… assim se designa devido aos imensos maciços de hortênsias azuis, numa infinidade de variantes de azul, que cobrem esta ilha: emolduram as casas, separam os campos e bordam as estradas.



A Ilha do Faial fica a 8,3 km da ilha do Pico e a 26 km de São Jorge. Tem cerca de 173 km quadrados, significando isso 21 km de comprimento por 14 km de largura.
| 1 | COMO CHEGAR À ILHA DO FAIAL |
| 2 | O QUE O FAIAL TEM PARA OFERECER |
| 3 | ROTEIRO |
| 4 | ALOJAMENTO |
| 5 | RESTAURAÇÃO |
1. COMO CHEGAR À ILHA DO FAIAL
Pode-se alcançar esta ilha de avião, de iate ou barco/ferry proveniente de outras ilhas (a mais provável – o Pico).
O acesso mais prático à ilha do Faial é o voo direto da manhã, a partir de Lisboa, no entanto a última vez que visitámos a ilha (2 noites no Faial e 3 noites no Pico) optámos pelo voo direto Lisboa-Pico, ida e volta (no aeroporto da ilha do Pico apanhámos um táxi para o cais da Madalena e depois um barco (aproximadamente 30 minutos) para a Horta. Em ambos os casos chegamos à ilha do Faial ao final da manhã, pelo que a sugestão do roteiro pela ilha tem início na 1ª tarde.
2. O QUE O FAIAL TEM PARA OFERECER
Optando pelo avião, a aproximação ao aeroporto duma ilha é sempre maravilhoso e depois no trajeto, já de carro alugado ou táxi até ao alojamento permite começar a contactar com as paisagens da ilha.
Se chegar de barco ou iate pode começar a disfrutar da Horta e arredores, vistos do mar, o que é muito interessante pois a cidade desenvolve-se em socalcos, ladeada da Ponta da Espalamaca e do Monte da Guia.


É uma ilha que apresenta grande variedade paisagística – vários morros (Monte Queimado, Monte da Guia,


Monte Carneiro, Castelo Branco…), costa recortada, ilhéus, encantos vulcanológicos


e inúmeros campos de pastagem separados por hortênsias. Usufrui de uma vista soberba para a ilha do Pico, destacando-se a sua imponente montanha.


O Faial é também mundialmente conhecido pelo porto no meio do Atlântico. O porto construído em 1876 é um ponto de escala obrigatória para iates de recreio e das mais importantes regatas transatlânticas.
Ao longo da Marina







as pinturas nas paredes e no chão são o testemunho da passagem dos iatistas ao longo dos anos – as pinturas náuticas são uma autêntica galeria de arte ao ar livre com uma temática comum ” a minha presença, no ano tal, na marina faialense”






A cidade da Horta (capital da ilha do Faial), embora pequena é de uma grande riqueza monumental com edifícios de séculos idos ( Forte de Santa Cruz (1567) que defendia o porto, o Forte de São Sebastião (séc. XVII) protegia o pequeno porto de Pim de piratas e corsários) que constituem um conjunto interessante. Proporciona pela sua localização geográfica paisagens únicas da ilha do Pico e, por vezes de São Jorge. Está ladeada pela Ponta da Espalamaca e pelo Monte da Guia, cujos miradouros, conjuntamente com o Monte Carneiro, oferecem magníficas e abrangentes panorâmicas do casario e da marina bem como do mar luminoso e da encantadora montanha do Pico.

A cidade da Horta tem 2 baías distintas e diferentes: a pequena e arredondada baía do Pim com uma praia, de areia vulcânica preta ao longo dela, e a mais aberta (para o Atlântico) onde se encontra o famoso porto e marina. Isto deve-se ao remanescente dum vulcão (Monte da Guia) que as divide. O Porto Pim funcionou como centro baleeiro do séc. XVIII até quase fim do séc. XX, havendo ainda hoje nessa zona uma antiga fábrica da baleia (no sopé do Monte da Guia).

Ponta da Espalamaca – miradouro sobranceiro à cidade da Horta do qual pode contemplar além da cidade e da marina, as ilhas do Pico e São Jorge, a praia do Almoxarife e a costa até à Ribeirinha (localidade).

Monte da Guia – no Miradouro ( junto à Ermida dedicada à Nossa Senhora da Guia), um dos mais fabulosos da ilha, pode-se admirar a cidade da Horta, a praia do Porto Pim, a ilha do Pico, a Caldeira do Inferno e a costa até à ponta do Morro de Castelo Branco.
Monte Carneiro – localizado a 287 metros acima do nível do mar tem um miradouro que oferece uma vista magnífica sobre pequenos povoados do interior da ilha do Faial , que se perdem por entre o verde da paisagem. (Santo Amaro, Calço das Figueiras, Courelas, Santa Bárbara, Dutras e Farrobo).

Café Sport – assim se chama pelo facto do dono (Henrique Azevedo) ter paixão pelo desporto, algo que estava a dar os primeiros passos nessa altura (1918). A designação de Peter’s Café Sport surge apenas na época da II Guerra Mundial quando o filho do dono do café (José Azevedo) trabalha com ingleses, e um oficial notou as parecenças com o seu filho Peter e passou a chamar-lhe Peter, argumentando que era uma forma de se sentir mais perto do filho. Com o tempo, o nome pegou. José Azevedo, de alcunha Peter, que desde miúdo ajudara o pai, dedica-se a tempo inteiro ao negócio da família, acabando por assumir a liderança do Café Sport a partir da década de 60.
Há cerca de 40 anos o célebre Peter’s (Café Sport) era um café-bar conhecido apenas por excelentes navegadores. Hoje em dia, na rua José Azevedo, há também uma loja e outros serviços, incluindo um museu dedicado a Scrimshaw.

Tanto o bar como a esplanada são locais aprazíveis onde pode provar o famoso Gin do Peter’s e fazer uma refeição. O gin tónico deste centenário café, era já afamado antes do gin como bebida. O bar é um local emblemático pela imensidão de fotografias e notas escritas deixadas por marinheiros e a esplanada oferece uma panorâmica da marina e para a montanha do Pico. Através do “passa a palavra” este pequeno café, familiar, é conhecido em todo o mundo. É um local de paragem obrigatória na Horta.
Whale Watching – na marina há informação acerca da observação de cetáceos.

Morro do Castelo Branco – resultado de uma erupção vulcânica costeira (há cerca de 30 mil anos) é formado por vários estratos geológicos. Tem essa designação pelo facto do seu aspeto vertical fazer lembrar um castelo e pelas suas paredes brancas.

Capelinhos – No extremo oeste da ilha do Faial localiza-se a Ponta dos Capelinhos. Essa designação atribuiu-se à existência de dois ilhéus chamados “Ilhéus dos Capelinhos”, em frente ao Farol. Em setembro de 1957 estando o mar aparentemente calmo entrou em fúria a sério, resultante de uma erupção devastadora. A erupção teve início no mar, junto aos Ilhéus dos Capelinhos, originando violentas explosões, tendo os materiais expulsos formado uma pequena ilha ligada à Ilha do Faial e envolvido os referidos ilhéus. O Vulcão dos Capelinhos, neste momento, constitui uma das maiores atrações turísticas dos Açores pela sua beleza paisagística.
Costa norte – oferece uma paisagem fantástica. Os nomes dos povoados que se seguem fazem parte desta costa: Pedro Miguel, Ribeirinha (pastos abrigados por uma lomba, coberta de vegetação – beleza singular) Salão (panorama lindo- cerrados orlados com hortênsias), Cedros, Ribeira Funda (campos de cultura e árvores de fruto), Praia do Norte – miradouro da Costa Brava

(com 320 m de altitude – vistas sobre a Fajã – falésia cortada a pique sobre o mar), Fajã da Praia e Norte Pequeno (oferecem um contraste entre terrenos de lava negra e vegetação viçosa). Pode-se apreciar esta costa partindo da Horta, seguindo a estrada que contorna a ilha em direção à Praia do Almoxarife, fazendo toda a costa e chegando à zona dos Capelinhos (ou em sentido contrário).
Caldeira – enorme cratera com cerca de 2km de diâmetro e 400 metros de profundidade, rodeada por hortênsias azuis e uma vegetação exuberante.

Cabeço Gordo – (perto da Caldeira) É o ponto mais alto da ilha com 1.043 metros de altitude, oferecendo vistas magníficas para as ilhas do Pico e São Jorge.
ZONAS BALNEARES:
Praia do Almoxarife – nas imediações da cidade da Horta, é uma praia de areia fina de tons acastanhados e mar bravo, perto da qual se situa um Parque de campismo que funciona entre junho e setembro. A vista é fabulosa dado que em frente se situa a ilha do Pico com a sua imponente montanha. É dotada de esplanadas e restaurantes.

Varadouro – baía fascinante oferecendo uma piscina envolta por um conjunto de formações basálticas. Aproveitando o facto de haver nascentes de água quente (com temperaturas de cerca de 35,5º C) tem uma estância termal.

A ilha apresenta uma estrada principal que contorna toda a ilha. A Caldeira e o Cabeço Gordo situam-se na zona central da ilha.
3. ROTEIRO: 2- 3 DIAS
1º DIA – TARDE
Tendo viajado de manhã, após a chegada ao alojamento seguiu-se o almoço, que pode ser feito na cidade da Horta ou (se estiver com carro) num dos restaurantes da Praia do Almoxarife, a poucos quilómetros da Horta – devemos dizer que preferimos a 2ª hipótese, para começar a usufruir de uma paisagem fabulosa e descontraída, associada a iguarias açorianas excecionais, escolha o que escolher (desde uma variedade incrível de peixe, a lapas...).
Depois do almoço seguir para o Monte Carneiro para apreciar a vista panorâmica sobre a ilha do Faial e a montanha do Pico e depois para a Caldeira (se o tempo atmosférico permitir- se não houver nuvens baixas). São locais diferentes mas deslumbrantes. É magnífico caminhar em redor da Caldeira e apreciá-la de vários ângulos com mais ou menos nuvens mas sempre rodeada de hortênsias. Estando aí, suba mais um pouco e chega ao Cabeço Gordo donde se conseguem vistas abrangentes e magníficas da ilha.


O final da tarde pode ser usado para visitar a marginal da Horta. Num dos extremos situa-se o Porto moderno, onde atracam os barcos e ferries vindos de outras ilhas e no outro extremo há um cais, a seguir ao qual se encontra o Monte Queimado (que esconde o Porto Pim com uma praia abrigada e o Forte de S. Sebastião e pequenas casas pitorescas).


Ao longo da marginal vai encontrar o Forte de Santa Cruz que agora funciona como Pousada e a seguir desça para junto da água e goze um dos ícones da Horta – a afamada marina (repleta de iates) cujas paredes e chão retratam a estadia e passagem de milhões de marinheiros/iatistas ao longo de muitos anos, através de pinturas.



Para além do mais tem sempre como painel de fundo a montanha do Pico que de acordo com a presença ou não de nuvens assim se vê mais ou menos! No fim da marina prove o famoso Gin no Peter’s – no bar ou esplanada.


Devido ao seu porto (no meio do Atlântico) e afamada marina acolher milhões de viajantes de todo o mundo, a Horta reveste-se de uma atmosfera cosmopolita. Os iatistas, descontraídos e prontos para contar as suas experiências e histórias preenchem algum vazio que pudesse haver em terras faialenses, pois eles frequentam bares e restaurantes, sendo o Peter’s Café Sport uma referência e visita obrigatória. Tanto o bar como a esplanada são locais aprazíveis onde pode provar o famoso Gin do Peter’s e fazer uma refeição.
Termine o dia usufruindo de um bom jantar num dos vários restaurantes da Horta.
2º DIA
Sair da Horta de manhã em direção aos Capelinhos, passando pelo Castelo Branco e pelo Varadouro. Goze estes locais o melhor que puder. Ao longo da vereda que nos conduz ao Morro do Castelo Branco, vamos encontrando uma grande variedade de plantas, vendo e ouvindo o som de algumas aves marinhas bem como observando a beleza natural da rocha, o que torna esses momentos únicos. O Varadouro é outro local idílico. Se tiver tempo pode banhar-se nessa piscina natural ou apenas apreciar o contraste entre a pedra negra e águas de um azul cativante.

Bom, mas aí íamos nós a caminho de algo icónico na ilha do Faial- Os Capelinhos


para lhe dedicar umas boas 2 a 3 horas. A partir do momento em que se estaciona o carro sentimo-nos numa paisagem lunar.


Aí não perca a visita ao Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, a subida à torre do Farol e percorrer os trilhos sobre as cinzas vulcânicas da erupção de 1957/1958. Desfrute dessa paisagem dando azo a disparos contínuos. Não há explicação para tamanha beleza! Pena ser fruto do sacrifício de muitos como resultado da ira da Natureza.





Bom, e agora necessitávamos recuperar energias. Retrocedemos até ao Varadouro, ou um pouco antes, para almoçar no restaurante Bela Vista (à beira da estrada do lado esquerdo). Após o almoço retomámos a estrada que contorna a ilha, novamente no sentido dos Capelinhos, mas não chegamos lá. Continuando pela estrada principal, que oferece uma paisagem fantástica e diversificada ao longo da costa norte, vamos vizualizando pastos e cerrados orlados por hortênsias. Desça de carro até à Fajã da Praia para ir apreciando o trajeto e a fajã em si mesmo. Faça o trajeto inverso e pare no miradouro da Costa Brava, com 320 m de altitude e delicie-se com a paisagem – vistas para a Fajã, a falésia cortada a pique sobre o mar e um contraste entre terrenos de lava negra e vegetação viçosa. E ainda falta algo imperdível – vista magnífica sobre a ilha do Pico, sendo de realçar a montanha, perto da Ribeirinha.

Aproveite o fim de tarde para dar uma volta pela Horta e pela marginal. Entre numa ou em mais lojas e sinta-se tentado a comprar produtos açorianos – desde queijo de São Jorge, a vinho do Pico….
Dependendo da paisagem que lhe apetecer bem como o tipo de jantar, assim escolherá o restaurante adequado.
3º DIA
Se lhe apetecer descontrair e gozar as águas apetecíveis perto da Horta, dirija-se à Praia do Almoxarife. Depois disso goze a marginal da Horta outra vez e continue a caminhada no sentido do Forte de São Sebastião. Passe pelo Portão e assim terá acesso à zona da Praia e Porto Pim.



Aí terá o Monte Queimado de um lado e o Monte da Guia do outro, apresentando-se o Porto Pim ao meio. Goze bem esses momentos descontraídos. Se caminhar até ao fim da praia e subir por uns degraus começa a ter panorâmicas de um plano superior dos locais por onde acabou de passar. Continuando a caminhar chega ao topo do Monte da Guia. Vá até ao Miradouro, um dos mais fabulosos da ilha, do qual se conseguem perspetivas deslumbrantes.
No regresso faça o trajeto inverso e aprecie a tela colorida de casas pitorescas para além dos muros do forte. Mas não se fique por aí! De costas viradas para essas casas olhe de novo para os Monte Queimado e da Guia e depare-se com algo maravilhoso: a montanha do Pico entre os dois!


Se nessa altura o estômago reclamar alimento, faça-lhe o gosto. Não sei se reparou mas no trajeto inicial (depois de ter passado pelo portão) uns metros adiante do lado esquerdo situa-se o restaurante Genuíno (essencialmente peixe e marisco).
Este espaço tem uma história por detrás. Genuíno Madruga, o seu dono, deu a volta ao Mundo sozinho (2 vezes) a bordo do pequeno veleiro Hemingway e a propósito disso recebeu o Grau de Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique.
4. ALOJAMENTO
Se ficar alojado em plena cidade da Horta o Hotel Horta é fantástico – situa-se num plano elevado tendo como paisagem constante a montanha do Pico e também enquanto unidade hoteleira. Da última vez ficámos alojados no Lofts Azul Pastel, à saída da Horta para o lado oeste (localização fantástica, staff simpático).
5. RESTAURAÇÃO
| Horta | Restaurante Genuíno (vista sobre a baía do Porto Pim) |
| Horta | Taberna de Pim |
| Horta | Canto da Doca (vista para a doca e marina) |
| Horta | Peter’s Café Sport (esplanada – vista para o Pico) |
| Horta | Kabem Todos (vista para o Pico) |
| Praia do Almoxarife | Praya (vista para a praia do Almoxarife e montanha do Pico) |
| Praia do Almoxarife | O Cagarro (vista para a praia do Almoxarife e montanha do Pico) |
| Varadouro | Bela Vista (vista para a zona do Varadouro) |
Não sei quantas vezes já fomos ao Faial, não será por isso, no entanto, que não voltaremos a contactar com esta ilha descontraída!