Pico- A “Ilha Montanha”

Pico é a mais bela, a mais extraordinária ilha dos Açores, duma beleza que só a ele lhe pertence, duma cor admirável e com um estranho poder de atração. É mais do que uma ilha – é uma estátua erguida até ao céu e amolgada pelo fogo (…) ” em As ilhas Desconhecidas de Raul Brandão (uma espécie de diário impressionista das paisagens insulares editado em 1926)

O Arquipélago dos Açores é composto por 3 grupos de ilhas: o oriental, o ocidental e o central do qual faz parte o Pico juntamente com a Terceira, Graciosa, São Jorge e Faial.

Ilha do Pico é a segunda maior ilha do Arquipélago dos Açores, no Atlântico Norte. Situa-se a menos de 10 quilómetros da ilha do Faial e 15 quilómetros da ilha de São Jorge.  Mede 42 km de comprimento por 20 km de largura máxima, fazendo dela a maior ilha do grupo central. Devido à proximidade das 2 outras ilhas do triângulo tem ligação marítima de curta duração. É muitas vezes designada como “Ilha Montanha” pelo seu impressionante vulcão-montanha, que se eleva a 2351 metros – sendo a mais alta de Portugal.

1VOOS PARA A ILHA DO PICO
2O QUE O PICO TEM PARA OFERECER
3ROTEIRO
4ALOJAMENTO
5RESTAURAÇÃO

1. VOOS PARA O PICO

Se quiser voar diretamente de Lisboa para a ilha do Pico, habitualmente há 2 voos por semana; ou fazer o voo Lisboa – Faial (diários) e depois ir de barco (da ilha do Faial) Horta – (para a ilha do Pico) Madalena – cerca de trinta minutos.

2. O QUE A ILHA DO PICO TEM PARA OFERECER:

Aventuras desafiantessubida à montanha do Pico (com marcação)
trilhos pedestres 14 – ao longo da ilha trails.visitazores.com/pt-pt/trilhos-DOS-Acores
1 dia

2 a 4 horas
ImperdívelCurrais de Vinha – (Património Mundial da UNESCO desde 2004) desenvolvem-se em currais de lava negra e marcam a paisagem da ilha – os mais emblemáticos – Criação Velha. Se tiver tempo visite também os de Santa Luzia, na costa norte.2 – 3 horas
Cachorro – Arcos do Cachorro (formação rochosa com a configuração de um focinho de um cão) 1 hora
Gruta das Torres (com marcação)1 a 2 horas
Calheta de Nesquim – povoação
piscinas naturais
1/2 hora
1 hora
Lajes do Pico – povoação e Museu Regional dos Baleeiros;
Centro de Artes e Ciências do Mar 

Saída de barco para ver golfinhos e baleias

2 horas

uma manhã
São Roque do Pico – povoação, Museu dos Baleeiros; (barcos para outras ilhas)2 horas
Madalena – povoação,
Ilhéus – Deitado e Em Pé, e Museu do Vinho
(barcos para outras ilhas)
2 horas
Miradouro da Terra Alta – (na estrada que circunda a ilha pelo norte ) – pode-se observar a ilha de São Jorge
Ponta da IlhaFarol da Manhenha, zona de vinhas1 a 2 horas
Lagoas – do Capitão e do Caiado
os famosos vinhos de mesa em particular o verdelho (fresco vinho frutado, seco e leve) e  vinhos licorosos
gastronomia excecional

A ilha apresenta 3 estradas principais (como se pode observar no mapa acima): uma que contorna toda a ilha, outra que a atravessa transversalmente entre Lajes e São Roque (desfrute de vista magnífica sobre a costa norte do Pico e ilha de São Jorge) e ainda outra que tem início na estrada Lajes-São Roque e segue pelo meio da ilha até à Madalena,(podendo apreciar a vista sobre a vila da Madalena, Ilhéus – Deitado e Em Pé – e a ilha do Faial) passando pela estrada de acesso à Lagoa do Capitão. Dessa estrada parte uma outra que dá acesso à Montanha do Pico.

A subida à Montanha do Pico é um desafio compensador para quem se sentir em boa forma física e tiver espírito aventureiro, pois ao longo do percurso usufrui de magníficas paisagens essencialmente para as ilhas do Pico e do Faial.

Em relação aos 14 Trilhos há que verificar o grau de dificuldade de cada um deles e se se considera em boa forma física para o/s fazer. Nós fizemos o do Porto Calhau ( grau de dificuldade difícil6 km e 3 horas de percurso) Manhenha, Ponta da Ilha.

O trilho teve início no Porto Calhau e o fim na Ponta da Ilha. Foi desafiante pois há determinados troços que apresentam alguma dificuldade, mas ao mesmo tempo, divinal pois ao longo do trajeto conseguem-se ter vistas deslumbrantes – mar azul, rocha preta

e a ilha de S. Jorge de determinados ângulos.

Fomos também agraciados com ninhos de cagarros (aves com um cantar peculiar e inconfundível – espécie protegida).

Currais de Vinha – (na zona da Criação Velha) São viciantes e constituem visita obrigatória sempre que vamos ao Pico. É uma delícia. Conseguimos descobrir sempre mais uma ou outra perspetiva daquele rendilhado de muros de pedras negras salpicadas de verde à beira mar que têm como paisagem de fundo a montanha do Pico para um lado e a ilha do Faial para o outro.

Dedicamos sempre umas boas 2 horas, pois adoramos caminhar pelas veredas, subir ao moinho e daí contemplar de um plano superior aquela imensidão de currais de vinha a perder de vista e toda a beleza natural envolvente.

Cachorro – Situa-se na zona norte da ilha – É impensável ir ao Pico e não dedicar algum tempo a esse local paradisíaco – bordado de pedra negra com o azul de um mar batido,

um casario interessante de rocha vulcânica,

com portas e janelas de um vermelho contrastante, uns currais dos quais espreitam vinhas ou figueiras em tons de verde – uma autêntica tela colorida tendo ainda, em alguns ângulos, a ilha de São Jorge como pano de fundo.

Para além disso todos que o visitam têm o compromisso de tirar uma foto junto do focinho de um cão – Arcos do Cachorro (formação rochosa com essa configuração).

Posto tudo isto apetece fazer uma birra como os miúdos e dizer” não quero ir embora daqui!

Gruta das Torres

É uma gruta de origem vulcânica, constituindo o maior tubo lávico de Portugal, com uma extensão de 5.150 metros. O túnel principal da gruta é na sua maior parte de grandes dimensões, chegando a atingir alturas da ordem dos 15 metros. Estima-se que se terá́ formado há cerca de 1500 anos durante uma erupção com origem no Cabeço Bravo. Fica localizada no Caminho da Gruta das Torres na Criação Velha. Aberta ao público desde 2005 desenrola-se ao longo de uma extensão de 450 m e a sua visita tem a duração aproximada de 1h, tendo havido cuidado na escolha do trajeto a fazer o que permite a boa conservação da gruta sendo fornecido o equipamento necessário para a conhecer no seu estado natural. Deve-se fazer marcação prévia.

É uma experiência singular. Durante o percurso podem-se observar vários tipos de lavas, bem como diversas formações geológicas, das quais se destacam diferentes tipos de estalactites e estalagmites lávicas. Sentimo-nos um pouco mineiros, de capacetes e com espírito de aventura e descoberta, sem saber o que nos espera ao longo do percurso.

Calheta de Nesquim

É mais um local descontraído que não se pode deixar de ver e gozar. É um pequeno povoado com uma igreja típica dos Açores – branca e com pedra preta, um cais, um bar e piscinas naturais – Poça das Mujas,

com um ambiente agradável e águas com uma temperatura apetecível. Não perca momentos desses!

Lajes do Pico

A vila desenvolve-se essencialmente em redor de um cais considerável pois durante anos foi o centro da atividade baleeira. Como reflexo disso, atualmente pode visitar o Museu dos Baleeiros (reconstitui mais de um século do quotidiano baleeiro do Pico e mostra as técnicas da caça tradicional açoriana)

e o Centro de Artes e Ciências do Mar (antiga Fábrica da Baleia). A vila é também conhecida pela sua atividade turística relacionada com a observação de cetáceos. Se tiver espírito aventureiro lance-se numa experiência única: observar baleias e golfinhos! Nós já repetimos a experiência umas quantas vezes pois queremos sempre “contactar” com essas maravilhas marinhas. É viciante! Deve fazer marcação prévia. Nós utilizámos a empresa Espaço Talassa.

São Roque do Pico

É uma vila que tem um dos principais portos comerciais da ilha do Pico. Daqui há ligações marítimas com outras ilhas. A caça à baleia também deixou a sua marca, estando a funcionar na antiga fábrica da baleia, o Museu de Indústria Baleeira em frente do qual se encontra um monumento em homenagem ao Baleeiro

Madalena

É a capital da ilha. Situando-se em frente à ilha do Faial e à cidade da Horta há uma forte ligação entre ambas permitindo o porto ligações marítimas entre outras ilhas também. A cidade vista do mar encanta qualquer um: pela montanha do Pico, pelo cais e pelos pináculos da Igreja de Santa Maria Madalena.

Ela é o maior templo da ilha do Pico. Foi fundada no séc. XVII e sofreu importantes alterações no séc. XIX.

Os Ilhéus Deitado e Em Pé que se situam entre as duas ilhas (Pico e Faial) são “monumentos” que merecem a atenção e uns quantos cliques de qualquer viajante.

O Museu do Vinho, criado em 1999, que se localiza perto da Madalena, num antigo convento carmelita, merece a nossa atenção. Possui uma coleção de alfaias, alambiques, um lagar, uma encantadora e frondosa mata de dragoeiros seculares, uma zona de vinha e um mirante num local privilegiado o que o torna indescritível e mágico pois tem como paisagem a vinha, o Canal do Pico-Faial, o mar e a montanha.

Lagoas

Na zona de pastagem surgem várias lagoas sendo de realçar a Lagoa do Capitão (que pode ser alcançada pela Estrada Longitudinal (ER 3-2), a maior da ilha do Pico, rodeada de uma abundante vegetação e aves (situada no planalto interior) que em dias límpidos apresenta vistas deslumbrantes para a montanha do Pico

e a Lagoa do Caiado ( situada no planalto central).

3. ROTEIRO

Dependendo do número de dias e do local do alojamento na ilha assim escolherá como planear a visita, tendo em conta os pontos de interesse (ponto 2 – o que a ilha do Pico tem para oferecer) e o que gostaria de conhecer.

4. ALOJAMENTO

A Ilha tem uma boa oferta em termos de alojamento mas na maioria dos casos são casas antigas recuperadas com capacidade para poucas pessoas, habitualmente localizadas em sítios interessantes. Para quem prefere ficar numa povoação sugerimos: Calheta de Nesquim, Lajes do Pico, São Roque do Pico e a Madalena (ou ainda na zona do Cachorro). Quando pensar visitar a ilha do Pico tente marcar alojamento com antecedência. (Da última vez tínhamos pensado ficar na zona do Cachorro e apesar de ainda faltar algum tempo já estava tudo reservado).

Nós já pernoitámos 2 vezes na Calheta de Nesquim (uma vez em casa de amigos e outra em Alojamento Local – AL), uma vez na Prainha (Casa do Garajau – AL –para 2 pessoas) e em São Roque (Aldeamento)

Prainha Casa do Garajau (para 2 pessoas)
Calheta de Nesquim Adega da Figueira (para 6 pessoas)
São Roque do Pico (proximidades)Aldeia das Adegas (várias casas com 1 ou 2 quartos)
Madalena (proximidades)Alma do Pico Residence ( várias casas de madeira)
(tivemos apenas contacto com o restaurante, tendo passado na zona do alojamento, que nos pareceu interessante)

5. RESTAURAÇÃO

A ilha do Pico tem locais fabulosos tanto pelas iguarias bem como pela localização.

MadalenaRest. Atmosfera Rua dos Biscoitos 34 – integrado no Alma do Pico Residence (alojamento) – Madalena com vista sobre o canal e o Faial
MadalenaRest. Ancoradouro Rua João de Lima Whitton | Areia Larga, Madalenavista fabulosa para o Faial
MadalenaRest. Caffe 5 Rua Carlos Dabney, Madalenana vila – pequeno e acolhedor
MadalenaCella Bar Lugar Da Barca, Madalena – arquitetura singular
São Roque Casa Âncora
Lajes do Pico Rest. Lagoa e Espaço Talassa
(ideais para antes ou depois de whale watching)
Lajes do PicoFonte Cuisine da Aldeia da Fonte –  Caminho de Baixo Silveira
Prainha Canto do Paço
FeteiraRestaurante Faia (vista interessante)
Ponta da Ilha Rest. Ponta da Ilha (local interessante c/ vinhas e Farol da Manhenha perto)

A ilha do Pico é simplesmente viciante! Quanto mais se vai, mais se quer repetir a experiência! E acreditem consegue -se sempre descobrir algo mais!

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