
A ilha do Pico é uma das nove ilhas do Arquipélago dos Açores. Faz parte do grupo central (Terceira, Graciosa, Pico, Faial e São Jorge) mas para além disso costuma-se afirmar que é uma das ilhas do Triângulo (Pico, São Jorge e Faial), sendo a segunda maior em área e a ilha de formação mais recente. Geograficamente tem uma localização mais privilegiada, oferecendo vistas deslumbrantes para as outras 2 ilhas – Faial e São Jorge. Para além disso há um majestoso vulcão que tornou esta ilha célebre e apaixonante: a Montanha do Pico que é a mais alta montanha de Portugal (2351metros).


O Vulcão do Pico é considerado muito recente (aproximadamente com 200 000 anos), tendo entrado em atividade pela última vez em 1720. A montanha do Pico culmina na cratera do Pico Grande,


onde se ergue o Pico Pequeno ou como é vulgarmente designado “Piquinho” (tem cerca 70 metros de altura). A cratera de forma mais ou menos arredondada, tem cerca de 700 metros de perímetro e uma profundidade de cerca de 30 metros (medidos a partir dos bordos). A Montanha do Pico foi classificada como reserva em 1972 e em 1982 foi-lhe atribuído o estatuto de Reserva Natural da Montanha do Pico.


Os primeiros 1500 metros da montanha encontram-se cobertos de espesso arvoredo, a partir daí a vegetação é rasteira, com uma beleza muito própria, apresentando uma paisagem multicolor. É um contraste interessante.



A subida ao cume da montanha é um desafio compensador para quem se sentir em boa forma física e tiver espírito aventureiro, pois ao longo do percurso usufrui de magníficas paisagens essencialmente para as ilhas do Pico e do Faial.


Se conseguir atingir a cratera (imediatamente abaixo do Piquinho – o que significa 2280 metros) e se o dia estiver límpido poderá vislumbrar também as ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa.
Quando planeámos fazer a subida à montanha do Pico, pesquisámos alguns sites e depois fizemos uma lista de tudo o que considerámos necessário para levar essa experiência por diante.
| Calçado | botas de montanha, ténis ou sapatos confortáveis – que já tenham sido usados e com aderência forte a um caminho pedregoso, escorregadio e irregular; |
| Roupa | de preferência leve e prática- uma básica de manga curta, uma outra de manga comprida e uma parka para a chuva ou para vedar a entrada do frio; (no cimo da montanha podem estar menos 10 °C do que no início da caminhada) |
| Alimentos | com elevado valor energético mas de pouco peso: sandes, barritas, fruta e bastante água; |
| protetor solar e chapéu; | |
| carregador portátil powerbank; | |
| cajado ou bordão: precioso auxílio, tanto na subida como na descida. |
Quando nós fizemos a subida à montanha do Pico, ainda não era obrigatório a presença de um guia. Quando chegámos à Casa da Montanha (ou de Abrigo) vimos um filme elucidativo mencionando :
Regras de Cumprimento da Subida:
| percurso | – seguir apenas pelas veredas e trilhos existentes |
| preservação da natureza | – não colher plantas, flores, frutos ou amostras minerais; – não fazer lume dentro dos limites da reserva natural; – não deitar lixo no chão ( guardar e transportar até encontrar um recipiente apropriado para o depositar, tendo no entanto em atenção que só existem recipientes de recolha de lixo no início do acesso à montanha); – não perturbar a tranquilidade do local. |
| dormida | – informar a Casa da Montanha; – levar equipamento adequado incluindo um saco cama; – não utilizar as grutas para dormir. |
Para mais informações consulte: https://montanhapico.azores.gov.pt
Iniciando o percurso na Casa da Montanha (a 1200m de altitude)


como nós fizemos (por volta das 9h), tínhamos pela frente uma experiência desafiante mas ao mesmo tempo fantástica durante cerca de 5 quilómetros (tendo o percurso um desnível de pouco mais de 1100 m) através de veredas e trilhos. Tal como noutros trilhos quaisquer, estes também se encontram identificados com marcos de madeira, marcados com riscas laranja e amarelo de forma a guiar os caminhantes.


É empolgante sentirmo-nos finalmente a fazer algo que idealizámos! É indescritível as fotografias que se fazem, pois há sempre uma desculpa: ou porque alguém está em apuros, ou porque está nevoeiro, ou porque a paisagem é divinal, ou, ou…


Ao longo da subida fomos encontrando marcos de madeira com numeração para termos a noção que estávamos a fazer o trilho corretamente, mas era muito fácil sair do trilho pois nem sempre de um marco nós víamos o outro e (em piso pedregoso) a definição do trilho entre os marcos nem sempre era clara! Estes marcos de madeira se tivessem perceção do quanto são apreciados sentir-se-iam com o ego no topo, pois ao longo do percurso o que o caminhante mais procura são os ditos cujos marcos, sendo que quando há nebulosidade é difícil vê-los. (Se caíssemos ou precisássemos de ajuda e fizéssemos deslocar bombeiros ou alguém para nos socorrer e não estivéssemos no trilho não seríamos abrangidos pelo seguro).
A subida tem alguns troços mais complicados e difíceis acontecendo essencialmente quando o terreno se tornava mais acidentado e com muitas pedras soltas. Quando achávamos que devíamos recuperar forças, fazíamos uma pausa para descansar um pouco. Aproveitávamos para nos hidratarmos bebendo algo e comendo se necessário e observávamos a paisagem luxuriante, a qual ia variando ao longo do percurso. Cada marco representava mais uma etapa vencida, simbolizando o marco 45 quase o atingir do cume (12h.30m) (pois o 47 está localizado dentro da cratera e indica o trilho de acesso ao Piquinho) e representar pausa para almoçar, para descansar um pouco e recuperar energias para conseguirmos levar a descida por diante. Na subida podemos abortar mas aqui não dava muito jeito!


A descida foi mais penosa e difícil do que a subida pois implica muita concentração para não começarmos a resvalar montanha abaixo.




Como tem que se ir sempre controlando todos os movimentos minuciosamente por vezes para evitarmos quedas tínhamos que nos socorrer, colocando as mãos, e/ou do traseiro no chão.




A subida à montanha permitiu apreciar de uma forma calma e serena o silêncio que se vive num local bucólico como a montanha, por vezes interrompido apenas pelo ruído de algum vento e observar o horizonte presenteado pelo Oceano Atlântico que muda de tom consoante as condições climáticas.


(E se vos disser que as minhas pernas deixaram de obedecer ao cérebro e recusavam-se a percorrer fosse um ou muitos metros!)
Este dia ficará para todo o sempre nas nossas memórias pois apesar do corpo estar a pedir repouso (18h.30m) ainda tivemos capacidade para nas imediações nos deliciarmos com vacas que pastavam por ali e outras que se deslocavam ao longo da estrada. Os intrusos éramos nós! O sopé da montanha é rico em vegetação utilizada para a alimentação do gado ou onde o gado é deixado para se alimentar e depois é recolhido ao entardecer.



A montanha do Pico é sedutora e viciante: nós há alguns anos que descobrimos as ilhas açorianas e a partir daí temo-las visitado regularmente e sempre que nos encontramos numa das ilhas do triângulo temos a montanha do Pico sempre como paisagem e dali não conseguimos arredar o olhar pois ela dá-nos várias facetas num mesmo dia ou até mesmo de um minuto para o outro.
É um privilégio poder gozar a montanha do Pico, calcorreando-a ou contemplando-a. É simplesmente deslumbrante! Não há palavras para descrever tais sensações! Nada como passar pela experiência! Está lançado o desafio!






