
CULTURA DA VINHA
A história da Cultura da Vinha na Ilha do Pico remonta ao final do séc. XV ( por volta de 1460), quando se deu início ao povoamento da ilha.
Perante um solo inóspito e pouco arável – de origem vulcânica, não apresentando condições para cultivar cereais, o homem teve que recorrer à sua inteligência e capacidade de adaptação tendo concluído que graças ao microclima seco e quente e às características das rochas vulcânicas (mantos de lava basáltica) o solo se mostrava propício, no entanto, à cultura da vinha.
Lá lançou, o homem engenhoso e que não se deixa vencer pela natureza, mãos à obra: toca a “colocar pedra sobre pedra” (o processo era complexo pois ia desde partir lava e rocha, a furar o solo, a fazer caminhos) de modo a construir abrigos para defender as videiras – currais – para plantar bacelos de vinhas ( atribui-se a iniciativa a Frei Pedro Gigante – pensa-se que os primeiros fossem provavelmente do Chipre, da Madeira ou da Sicília). Devido à natureza rochosa do solo foi necessário transportar terra da ilha do Faial para poderem plantar os bacelos.
Todo esse esforço sobre-humano (edificação em pedra solta, arrancada a pulso dos mantos de lajido e do chão pedregoso) permitiu transformar vastas extensões de pedra em férteis campos de vinha. Existem 2 tipos de solo: chão de lajido- com muita pedra: rocha-mãe, perto do mar ou a confinar com ele; chão grosso ou biscoito- desagregado, pouco profundo e com muita pedra- revestido por bagacina (material vulcânico). Como estes solos são muito porosos e pobres em matéria orgânica é utilizado o basalto vulcânico em pó (adubo fértil para a vinha) rico em potássio, ferro e magnésio.
Os currais são espaços quadrangulares ou retangulares murados (com lava negra) colados uns aos outros. com áreas compreendidas entre os 9 e 12 metros quadrados, recebendo entre 2 a 6 pés de vinha.



Na parte exterior dos currais foram construídos longos muros de pedra, espaçados entre si, para proteger da água salgada proveniente do mar e do vento marítimo, permitindo, no entanto, deixar entrar o sol tão necessário à maturação das uvas.



A pedra vulcânica retém o calor do sol durante o dia que depois à noite o liberta, fazendo dos currais uma espécie de estufa.




A paisagem da Cultura da Vinha da ilha do Pico, ocupa uma área total de 987 hectares, o que significa (de acordo com informação obtida no Museu do Vinho) que se alinhássemos as paredes das vinhas do Pico obteríamos um cordão que daria cerca de 2 voltas ao mundo pela linha do Equador.
A área da paisagem protegida da Cultura da Vinha é composta por uma faixa de território que abrange parcialmente as costas Norte e Sul e a costa Oeste da ilha,





sendo de salientar – o Lajido da Criação Velha




e o Lajido de Santa Luzia




por serem os dois locais mais emblemáticos (ricos em beleza natural e bonitas paisagens).
Esta extraordinária paisagem de “currais” de vinha não deixou de ser notada pela UNESCO que a classificou em 2004 como Património Mundial.

Dada a distribuição geográfica ao longo do litoral da ilha, os campos de vinha foram divididos da seguinte forma:
| Ponta da Ilha | 2,97 km² |
| Ponta do Mistério | 0,77 km² |
| Zona Norte (Santa Luzia) | 17,47 km² |
| Zona Oeste (Criação Velha) | 10,09 km² |
| São Mateus e São Caetano | 1,5 km² |
Depois de nos termos deliciado a caminhar e gozar, na zona da Criação Velha, (durante cerca de 2 horas) aquele rendilhado de muros de pedras negras salpicadas de verde à beira mar tendo como paisagem de fundo a montanha do Pico para um lado e a ilha do Faial para o outro, queríamos conhecer a história do vinho e provar o produto (seco ou doce) extraído com tanto amor e empenho, desde tempos idos.
Não perca a visita a estes campos de lava de uma riqueza e beleza natural e paisagística!
MUSEU DO VINHO
O Museu do Vinho, criado em 1999, localiza-se perto da Madalena num antigo convento carmelita. Possui uma coleção de alfaias, alambiques,

pipas, um lagar,





uma encantadora e frondosa mata de dragoeiros seculares,






uma zona de vinha e um mirante num local privilegiado o que o torna indescritível e mágico pois tem como paisagem a vinha, o Canal do Pico-Faial, o mar e a montanha.




A abertura de um museu dedicado à temática da vinha, a qual representa a principal atividade económica exercida pela comunidade que ocupou este território, desde o seu povoamento, ajuda a perceber toda a dinâmica, desde o plantar dos bacelos até ao produto final: o vinho.
Este local tem ganhado expressão, representando um pólo importante de desenvolvimento turístico-cultural da ilha do Pico.
Mas se quer fazer uma prova de vinho não deixe de visitar uma adega!
ADEGA “A BURACA”
A Adega “A Buraca” situada em Santo António (na costa norte no concelho de São Roque do Pico) é um pequeno museu, em pedra basáltica, sobre a história da vinificação do Pico, onde se podem observar objetos preservados, relacionados com a atividade vinícola. Para além disso podem-se provar e adquirir licores e vinho. É uma experiência interessante. Aconselha-se a que se faça reserva.




E pronto! Já chega de “tanto” vinho! Experiências fabulosas!
É deslumbrante a paisagem oferecida pelos Currais de Vinha. Não perca!
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