
A Rússia, oficialmente Federação Russa localizada no norte da Eurásia, (a massa que forma em conjunto a Europa e a Ásia) é o país com maior área do planeta, cobrindo, assim, mais de um nono da área terrestre. Faz fronteira terrestre com 15 países, tendo também fronteiras marítimas com o Japão e com os Estados Unidos.
Moscovo, (cujo nome provém do rio Moscovo – tendo este, no entanto, uma origem incerta), capital atual da Rússia, está situada nas margens do rio Moscovo, possuindo 49 pontes que o atravessam bem como os seus canais dentro dos limites da cidade.
Como a cidade de Moscovo se situa no interior da Rússia possui invernos rigorosos (variando entre os -25 °C e os 0 °C no inverno) fazendo dela uma das capitais mais frias do mundo. No entanto apresenta verões amenos (entre os 15 °C e os 30 °C).
Moscovo conhecida mundialmente pela Praça Vermelha, Catedral de São Basílio e pelo Kremlin é uma cidade que tem muito mais para oferecer.
ROTEIRO DE 2 DIAS
1º DIA – TARDE
Após uma viagem agradável, rápida e confortável no TGV (ou Spasan, que em russo significa falcão) feita entre São Petersburgo e Moscovo, estávamos disponíveis para começar a explorar a segunda cidade mais populosa da Europa, com características muito peculiares.
Numa grande cidade a nossa preocupação é escolher um alojamento que se situe relativamente perto de uma estação de metro para rapidamente chegarmos ao coração da cidade. Dirigimo-nos, então, de metro até às proximidades do Teatro Bolshoi (estação de metro – Teatralnaya– linha 2 – verde), um dos mais conhecidos e maiores teatros da Europa famoso pelas suas apresentações de ópera e ballet,
para começarmos a conhecer os principais pontos de interesse da grande Moscovo. Tendo feito pesquisa relativamente a locais para fazer uma refeição nessa zona fomos almoçar no restaurante Strana Kotory Net. É um espaço interessante, come-se bem e não é caro.
Seguimos pela Avenida Teatralnyy para começar a apreciar o centro histórico Kitay Gorod, o qual representou o coração financeiro de Moscovo até à revolução, tendo sido uma das partes mais habitadas da capital e que conseguiu escapar em grande parte ao brutal planeamento urbano soviético da década de 1930. Na Praça Lubyanka pudemos observar o célebre edifício da KGB e o Nautilus (centro comercial).
Depois caminhámos ao longo da Rua Nikolskaya a qual é rica em lojas e edifícios interessantes sendo de realçar o Mosteiro Zaikonospasskiy ( em estilo renascentista russo do séc. XVII, cuja torre do sino é octogonal) e a Catedral Spasskiy (um dos grandes exemplos da arquitetura barroca russa).
Depois de termos apreciado parte do bairro Kitay Gorod, eis-nos chegados a um dos símbolos da cidade moscovita – a Praça Vermelha. Apesar da cor dos tijolos em seu redor e de se poder associar o vermelho ao comunismo, pensa-se que o nome terá surgido de uma palavra russa que tanto pode significar vermelho ou bonito (krasnaya), como referência à Catedral de São Basílio, tendo sido depois dado esse nome à praça.
É uma sensação fabulosa estar a pisar um espaço que habitualmente se “alcança” apenas através dos media. Chegados aí os nossos olhares ficam presos de imediato às fantásticas cúpulas da Catedral de São Basílio, sem dúvida o principal símbolo de Moscovo,
mas a Praça Vermelha tem muito mais para oferecer: a Catedral de Cazã (igreja ortodoxa russa, construída em 1636 em honra da miraculosa “mãe de Deus de Cazã” demolida por ordem de Estaline em 1936, foi reconstruída entre 1990 e 1993 obedecendo ao traçado original) cuja beleza é ofuscada pela grandiosidade da de São Basílio,
o edifício Gum, centro comercial que se impõe pelo seu tamanho e beleza arquitetónica,
o Mausoléu de Lenine
e o Kremlin com a grande muralha e as suas famosas Torres.
A Praça Vermelha é, assim, a principal praça de Moscovo pois daqui saem ruas em todas as direções. Separa a cidadela real, conhecida como Kremlin (que significa “fortaleza dentro de uma cidade”) do bairro histórico de Kitay – Gorod.
Depois de nos deliciarmos a contemplar nesta ou naquela direção, decidimos visitar a Catedral de São Basílio, a qual é fotografada das mais variadas perspectivas pois pensamos que ainda falta este ou aquele pormenor!
A Catedral de São Basílio é uma igreja ortodoxa russa que foi erigida entre 1555 e 1561 sob a ordem de Ivã IV da Rússia. A catedral é constituída por nove capelas, apresentando a central uma altura de 57 metros, em redor da qual se desenvolvem as outras oito, com um desenho geométrico preciso. O exterior originalmente era branco e dourado, tendo ganho todo o colorido atual no séc. XVII. Apesar do interior ser mais discreto vale a pena percorrer os corredores tortuosos para ver os frescos e ícones restaurados.
A Praça Vermelha foi testemunha de procissões sagradas, execuções, desfiles militares grandiosos e insurreições sangrentas. A vasta extensão de paralelepípedos da Praça Vermelha é o coração espiritual da capital e da nação.
(P.S – Se quiser muito contactar primeiramente com a emblemática Praça Vermelha, desça na estação de metro Ploshchad Revolyutsii – linha 3 – azul – 500 metros – é uma estação emblemática repleta de estátuas)
Kremlin, sede do governo da Rússia e residência oficial do presidente, é uma cidadela fortificada gigantesca, ocupando cerca de 30 hectares. A sua muralha contém 20 torres sendo a principal a Torre do Salvador (Torre Spasskaya). Esta cidadela situa-se no centro da cidade tendo o rio Moscovo a sul, a Catedral de São Basílio bem como a Praça Vermelha a leste e o Jardim de Alexandre a oeste.
Daqui seguimos para o Jardim de Alexandre, o qual foi um dos primeiros parques urbanos públicos, sendo composto por três jardins separados, que se estendem ao longo de todo o comprimento da muralha ocidental do Kremlin. Foi construído (1819-1823) em homenagem a Alexandre I da Rússia após a vitória sobre as tropas de Napoleão em 1812. É uma zona descontraída e interessante : após a entrada, à esquerda está o Túmulo do Soldado Desconhecido e mais à frente, à direita, uma grande fonte com quatro cavalos de bronze que parecem pretender atravessá-la, conhecida como Fonte das Quatro Estações do Ano. Nas proximidades existe a Biblioteca Lenine.
O dia começava a declinar mas apetecia-nos continuar a gozar uma cidade em festa. Dirigimo-nos para a Praça Manezhnaya onde acabámos por jantar, numa das muitas bancas instaladas por ali.
2º DIA
O nosso dia começou com a visita ao Kremlin (кремль – KRYÉmli) que é uma cidadela fortificada com uma grande muralha que contém 20 torres sendo algumas delas dignas de realce. No seu interior existem cinco palácios, quatro catedrais e mais algumas igrejas.
A construção do Kremlin remonta a 1156 logo após a fundação da cidade de Moscovo (москва – maçKVÁ), nas margens do rio do mesmo nome. Em 1367 a estrutura defensiva de madeira foi substituída por outra feita em pedra que, por sua vez, nos finais do séc. XV deu lugar às atuais muralhas intercaladas por torres, no período de Ivã III o Grande. O coração do Kremlin é a Praça das Catedrais que foi o centro espiritual da Rússia imperial. Ao longo dos anos foram construídos palácios para residência dos czares e outros edifícios com fins administrativos e políticos.
Deslocámo-nos de metro até à estação Alexandrovsy Sad (linha 4 azul clara), que dá acesso ao jardim de Alexandre. A compra de bilhetes e admissão é feita na Torre Kutafiya (que se situa no exterior do Kremlin, no jardim) passando depois pela Torre da Trindade. A partir daí encontramo-nos no interior do Kremlin. (P.S. – a entrada das visitas guiadas é feita noutro local – Torre Borovitskaya)
Chegámos a uma rua larga que tem logo à esquerda o edifício do Arsenal e depois a Praça e o edifício do Senado com a sua cúpula verde.
À direita fica o Palácio Estatal do Kremlin (Palácio dos Congressos) construído em 1961, o qual tem um auditório para 6000 pessoas e é usado como segundo palco para a Ópera e Ballet da companhia Bolshoi. A seguir no mesmo lado encontramos uma zona ajardinada, através da qual vislumbramos as cúpulas douradas da Catedral da Assunção, que tem uma exposição de canhões russos.
Deixámos a rua principal e dirigimo-nos para a Praça das Catedrais. É uma praça central no Kremlin para onde todas as ruas convergiam no séc. XV. As principais Catedrais são as da Assunção (de 1479), Anunciação (de 1489) e São Miguel Arcanjo (de 1508).

Na Praça das Catedrais podem-se observar também o Palácio das Facetas (de 1487), o Palácio de Terém (de 1635-37) que foi durante o séc. XVII a principal residência dos czares (entre 1712 e 1918 a capital da Rússia foi São Petersburgo), a Catedral do Salvador do Alto (de 1636) (Verkhospasskaya), com o seu conjunto de pequenas torres e cúpulas douradas, e a Igreja da Deposição das Vestes (de 1655).
A separar a Praça das Catedrais da Praça Ivã está o Campanário de Ivã III o Grande (de 1600) junto do qual foi colocado o Sino do Czar. Este sino de dimensões gigantescas (com mais de 200 toneladas) nunca chegou a tocar porque a oficina de fundição onde foi construído (entre 1733-35) sofreu um incêndio quando o sino se encontrava em fase de arrefecimento e a água usada para apagar o incêndio fê-lo estalar, tendo-se destacado um fragmento com 11 toneladas.


Por detrás da Praça das Catedrais situa-se o Grande Palácio do Kremlin construído em 1849 para o Czar Nicolau I e tendo passado a ser desde essa altura residência oficial dos czares em Moscovo.
No trajeto que nos conduz à saída temos a Praça Ivã com os seus jardins
e ao longe começamos a ver a Torre do Salvador que conduz à Praça Vermelha.
Chegados aí tínhamos curiosidade em visitar o GUM. É um verdadeiro must. Este centro comercial construído entre 1890 e 1893, a pedido de Catarina II, estende-se por 240 metros ao longo do lado leste da Praça Vermelha. O edifício combina traços do Revivalismo russo apresentando uma estrutura de aço e um teto envidraçado, dalguma maneira uma réplica da principal estação ferroviária de Londres no séc. XIX. A iluminação deve-se a grandes claraboias de ferro e vidro.


A partir de 2005, quando se tornou um centro comercial privado, depois de ter servido ao longo dos tempos também outros propósitos, foi-lhe atribuído outro nome mas para que pudesse manter a sua antiga abreviatura e o espaço continuasse a chamar-se GUM, a primeira palavra – Gosudarstvennyi (‘estado’) – foi substituída por Glavnyi (‘principal’), de modo que a sigla GUM agora significa “Principal Loja Universal”.
Pela altura da Revolução Russa de 1917 o edifício contava com 1200 lojas. Neste momento o GUM tem ao dispor algumas centenas de lojas, possuindo entre elas 100 marcas de topo, bem como cafés e restaurantes. Só pelo espaço merece uma visita, sendo as entradas controladas por rigorosas medidas de segurança.



Percorremos os vários espaços deste magnífico centro comercial, estando os nossos olhos focados na riqueza do edifício e na oferta e requinte das lojas. Se calhar será o número um mundialmente falando, pois não tenho ideia de um centro comercial que se consiga afirmar pelo seu estilo arquitetónico bem como pela oferta de tantas marcas famosas como este. É algo ímpar. Para conseguirmos continuar a gozar este local único, decidimos almoçar no Bosco Cafe, sendo o espaço bem como a comida interessantes.


Durante o almoço considerei a hipótese de dar mais uma volta por algumas lojas no intuito de me presentear com recuerdos. Assim foi… mas a nossa intenção não era ficar por ali muito tempo pois ainda tínhamos muito para conhecer nesta tão imensa e grandiosa cidade. Não estando muito longe do Jardim de Alexandre apanhámos o metro na estação Biblioteka Lenina (linha 1 – laranja) e saímos na estação seguinte Kropotkinskaya (no sentido de Yugo-Zapadnaya) com o intuito de ir visitar a Catedral de Cristo Salvador. No percurso para lá passámos pelo monumento em honra de Alexandre II.


(P.S – Se quiser ir a pé leva-se cerca de meia hora, mas tendo comprado um bilhete de metro que dava para várias viagens, acabámos por optar usar este meio de transporte.)
À medida que nos vamos aproximando da Catedral e porque nos encontramos num plano mais baixo, acaba por se apresentar mais grandiosa ainda e quando chegamos perto dela começamos então a poder apreciá-la mais ao pormenor.



A Catedral de Cristo Salvador considerada um ícone arquietónico da igreja ortodoxa russa é um marco na cidade não apenas pela sua imponente beleza e localização mas também pela sua história que teve início no séc. XIX, sendo na altura a construção mais alta de Moscovo cuja cúpula principal atingia mais de 100 metros.
Foi mandada construir pelo imperador Alexandre I para comemorar a vitória do exército russo sobre as forças napoleónicas em 1812 e honrar os seus soldados mortos. A Catedral sofreu, desde a sua inauguração em 1883, vários revezes: foi desmantelada em 1931, por ordem de Estaline, para construir o Palácio dos Soviéticos em honra de Lenine e da vitória do socialismo (que acabou por não ser construído), tendo dado lugar a uma piscina pública. Nos anos 90 após a queda da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) recomeçou a reconstrução da Catedral a qual foi reinaugurada em 2000, praticamente idêntica à original tendo sido, no entanto, usados materiais e métodos mais modernos.
Apresenta uma decoração interna exuberante (não sendo possível fotografar), formada por ícones dourados e bastante coloridos possuindo cinco cúpulas douradas e uma fachada imponente com magníficas esculturas.



Situada na margem norte do rio Moscovo, num plano alto, a algumas centenas de metros a sudoeste do Kremlin, permite vistas fabulosas para o rio, para o Kremlin e para o monumento a Pedro o Grande ( uma coluna com 98 metros de altura com um barco em cima). Após termos quase esgotado as “películas” no que toca à Catedral, muito mais tínhamos ainda para contemplar e fotografar. É difícil precisar quantas fotos se fazem em locais como estes.



Dedicámos algum tempo a esta zona da cidade. De seguida dirigimo-nos para as proximidades do teatro Bolshoi para jantarmos no mesmo restaurante onde tínhamos almoçado no dia anterior .
3º DIA – MANHÃ
Numa cidade que tem muito para oferecer e não tendo tempo para explorar tudo há que fazer opções. Tínhamos consultado o Guia do Thomas Cook e um dos passeios aconselhados era o do Bairro Zamoskvoreche.
Deslocámo-nos de metro para lá tendo saído na estação Tretyakovskaya (linha 7 – roxa).
Zamoskvoreche é o nome de um bairro histórico único localizado ao sul de Kremlin, separado pelo rio Moscovo. Aqui podemos observar belas casas tradicionais e cada rua abriga uma igreja, as quais conseguiram escapar à destruição do regime comunista. É um bairro tranquilo e agradável onde somos confrontados com várias igrejas que merecem ser recordadas: entre elas salientem-se – a Igreja Ortodoxa de São Clemente, a da Consolação de Todas as Dores, a Kadashi, o Mosteiro de São Miguel e o Templo da Decapitação de São Batista.








Conseguimos entrar no Templo da Decapitação de São Batista, que se situa na Rua Piatnitzkaya e tem uma torre sineira alta pintada de verde e branco. O seu interior apresenta-se ricamente decorado, de acordo com os padrões da Igreja Ortodoxa Russa.




Com muita pena nossa, estava na hora de dizer adeus a Moscovo conscientes de que ficaram imensas coisas por ver, nomeadamente no bairro Zamoskvoreche! Fomos ao hotel buscar as malas, seguimos de metro até à estação Bieloruskaya, que fica mesmo ao lado da estação ferroviária homónima donde parte o comboio expresso para o aeroporto Sheremetievo (SVO).






Almoçámos no aeroporto e depois partimos …


… mas com a certeza porém, de voltar e explorar mais e mais a encantadora capital moscovita não olvidando o uso do metro pois ele é um autêntico palácio subterrâneo!


























































Viagem interessante, a considerar 🤔🥰
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Também iria lá outra vez de bom grado. É um local fabuloso.
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