Marrocos – Ida ao Deserto

 Erg Chebbi, também conhecido como Dunas de Merzouga, é uma zona de dunas no  Saara Marroquino. Situa-se a sudeste do centro de Marrocos, perto de Merzouga (a sudeste de Rissani  e Erfoud) e perto da fronteira com a Argélia.

O Erg Chebbi tem aproximadamente 5 km de largura máxima (no sentido este-oeste) e 22 km de comprimento (no sentido norte-sul). Apesar das dunas não apresentarem uma grande extensão, há determinados locais em que temos a sensação de nos encontrarmos num enorme deserto de areia pois só se avistam dunas para onde quer que se olhe.

Depois de já termos visitado Casablanca (onde aterrámos), Marraquexe, Ouarzazate e algumas Gargantas encantadoras (Dadès e Todra) continuámos a nossa viagem no sentido sul, tendo feito nesse dia, apenas uma paragem breve em Erfoud e Rissani, pois a nossa intenção e compromisso (com o plano de viagem estabelecido por nós) era com Merzouga e subsequentemente a ida ao deserto de Erg Chebbi.

Fomos parando aqui e acolá para gozar a tranquilidade da paisagem e dos seus “habitantes” – camelos. É contagiante a paz de espírito que eles nos transmitem.

À medida que nos íamos aproximando do ponto mais setentrional da nossa viagem, mais exótico e extasiante, o carro reclamava dizendo que foi feito para andar, não para este pára arranca! Lá lhe pedimos as nossas sinceras desculpas e explicámos-lhe que não era todos os dias que os comuns dos mortais tinha este tipo de paisagem perante si: o deserto. Não há palavras para explicar tamanha sensação!

A partir do momento em que começámos a vislumbrar Merzouga bem ao longe, parecíamos miúdos a quem prometeram algo e que estão ansiosos por recebê-lo: era o mesmo que se passava connosco! Estávamos prestes a atingir esse momento tão esperado: um pequeno oásis no sopé das dunas e a ida ao deserto.

 Conseguimos chegar  ao  Hotel Kasbah Mohayut  por volta das 5 da tarde. Já tínhamos contactado o hotel por e-mail manifestando o nosso desejo de fazer um passeio de camelo pelo deserto para contemplar o pôr do sol. No ato do check in tivemos a confirmação disso, tendo ficado combinado partir por volta das 18 horas. Assim sendo ainda foi possível gozar aquele espaço com tranquilidade durante uma hora. Aquando do planeamento de uma viagem a pessoa vai criando espetativas relativamente aos locais que se propõe conhecer e vai ficando empolgada e pensa: será que vai ser de acordo com o planeado? Superou completamente e nada como viver os momentos ao vivo e a cores! O hotel é logo um local que nos deixa sem palavras!

Todos os seus espaços são fenomenais, mas o mais divinal é o terraço! Chegados aí já quase nos sentimos em pleno deserto e vemos desde logo os nossos “adorados camelos”.

Se calhar é difícil conseguirmos transmitir tudo o que sentimos, mas não hesitem em um dia passar por este tipo de experiência! Acreditem, momentos destes fazem de nós pessoas ainda mais felizes.

Bom… mas o dia ainda não chegou ao fim! Eis-nos preparados para mais uma aventura: trepar para cima de um camelo e ir ver o pôr do sol no deserto!

Há pessoas que dizem que os camelos cheiram mal e têm carraças e que é difícil sustentarmo-nos lá em cima. Pois não é essa a experiência que tenho para vos contar! Comecei por cumprimentar com festas ternurentas o camelo com que iria estar 2 horas da minha vida!

Se nós nos conseguirmos descontrair no ato de ascendermos e nos conseguirmos equilibrar lá no alto, é meio caminho andado para apreciarmos tal viagem única nas nossas vidas! Parece que estamos a observar o mundo de um plano superior mas em movimento.

Adorei esses momentos! O nosso guia ia à frente a agarrar a rédea do camelo, só para o ajudar a conduzir no trilho.

Eu e ele falámos o tempo inteiro em Francês. Foi muito interessante – era uma pessoa extremamente culta, bem disposta e afável. 

As dunas de Erg Chebbi, que se erguem do deserto pedregoso e arenoso são verdadeiramente deslumbrantes. Nós apreciámo-las antes e ao pôr do sol.

A meia luz confere à areia uma gama ainda mais fascinante de cores! Ainda bem que agora não necessitamos de recorrer a películas, senão a reportagem ficaria caríssima pois é incalculável o número de fotos que se tiram. Ao longo do trajeto pelo deserto íamos encontrando outros grupos que estavam a experienciar o mesmo que nós. A chegada ao ponto mais alto passa por vários momentos diferentes mas fascinantes: a descida do camelo, o contacto dos nossos pés com a areia (é diferente de qualquer praia que se possa imaginar), o momento de observar o pôr do sol num local único. Lá de cima tem-se uma perspetiva abrangente das dunas e de Merzouga bem ao longe.

É uma sensação difícil de transpor para o papel. O regresso, apesar do sol já se ter posto, representou à mesma momentos que ficam nas nossas memórias.

Há também a possibilidade de ficar instalados numa tenda em pleno deserto para poder ver o nascer do sol (é claro que não se consegue ter o mesmo conforto de um hotel – são experiências diferentes).

Mas a noite ainda tinha mais para nos oferecer: um jantar descontraído no pátio encantador do hotel.

Valeu a pena ter feito o trajeto de umas centenas de quilómetros para contactar com o deserto e os camelos!

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