O Palácio de Catarina é um palácio em estilo Rococó (séc. XVIII), que serviu de residência de Verão aos Czares. Fica localizado 25 quilómetros a sudeste de São Petersburgo, na cidade de Tarskoye Selo (em português – Aldeia do Rei) também denominada Pushkin durante o período soviético, em alusão ao poeta com o mesmo nome que estudou naquela localidade no Liceum Imperial.
A visita ao Palácio de Catarina (nome alusivo a Catarina I da Rússia) ocupa facilmente um dia completo na agenda de qualquer viajante.
É possível chegar lá de comboio, de táxi ou numas carrinhas que funcionam como “táxi coletivo”; contudo considerámos que o meio de transporte mais interessante seria o comboio porque a visita começa logo na própria estação. A linha de comboio entre São Petersburgo e Tsarkoe Selo é a mais antiga da Rússia tendo sido inaugurada em 1838 pelo czar Nicolau I. A estação donde parte este comboio é a estação Vitebsk (em São Petersburgo), acessível através das estações de metro Pushkinskaya (linha 1 – vermelha) ou de Zvenigorovskaya (linha 5 – roxo).
Foi a primeira estação de comboio construída na Rússia mas sofreu várias remodelações até ter sido demolida e feita de novo (1901- 1904) em estilo Arte Nova incluindo a magnífica escadaria interior, foyer com vitrais e vários painéis de azulejos que contam a história da primeira linha ferroviária da Rússia. Existe também um busto do czar Nicolau I. Quanto à estrutura do edifício apesar do estilo predominante ser Arte Nova com grandes janelas semi-circulares inclui 2 elementos típicos das estações de comboio do séc. XIX: uma cúpula neo-renascentista e uma torre quadrangular com o relógio. Junto ao cais de embarque é possível admirar uma réplica do primeiro comboio.
A viagem dura cerca de 30 minutos e tem 8 paragens. A saída é na estação de Tsarkoye Selo. O bilhete é barato. Na estação fomos abordados por alguns indivíduos que num Inglês muito rudimentar diziam que os comboios estavam parados convidando-nos a ir de carro com eles a troco de uma certa quantia em dinheiro. Uma florista da estação veio ter connosco apontando várias vezes para a bilheteira dizendo “kassa”, kassa” que em russo significa bilheteira. Na realidade tudo estava a funcionar normalmente.
No largo da estação de Tsarkoye Selo há 2 carreiras de autocarro que nos levam até às proximidades do Palácio: a número 378 (8 minutos, 4 paragens com saída em Sadovaya Ulitsa – Garden Street ) ou a número 382 (9 minutos, 6 paragens com saída em Srednyaya Ulitsa). Ambas as paragens distam 500 metros de caminhada.
Se optar pela carreira 382 no trajeto a pé para o Palácio poderá ver o monumento ao poeta Alexander Puskin num jardim.
O Palácio é um bloco de forma simples com 300 metros de comprimento que impressiona pelo rico trabalho em relevo das paredes, fazendo com que o edifício se assemelhe a um órgão gigantesco. Para maior efeito decorativo, Rastrelli usou o contraste de estuque azul claro e branco com dourado. A fachada noroeste do palácio abre para um pátio principal que é cercado por uma grande extensão de edifícios auxiliares e o lado sudeste tem vista para o jardim e lagoas em espelho. A grande entrada do palácio é ladeada por duas circunferências massivas, igualmente em estilo Rococó. Uma delicada grade em ferro fundido separa o complexo, da cidade de Tsarkoye Selo.
A criação do complexo de Tarskoye Selo está associado a 3 imperatrizes: Catarina I, Isabel (filha de Pedro o Grande) e Catarina II. O primeiro palácio, desenhado por Johann Braunstein, remonta a pouco depois de 1710 quando Pedro o Grande presenteou esse local a sua esposa Catarina I. Em meados do século XVIII, a imperatriz Isabel, considerando a residência demodeé, pediu ao arquiteto Bartolomeo Rastrelli, que demolisse a velha estrutura e a substituísse por um edifício muito maior em estilo Rococó (estilo barroco levado ao exagero de decoração), mantendo o nome de Palácio de Catarina (em honra a sua mãe), tornando-se um símbolo da era “Isabelina” pelo luxo e dimensão. Foram usados mais de 100 kg de ouro para dourar a sofisticada fachada e numerosas estátuas erguidas no telhado.
Na zona sudeste, Rastrelli reformulou o Jardim Francês que datava do início do século XVIII e acrescentou dois palácios em miniatura – o Ermitage e a Gruta. Na zona sudoeste, usando os cálculos técnicos de Andrei Nartrov, ele construiu a primeira colina costeira arquitetônica da Rússia, uma das primeiras montanhas-russas.
A próxima etapa na história do conjunto, já da responsabilidade de Catarina II, está associada aos notáveis arquitetos clássicos Charles Cameron, Yuri Velten, e Giacomo Quarenghi: eles aumentaram os parques e adornaram-nos com edifícios em estilo neoclássico. Foi também neste reinado que a exótica Aldeia Chinesa e o austero Palácio de Alexandre foram levados a cabo.
O estilo Rococó apesar de estar presente nos exteriores tem também uma grande expressão nos interiores refletindo através da pintura, os costumes e as atitudes de uma sociedade em busca de felicidade, da alegria de viver, dos prazeres sensuais levados a cabo através de festas com toda a pompa e circunstância, iluminadas com centenas de velas!
Os interiores são de uma sumptuosidade indescritível, incluindo a famosa “Sala de Âmbar” (única divisão do palácio onde não é permitido tirar fotografias)!
A Sala de Âmbar – янтарная комната (yanTARnaya KOMnata), янтарь (yanTAR) = âmbar – é uma divisão do Palácio de Catarina cujas paredes estão revestidas por painéis de âmbar guarnecidos com folha de ouro e espelhos, conferindo-lhe uma beleza singular. Infelizmente, hoje podemos apenas admirar uma réplica, em virtude de os painéis originais terem sido levados para a Alemanha durante a 2ª Guerra Mundial e, posteriormente, desaparecidos.
Os painéis de âmbar originais foram concebidos em 1701 para um palácio em Berlim (na altura, a capital da Prússia). Em 1716 o rei da Prússia ofereceu os painéis de âmbar a Pedro I (Pedro o Grande) da Rússia, para consolidar uma aliança militar. Depois de terem estados guardados durante alguns anos em São Petersburgo, foram usados (em meados do séc. XVIII) para revestir as paredes de uma sala no Palácio de Catarina, quando o palácio antigo foi demolido e reconstruído sob a orientação do arquiteto italiano Bartolomeo Rastrelli. Cada painel pesava cerca de 500 Kg e, ao todo, foram usadas mais de 6 toneladas de âmbar.
Durante a 2ª Guerra Mundial, perante a ameaça da invasão da União Soviética pelas tropas nazi e sabendo das pilhagens de obras de arte que estas habitualmente faziam, as paredes da Sala de Âmbar foram revestidas com papel de parede, para os esconder (não tendo sido retirados por se recear que o âmbar, ressequido e quebradiço após mais de duzentos anos de exposição ao ar, se danificasse). Mas o plano fracassou porque os especialistas de Arte alemães tinham conhecimento da sua existência, tendo os painéis sido desmontados e transportados para a Alemanha. Chegaram a estar expostos em 1941 no castelo da cidade de Konigsberg (atual Kliningrad, em alusão ao político russo Micahil Kalinin, após este território ter ficado sob domínio soviético em 1945) e, posteriormente, desapareceram. A referida cidade sofreu um intenso bombardeamento em 1944, com destruição parcial do castelo; contudo, algumas pessoas disseram ter visto os painéis de âmbar a ser embarcados num navio alemão que partiu de Gdansk e foi afundado por um submarino soviético. Neste momento não há a certeza de terem sido destruídos, admitindo-se que possam estar escondidos algures…
Em 1979 o governo soviético decidiu mandar reconstruir a Sala de Âmbar, com base nos desenhos originais e em fotografias antigas a preto-e-branco, tornando difícil recriar as 350 tonalidades de âmbar utilizados nos painéis originais. Além disso, não foi fácil encontrar entalhadores de âmbar no séc. XX, tendo o trabalho sido realizado por artesãos alemães e russos. Os elevados custos da reconstrução da Sala de Âmbar foram minimizados com um donativo de 3,5 milhões de USD por uma empresa fornecedora de energia elétrica alemã (E.ON SE). Os trabalhos foram concluídos em 2003.
Foi pena não termos tido tempo de explorar mais o espaço exterior mas a longa fila de acesso ao Palácio roubou-nos demasiado tempo. Para a próxima vez não iremos lá no princípio de agosto.



































Agradeço vivamente o contributo dado pelo meu marido na descrição da estação e na de sala de âmbar. Se forem a São Petersburgo não hesitem em visitar o Palácio de Catarina.
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