STON
Ston fica situada na base da Península de Pelješac, cerca de 50 quilómetros a norte de Dubrovnik. Esta península, com 65 quilómetros de comprimento e 7 de largura, foi colonizada pelos Gregos, depois pelos Romanos e mais tarde pelos Bizantinos, tendo sido conquistada pelos croatas no séc. VII da nossa era. Entre 1333 e 1808 pertenceu à República de Dubrovnik. É uma zona fértil com vinhas e árvores de fruto.
Em tempos idos, a zona geográfica da atual Ston era conhecida como Stagnum, por causa das suas águas pouco profundas, havendo aí salinas e exploração de ostras desde o tempo dos romanos. Após a aquisição de Pelješac em 1333, os cidadãos de Dubrovnik iniciaram a construção da grande muralha com o propósito de proteger as propriedades recém-adquiridas e as salinas.
Atualmente Ston é conhecida pelas suas impressionantes muralhas que foram construídas ao longo dos séculos XIV e XV, sendo a cidade com a maior muralha europeia e a segunda maior do mundo. Estas têm um comprimento total de 5000 metros e, além das paredes de pedra possuem 41 torres, 7 bastiões e 3 fortes (forte Koruna, em Mali Ston; forte Veliki kaštio, em Ston e forte Podzvizd, no Monte de São Miguel).




As fortalezas de Ston (Veliki Ston, ou Grande Ston) e de Mali Ston (pequena Ston) foram construídas de um e de outro lado da base da Península de Pelješac, junto ao mar, a 1600 metros (por estrada) uma da outra. As muralhas foram construídas entre estas duas localidades, condicionando o acesso terrestre à fértil península. As estruturas defensivas principais situam-se em Ston e têm uma forma pentagonal. A partir deste ponto as muralhas sobem o Monte de São Miguel e descem depois a outra encosta, até Mali Ston. Apesar dos efeitos devastadores dos terramotos (1667, 1979 e 1996) e da Guerra das Balcãs (1991-1992), os trabalhos de reconstrução efetuados no início do séc. XXI permitiram recuperar a grandiosidade das Muralhas de Ston.





Em Ston foi amplamente desenvolvida a exploração do sal e das ostras. É possível visitar as salinas e a “fábrica do sal”, incluindo uma pequena linha ferroviária que termina nas águas pouco profundas das salinas, onde eram carregados os vagões. Na altura da construção das muralhas o sal era um bem precioso, pelo que se tornou necessário proteger a sua produção.
Na nossa viagem a Montenegro e sul da Croácia (em abril de 2017) voámos para Dubrovnik (com escala em Viena) e levantámos o carro no aeroporto. Nos últimos 2 dias de viagem ficámos alojados em Dubrovnik (Hotel Royal Blue), o que nos permitiu chegar a Ston ao final da manhã (1 hora de carro).
Após o almoço em Mali Ston (no restaurante “Kapetanova Kuća” – casa do capitão) e de termos provado as famosas ostras,


fomos visitar as Muralhas de Ston. O acesso às muralhas (assim como a compra do respetivo bilhete) pode ser feito a partir de Ston ou de Mali Ston. O passeio permite não só apreciar a estrutura defensiva, como desfrutar de paisagens deslumbrantes sobre Ston e as suas salinas, sobre Mali Ston e o seu pequeno porto de mar e sobre a Península de Pelješac.
Apesar do grande interesse turístico e cultural da região de Ston, não lhe foi dado o devido realce nos guias de viagem que consultámos. Foi através de um vídeo de uma viloncelista croata (em colaboração com o Turismo da Croácia), que interpreta trechos de Beethoven nas Muralhas de Ston, que nos apercebemos desta maravilha e que ficou na nossa ideia visitar um dia!
Não percam esta pequena pérola!
E pronto! Aí íamos nós de regresso a Dubrovnik!
DUBROVNIK

Localizada no sul da Dalmácia, Dubrovnik é conhecida como “a pérola do Adriático”, devido à sua localização geográfica e à beleza das suas muralhas, ruas medievais e dos edifícios antigos. O centro histórico de Dubrovnik foi classificado como Património Mundial da UNESCO em 1979. Dubrovnik foi também cenário da série Game of Thrones.
Pode-se chegar à cidade de avião (vista do ar, é simplesmente fabulosa),


de carro, de cruzeiro ou ferry. O aeroporto fica a 18 quilómetros da cidade e tem um serviço de autocarros regular (o trajeto demora cerca de 20 minutos). Nas 2 viagens que fizemos a Dubrovnik uma vez chegámos de carro e da outra de avião. Não perca a hipótese de ficar alojado na cadeia Importanne Hotels and Resort ( a 1ª vez ficámos no Neptun Dubrovnik e da 2ª vez na receção convidaram-nos a ir estrear o Royal Blue. Qualquer um deles fabuloso a nível de instalações e localização geográfica, situado em Babi Kun, na península de Lapad, à beira do Mar Adriático – tivemos pena de não ter tempo para gozar mais esses locais, mas mesmo assim ainda jantámos lá uma vez!)
É desaconselhável levar o carro para o centro da cidade, em virtude de ser difícil arranjar espaço para estacionar. Além disso, no centro histórico não é permitida a entrada de veículos motorizados. É preferível deixar o carro no hotel e apanhar um autocarro para o centro da cidade. Nalguns hotéis é possível comprar os bilhetes para o autocarro.
República de Ragusa
A origem da cidade de Dubrovnik (antigamente chamada Ragusa) remonta ao início do séc. VII da nossa era, por refugiados romanos da antiga cidade de Epidaurum (atualmente Cavtat – vila costeira a 20 Km ao sul de Dubrovnik), após esta ter sido destruída pelos Ávaros. Pouco depois juntou-se-lhes uma colónia de eslavos.
Em virtude da sua situação geográfica no Mar Adriático e por ser um porto seguro, a cidade desenvolveu-se e tornou-se num entreposto comercial importante. Esteve sob domínio bizantino, veneziano (1205-1358) e húngaro até 1382, altura em que negociou a sua independência com o rei da Hungria e formou a República de Ragusa. Seguiu-se um período de grande prosperidade, com desenvolvimento económico, cultural e espiritual. Esta república só terminou em 1808, após a invasão do seu território pelas tropas de Napoleão. Em 1815 o Congresso de Viena (refazer do mapa político da Europa após a derrota de Napoleão) decidiu incluir Dubrovnik no Império Austro-Húngaro. Em 1918 foi incorporada na recém formada Jugoslávia.
O aspeto atual de Dubrovnik remonta aos séculos XIII e XIV (período veneziano), mas grande parte do centro da cidade foi reconstruído após o grande terramoto de 1667. Em 1991-1992 o centro histórico de Dubrovnik ficou muito danificado devido aos bombardeamentos militares da Sérvia-Montenegro, quando da luta pela independência da Croácia. Em 1995 foi iniciado um plano de reconstrução da cidade (apoiado pela UNESCO e pela União Europeia), que permitiu reparar grande parte dos danos da guerra.
As Muralhas são um símbolo de Dubrovnik, envolvendo todo o centro histórico e oferecendo vistas esplêndidas sobre as ruas, monumentos e casario. A sua construção foi iniciada no séc. X tendo sofrido modificações importantes no séc. XIII e alguns reforços ao longo dos séculos seguintes. Têm um perímetro de quase 2 quilómetros e uma altura máxima de 25 metros, incluindo algumas fortificações e torres defensivas.


Destas, a mais emblemática é a Torre Minčeta (1461), com forma semi-circular e armada com canhões.

O Forte de São João é a principal estrutura defensiva das muralhas sobre o porto.


Apenas 2 portões se abrem nas muralhas: o Portão Pile e o Portão Ploče.


Fora das muralhas há 2 fortalezas que completam a defesa da cidade: a Fortaleza Lovrjenac (do lado do Portão Pile) e a Fortaleza Revelin, próximo do Portão Ploče.


O Portão Pile é a entrada principal para a cidade velha e está localizado no muro a oeste. Para a maior parte dos viajantes, o portão é o primeiro encontro com a belíssima arquitetura medieval da região. A estrutura em pedra consiste num portão externo construído em 1537 e um portão gótico interno que remonta a 1460. Num nicho sobre o arco em ogiva há uma pequena estátua de São Brás, um dos ícones mais antigos do Santo Padroeiro de Dubrovnik.
Antigamente, era possível chegar a ambos os portões atravessando uma longa ponte levadiça de madeira que foi substituída por uma ponte de pedra.


Após atravessar os portões (Pile e gótico), encontramo-nos no princípio da conhecida Placa ou Stradun (entre o Portão Pile e o Portão Ploče) que é uma rua larga, comprida e retilínea com lojas, cafés e restaurantes, para além de diversos monumentos e edifícios históricos. Remonta ao séc. XII, tendo sido pavimentada em 1568 e construídas uma série de casas de pedra após o terramoto de 1667.


A cidade velha é um labirinto de pitorescas ruas estreitas, sendo algumas delas íngremes e sinuosas.



Passado o portão damos de caras com a Grande Fonte de Onófrio que é um dos monumentos mais conhecidos da cidade e um ponto de encontro. Foi construída entre 1438 e 1444 pelo arquiteto Onofrio de la Cava, também responsável pelo projeto do sistema de abastecimento da cidade com a água do rio Dubrovačka. Ele desenhou um aqueduto que ligava o rio ao interior da cidade. Assim sendo a água emanava de uma grande fonte poligonal de 16 faces tendo sido as mesmas decoradas com diferentes máscaras saindo a água da boca de cada uma delas. Desde a sua construção até aos nossos dias, a Fonte de Onófrio tem sido utilizada para abastecer a cidade de água potável. A imponente fonte teve em tempos 2 andares, mas o piso superior foi destruído no terramoto de 1667.


Entre as muralhas da cidade e o Mosteiro Franciscano fica a Igreja de São Salvador. A fachada é um exemplo da arquitetura renascentista veneziano-dálmata, um estilo posterior ao terramoto de 1520.
É interessante ir observando e gozando o que a rua Placa ou Stradun tem para oferecer, estando os nossos olhos sempre postos na Torre do Relógio um dos monumentos mais simbólicos de Stradun. A cada hora, os sinos da torre ressoam por toda a cidade. Essa torre mostra a hora em algarismos romanos e possui um belo relógio solar.


Com tudo isto eis-nos chegados à praça mais importante de Dubrovnik, a Praça da Loggia, onde se concentram alguns dos monumentos mais imponentes como o Palácio Sponza, o Palácio do Reitor, a Catedral de Dubrovnik e a igreja de São Brás. No meio da Praça somos confrontados com a Coluna de Orlando.


Do lado esquerdo encontramos o Palácio Sponza. A sua fachada assemelha-se aos palácios de Veneza com uma combinação de elementos góticos e renascentistas, o que o torna um dos edifícios mais emblemáticos de Dubrovnik. Nas varandas da fachada há uma escultura em mármore, de São Brás, padroeiro da cidade. Construído em 1521 para albergar várias funções públicas na República de Ragusa (usado como escola, armaria, banco, casa da moeda e alfândega) funcionou também como ponto de encontro de comerciantes durante o período de maior esplendor comercial de Ragusa. Permaneceu de pé desde o início do século XVI até hoje. Seu nome deriva da palavra latina spongia, o local onde a água da chuva era recolhida.
O Palácio do Reitor, construído no séc. XV, combinando vários estilos arquitetónicos, faz lembrar os palácios góticos de Veneza, foi durante séculos o centro político e administrativo da República de Ragusa, tendo sido, assim, utilizado para diversos fins. Atualmente alberga o Museu da História de Dubrovnik .


A Catedral de Dubrovnik, um templo em estilo barroco, do século XVIII, foi construída sobre os restos de uma antiga igreja românica que foi destruída durante o terramoto de 1667. O mais impressionante da catedral é a sua cúpula, que se destaca sobre o relevo de Dubrovnik. Do tesouro da catedral fazem parte entre outras coisas os restos mortais de São Brás.
No centro da Praça da Loggia encontra-se a igreja dedicada ao patrono da cidade: São Brás. Foi reconstruída nas primeiras décadas do séc. XVIII em estilo barroco veneziano uma vez que depois do terramoto de 1667 e um incêndio subsequente, a igreja de São Brás foi completamente destruída e apenas se salvou uma pequena estátua, feita em prata com banho de ouro, de São Brás que hoje coroa a fachada e representa o santo segurando um modelo da cidade medieval.


Depois de termos contactado com todos estes espaços queríamos muito chegar à zona do porto para gozarmos perspectivas díspares da cidade. Ao lado do Mosteiro Dominicano




fica o Portão Portão Ploče, através do qual se alcança o porto.


Depois de termos regressado à zona antiga, ainda fomos confrontados com a Igreja Ortodoxa ou da Anunciação, o que valeu mais uns disparos!
Jantámos num dos muitos restaurantes com esplanada, Mea Culpa– pizzaria, ambiente descontraído e comida agradável.


Depois de se deliciar na parte antiga da cidade não perca a hipótese de observar Dubrovnik de um plano alto e abrangente com vista para o centro histórico e as muralhas. Pode deslocar-se até lá de teleférico ou pura e simplesmente de carro.



As vistas são de cortar a respiração e os dedos não cessam de fazer disparos!




Se conseguir goze também Dubrovnik ao fim do dia! É divinal!



É um local que apetece sempre visitar de tão fabuloso e descontraído que é!

























