem – fabuloso percebermos como é o dia-a-dia destas pessoas, apesar de negociantes, são simpáticos e disponíveis para explicar o processo de feitura desta ou daquela peça/acessório.

Ficámos a saber que dos catos

(que existem em abundância em terras marroquinas plantas que crescem sozinhas em regiões áridas, sem precisar de muita irrigação) conseguem extrair seda sendo essa utilizada para fazer lenços, echarpes

Estes espaços foram entremeados com um El Corte Inglês marroquino em que se encontra de tudo mas não ao preço certo nem em saldos, a menos que regateie para conseguir um preço aceitável.

Mas a medina tem muito mais para oferecer: ela estende-se noutras vertentes e como tem uma dimensão que só sendo observada de um plano alto

conseguimos ter um pouco a noção da sua imensidão: quantas escolas, mesquitas, alojamento, biblioteca, restaurantes, ou ainda outros espaços pode ela oferecer a quem a visita? Soubemos através do guia que só a partir dos anos 70 é que começaram a construir fora da medina, portanto era imperioso essa cidade antiga chamada medina poder proporcionar tudo o que as pessoas necessitassem.

Pode ser que de uma próxima vez consigamos explorar mais um pouco este mundo exótico e labiríntico!

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