São Petersburgo – um tesouro do Báltico

São Petersburgo é a segunda maior cidade da Rússia (…). Ela está localizada ao longo do rio Neva, na entrada do Golfo da Finlândia , no Mar Báltico. Em 1914, o nome da cidade foi mudado para Petrogrado  e, em 1924, para Leningrado. Em 1991, após o colapso da União Soviética, a cidade volta ter seu nome original. É frequentemente chamada apenas de Petersburgo e informalmente conhecida como Peter. (…) É frequentemente descrita como a metrópole mais ocidentalizada da Rússia, bem como a capital cultural do país.  É a cidade mais setentrional do mundo (…). Seu centro histórico e monumentos constituem um Património Mundial pela UNESCO. São Petersburgo também é o lar do Hermitage, um dos maiores museus de arte do mundo.” https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Petersburgo#cite_note-7

Tendo Pedro o Grande (já czar) realizado algumas expedições à Europa Ocidental, no final do séc. XVII, concluiu que a Rússia estava muito desfasada social e tecnicamente comparada com as potências ocidentais.

Passou parte de uma das expedições nos Países Baixos, onde estudou ciências náuticas, alimentando o sonho de tornar a Rússia numa potência marítima. Quando regressou, trouxe consigo várias centenas de mestres, técnicos, médicos e homens letrados, a fim de ingressar no país ideias europeias de progresso.

Pedro o Grande foi, assim, bastante importante na modernização e ocidentalização da Rússia.

A capital cultural da Rússia foi, então, fundada em 1703 quando Pedro o Grande conquistou aqueles territórios à Suécia e decidiu construir aí a capital da Rússia. Começou por planear primeiro uma fortaleza, um porto e depois acrescentou uma cidade (que apresenta uma área urbana de 605 km²).

ROTEIRO

São Petersburgo é um destino que pode ser alcançado utilizando vários meios de transporte – desde o avião, ao ferry, aos cruzeiros e ao comboio, dependendo de onde se viaja, é só escolher. Tendo nós acabado de visitar Tallinn – capital da Estónia, pareceu-nos prático e interessante ir de comboio, pois assim ainda conseguimos contactar com algumas paisagens estónias ao longo do percurso e começarmos a ouvir uma língua completamente diferente e difícil – o russo.

A viagem teve a duração de 7h. Foi uma viagem agradável. Chegámos ao local de destino pelas 23h 50m. Fomos de táxi até ao Hotel Moscovo que se situava no final da Avenida Nevsky (Nevsky Prospekt).

1º DIA – SÃO PETERSBURGO

Mesmo à boca do hotel tínhamos uma estação de metro à espera de uns portugueses com bravura para explorar uma cidade grandiosa. Apanhámos a linha verde 3 em Alexandra Nevskovo no sentido de Primorskaia, para sairmos em Gostini Dvor, na famosa Avenida Nevsky, principal artéria da cidade com 4.5 km de comprimento que cruza três vias navegáveis – o rio Moika, o Canal Griboedov e o rio Fontanka. A Avenida tem num extremo a Praça do Palácio, que se situa, grosso modo, entre o Almirantado e o Ermitage e no outro o Mosteiro de Alexander Nevsky. O terço mais interessante da avenida situa-se entre a Praça do Palácio

e a Ponte Anichtkov sob o rio Fontanka.

A Ponte Anichtkov está entre os pontos mais turísticos da cidade.

Esta artéria da cidade conta com edifícios como o Palácio Stroganov, a Catedral de Cazã

e um monumento a Catarina II (a Grande) no jardim em frente ao Teatro Aleksandrinskiy, entre outros.

A maioria das lojas de prestígio e bares da cidade estão localizados na avenida ou junto a ela.

Ao longo desta zona mais interessante da avenida os nossos olhares prendem-se a todo o momento com edifícios que quase parecem competir uns com os outros pelas suas linhas e notoriedade.

É indescritível de facto a riqueza que todos eles apresentam desde o estilo Barroco, Neoclássico ao Art Nouveau. Entre os edifícios situam-se diversos Palácios sendo de realçar o Gostini Dvor (que agora funciona como centro comercial), o Anichtkov, o Beloselsky e o Stroganov (já referido). Tudo isto reflete uma sociedade com muito poder, riqueza e esplendor.

Depois de nos termos deliciado com toda a grandiosidade ao longo de um troço da Avenida Nevsky, ao nível do Canal Griboedov fomos confrontados com algo que nos fez lembrar o Vaticano – uma grande oval formada por duas colunatas semicirculares com 136 colunas coríntias, copiadas da catedral de São Pedro, em Roma, que é ligada à igreja: é a famosa Catedral de Cazã, dedicada à Nossa Senhora de Cazã, o ícone mais venerado da Igreja Ortodoxa Russa. Projetada pelo arquiteto russo Andrey Voronikhin e erigida no início do séc. XIX, é um dos raros exemplos de templo ortodoxo do estilo Neoclássico tardio (por vezes designado “estilo Império”). A igreja tem a forma de uma cruz com 72 metros de comprimento e 55 metros de largura e é encimada por uma cúpula metálica com 20 metros de diâmetro, conferindo ao edifício uma altura máxima de 79 metros. As portas de bronze da entrada principal são cópias das portas do Batistério de Florença.

Ficámos também maravilhados com os edifícios existentes de um e outro lado do Canal

e como panorama de fundo surgia a famosa Igreja do Sangue Derramado, cujas cúpulas, em forma de cebola, faziam realçar ainda mais a sua beleza. A pessoa sente-se tentada a fotografar mais e mais criando as mais diversas perspectivas.

Esta igreja foi construída no local onde o Czar Alexandre II foi assassinado, vítima de um atentado em 1881. Passados dois anos o seu filho Alexandre III, iniciou a sua construção como um memorial ao pai. 

O arquiteto Alfred Parland levou a cabo uma uma versão estilizada e brilhante de uma igreja do séc. XVII, revestindo-a com uma riqueza de elementos de construção e decorativos que claramente derivam da arquitetura de Moscovo. Fez uso extensivo de painéis de mosaico nas paredes sendo a sua área total de mais de 400 metros quadrados tendo usado o branqueamento tradicional de detalhes individuais para destacá-los das paredes de tijolo vermelho e castanho. A construção das abóbadas foi concluída em 1894 e no ano seguinte as molduras das nove cúpulas. O revestimento de metal de cinco das cúpulas foi coberto com esmalte de joalheiro. Todo este conjunto faz deste templo ortodoxo russo algo de emblemático.

À medida que nos vamos aproximando os dedos iam reclamando de tantos disparos!

Bom e depois de admirar as impressionantes cúpulas, mosaicos e brasões no exterior, estaríamos nós preparados para nos deixarmos surpreender com a decoração interior?

Os seus interiores são de um requinte impressionante!

Mas o nosso dia prometia! Depois destes momentos numa das mais emblemáticas igrejas de São Petersburgo, eis que chegamos a mais um ícone da cidade: a Praça do Palácio localizada no coração de São Petersburgo.

Aí fica-se extasiado outra vez pois tudo foi concebido com requinte e grandeza. O edifício mais antigo e célebre é o Palácio de Inverno, o qual deu o nome à Praça. Apesar de o Palácio ser de estilo barroco e os edifícios adjacentes serem em estilo neoclássico, criam uma harmonia, fazendo desta Praça um ponto de encontro único e monumental.

Do lado oposto da Praça o Edifício do Estado-Maior General, em forma de arco em estilo Neoclássico tem no centro um arco duplo coroado com uma quadriga romana, construído a pedido do Imperador Alexandre I. Ele decidiu fazer desta praça um cenário grandioso para comemorar a vitória do Império Russo sobre as tropas de Napoleão durante a Guerra Patriótica de 1812.

No meio da Praça ergue-se a Coluna de Alexandre, construída em granito vermelho, com 47,5 metros de altura e 600 toneladas de peso, sendo a coluna mais alta deste tipo em todo o mundo.

A Praça do Palácio foi utilizada para acolher diferentes desfiles e foi também palco de famosos eventos históricos.

A Praça liga a Avenida Nevsky à Ponte do Palácio que conduz à ilha Vassiliev.

Depois de termos gozado este espaço com uma amplidão grandiosa, queríamos muito continuar a desbravar São Petersburgo. Dirigimo-nos para o lado ocidental da Praça, tendo chegado então ao Almirantado.

Almirantado, edifício em estilo Império, foi construído (entre 1806 e 1823) como símbolo das ambições marítimas de Pedro o Grande, representado na estátua equestre em frente ao edifício.

O Almirantado, com o seu pináculo dourado encimado por um catavento com a forma de um pequeno navio de guerra (Korablik), é um dos marcos de maior destaque da cidade e o ponto principal das três principais ruas antigas de São Petersburgo — a avenida Névski, a rua Gorokhóvaia e a avenida Voznesensky, o que sublinha a importância que Pedro I deu à Marinha Russa.https://pt.wikipedia.org/wiki/Almirantado_de_S%C3%A3o_Petersburgo

Muito perto dali situava-se a Catedral de Santo Isaac – a maior e mais sumptuosa catedral ortodoxa de São Petersburgo. Foi construída entre 1818 e 1858 em estilo predominantemente neoclássico, com a inserção de adornos bizantinos.

Mas numa cidade com tanta oferta como São Petersburgo, ansiamos sempre por ver mais e mais. Apesar de já termos feito muitos quilómetros, ainda nos restava tirar partido desta zona da cidade.

Como a cidade de São Petersburgo é muito grande e queríamos visitar, algo considerado impressionante: a Igreja Chesme ou Igreja do Nascimento de São João Batista, utilizámos o metro para a alcançar, tendo saído em Moskovskaya ( linha 2 – azul – no sentido de Kupchino). Mandada construir pela Imperatriz Catarina II, ao arquiteto russo Yury Felten entre 1777 e 1780, ela constitui um dos raros exemplos de arquitetura que combina os princípios do Barroco e do Gótico, sendo um dos primeiros edifícios russos com 5 cúpulas. Foi erguida para comemorar a vitória da Rússia, na batalha de Chesme, sobre as forças turcas.

Tendo saído do metro na Praça Moskovskaya fomos confrontados com um edifício grandioso do estilo soviético, Moskovskiy, o qual em tempos idos terá sido a Casa dos Representantes do Governo da União Soviética e que agora funciona como Centro Empresarial. Em frente ao mesmo ergue-se a Estátua de Lenine. É uma zona descontraída com repuxos e onde muitas pessoas aproveitam para descansar ou passear.

2º DIA – SÃO PETERSBURGO

Tendo já programado a visita ao Museu do Ermitage (bilhetes de ingresso com visita guiada – adquirido na net uns dias antes do início da viagem), dirigimo-nos de metro,(tendo saído em Admiral Teskaya) para a Praça do Palácio para nos encontrarmos com a guia que nos iria acompanhar na visita ao Museu do Ermitage.

O Ermitage, em estilo barroco, um dos maiores museus de arte do mundo, é um complexo de edifícios situado entre o Rio Neva e a Praça do Palácio. É constituído por cinco espaços distintos: O Palácio de Inverno, o Pequeno Ermitage, o Antigo (Grande) Ermitage, o Teatro Ermitage e o Novo Ermitage.

As obras de arte ocupam mais de uma centena de salas do Palácio de Inverno e restantes dependências. A visita guiada contempla essencialmente (a entrada pela) a Escadaria Principal, parte das Salas do Trono e Salões com obras de vários países do mundo, tendo os nossos olhos que dedicar tempo à magnificência dos espaços e às obras de arte.

Foi uma manhã “de trabalho exaustivo” pois os nossos olhares não sabiam o que contemplar de tão rica a oferta era! E os dedos? Dispararam centenas de vezes!

Observe-se a Escadaria Principal

Alguns aspetos das Salas do Trono

e dos Salões

Depois de momentos memoráveis para todo o sempre, esperava-nos muito mais! Dirigimo-nos para a Ponte do Palácio com 250 metros de comprimento. (Esta ponte e mais algumas em São Petersburgo são levadiças. Pode-se gozar isso de 2 maneiras: fazer um tour de barco para observar de baixo para cima e a respetiva iluminação ou ainda vir assistir à sua abertura à noitetente informar-se a partir de que horas poderá observar). Daí tínhamos panorâmicas fabulosas: umas para locais onde já tínhamos estado ( Ermitage, Almirantado…), e outros que ainda não, como por exemplo o edifício KunstKammer (primeiro museu na Rússia -1727 – Antropologia e Etnografia) : magnífico!

Para completar o cenário, fomos surpreendidos com 2 colunas icónicas de 32 m adornadas com esculturas e proas de navios e encimadas por tochas, do outro lado da ponte, virando para o lado direito.

Continuando por aí começamos a ver ao longe o pináculo (Torre do Sino) com mais de 120 metros de altura, da Catedral de São Pedro e São Paulo, integrada no complexo da Fortaleza de Pedro e Paulo. A Catedral concebida por Domenico Trezzini (iniciada em 1712), apresenta características da arquitetura desenvolvida nos Alpes e do norte da Europa da altura. Deve o seu nome aos dois apóstolos, Pedro e Paulo, que derivam da tradição cristã do Ocidente.

A Fortaleza de Pedro e Paulo (originalmente Fortaleza de São Petersburgo), levada a cabo (em 1703) na pequena ilha de Hare, marcou o início de São Petersburgo sendo, assim, um dos símbolos históricos da cidade.

A poucos minutos daí encontrava-se a Mesquita de São Petersburgo. Foi inaugurada em 1913, representando na altura a maior mesquita da Europa fora da Turquia. Os seus minaretes (com quase 50 metros de altura) bem como a sua cúpula (com cerca de 40 metros de altura) são duplamente impressionantes: pela sua altura e pelo requinte de decoração. Tem capacidade para albergar cerca de 5000 fiéis (muçulmanos).

3º DIA – PETERHOF

De manhã dirigimo-nos de metro até ao Canal do Almirantado perto da Ponte do Palácio para apanhar o barco (hidrofoil) para irmos visitar o Palácio Peterhof. A viagem até lá é muito interessante pois vamos desfrutando de algumas zonas de São Petersburgo.

Regressámos a meio da tarde e aproveitámos para explorar mais um pouco da cidade de São Petersburgo. Desta vez atravessámos a Ponte do Palácio e virámos à esquerda. Daí obtivemos panorâmicas para o Ermitage, para o Almirantado (que se estende por cerca de 500 metros) sendo de realçar o Pavilhão, a Catedral de Isaac e outro casario do outro lado da margem do rio Neva.

Passámos também pela Universidade e pela Catedral de Santo André.

4º DIA – PALÁCIO DE CATARINA

Tendo dedicado grande parte do dia ao Palácio de Catarina, queríamos muito gozar mais um pouco de São Petersburgo e mais a mais sentindo que no dia a seguir já estaríamos a rumar a Moscovo.

Decidimos gozar mais um pouco da famosa Avenida Nevsky. Jantámos no restaurante Terrassa que tem vistas espetaculares para a Igreja do Sangue Derramado, Catedral Cazã bem como para o edifício Singer. Foi fabuloso pois acabámos em pleno!

5º DIA – IDA PARA MOSCOVO

Aí íamos nós conhecer mais um local: Moscovo. Pela manhã fomos para a estação onde apanharíamos o TGV ( Sapsan – comboio rápido e de alto conforto). Foi uma viagem tranquila e rápida (3 horas e 50 minutos – cerca de 700 Km), que nos permitiu refletir sobre o que ficou por ver na magnífica cidade de São Petersburgo !

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