Riga, a capital da Letónia, é a maior dos 3 países bálticos (Letónia, Estónia e Lituânia) tendo sido desde muito cedo um centro mercantil refletindo-se isso na sua arquitetura. Apresenta desde edifícios medievais, a renascentistas, a arquitetura de Arte Nova, sendo a cidade com a maior concentração de arquitetura “Art Nouveau” em qualquer lugar do mundo.
A Letónia faz fronteira com a Estónia a norte, com a Lituânia a sul, com a Rússia a leste, e com a Bielorrússia a sudeste. Banhada pelo mar Báltico a oeste, o país faz também fronteira marítima com a Suécia. Devido à sua localização estratégica foi desde sempre cobiçada por muitos povos, tendo vindo apenas a conquistar a sua independência em 1991.
Como herança do domínio soviético, os russos constituem mais de 25% da população.
A Letónia começou a fazer parte da União Europeia em 2004, e adoptou o euro em 2014. A sua língua é o Letão, embora o Russo também seja utilizado, por um largo número de habitantes.
Riga, a sua capital, é uma cidade magnífica e com muito para oferecer!
COMO CHEGAR A RIGA
Não há voos diretos de Lisboa para Riga. A 1ª vez como queríamos começar a nossa viagem por terras letãs, fizemos Lisboa-Bruxelas e depois Bruxelas-Riga (o que implica cerca de 7h30m). Da 2ª vez como começámos por visitar (Gdansk – uma pérola no norte da Polónia), daí apanhámos voo direto para Riga.
ROTEIRO – 2 DIAS
1º DIA- TARDE
Como fizemos check in no Tallink Hotel Riga a meio da tarde , e porque já tínhamos estado em Riga apetecia-nos rever alguns locais que tinham ficado na memória.
As zonas mais interessantes de Riga não se encontram muito longe umas das outras.
Começámos pela Ópera (a 10 minutos do hotel)
que está integrada num dos parques verdejantes da cidade, Parque Bastejkalns. Aí encontra-se um monumento a 5 letões que foram mortos num tiroteio com as tropas russas em 20 de janeiro de 1991, quando lutavam pela independência do país.
Passámos também pelo Monumento à Liberdade, (erigido em 1935 )


com 42 metros de altura o qual é um poderoso símbolo da independência letã. A base em granito é decorada com estátuas que representam as 4 virtudes: trabalho, vida espiritual, família e proteção. Chegados aí decidimos avançar até ao Parque Esplanade com o intuito de apreciarmos mais de perto a Catedral Ortodoxa – neobizantina russa, é uma interessante estrutura encimada por cinco cúpulas. O seu exterior e interior são de uma beleza impressionante. (atenção: dentro das igrejas ortodoxas russas não é permitido fotografar !) A foto da direita é só da entrada.
Daí fomos para a Avenida Brivibas (zona pedonal) que tem alguns edifícios interessantes e depois para a rua Kalku (Kalku iela – 400m) para apreciarmos alguns edifícios de Arte Nova, sendo de salientar o que se situa no nº 23 dessa rua, com um portal em forma de árvore.
A seguir fomos para o centro histórico de Riga. Começámos pela Praça da Câmara Municipal (onde se encontra a Estátua de Rolando – figura medieval) que é ponto de encontro de locais e turistas pois é das zonas mais emblemáticas e conhecidas da cidade de Riga pela Casa dos Cabeças Negras juntamente com a Casa Suábia.
Estes dois edifícios, de estilo renascentista holandês, formam um dos mais impressionantes conjuntos arquitetónicos de Riga, sendo que as atuais estruturas datam de 1999, pois tinham sido devastadas durante a 2ª Guerra Mundial pelos alemães e sete anos mais tarde pelos russos.
A Casa dos Cabeças Negras possui também um relógio astronómico com emblemas hanseáticos e 4 figuras – Neptuno, Mercúrio, Unidade e Paz. Vale a pena a visita pois ficamos a conhecer um pouco mais da história de Riga e da Letónia.
Para bem começar a contactar com as iguarias letãs, fomos jantar a um restaurante da Praça da Catedral – Key to Riga, não sendo, no entanto, barato.
2º DIA
Prontos para mais um dia! Começámos a nossa manhã pelo último local onde tínhamos terminado o nosso passeio no dia anterior – a Praça da Câmara Municipal para desta vez visitar o interior da Casa dos Cabeças Negras.
A cave é a original, após remoção dos escombros para a reconstrução do edifício, no início da década de 1990.
Sendo a Catedral relativamente perto tentámos visitá-la mas só seria possível a partir das 16h, devido a um concerto. Acabámos por entrar na Igreja de S. Pedro que também ficava por ali. Este bonito edifício que remonta ao séc. XIII. Foi várias vezes destruído e reconstruído ao longo dos séculos.
Estávamos curiosos por encontrar a famosa Casa dos Gatos na rua Meistaru, edifício em estilo Arte Nova, popular na cidade de Riga, pelas suas estátuas de felinos! De facto, é algo único: um telhado encimado com 2 gatos!
Nas imediações encontram-se dois edifícios o Grande e o Pequeno Grémio. O primeiro, datando do séc. XIII, foi detentor do monopólio comercial de Riga durante séculos. Atualmente funciona como sala de concertos da Orquestra Filarmónica. O Pequeno Grémio, que promovia os interesses dos artesãos alemães de Riga, foi renovado em 2000.
Estes edifícios fazem parte de uma praça que tem vários restaurantes com esplanadas. É uma zona interessante da cidade. Nós comemos num deles: o Blue Cow.
Depois de um repasto tranquilo tínhamos pela frente algo mais: Art Nouveau. Ir a Riga e não explorar a Arte Nova é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa!


O distrito de Art Nouveau é assim conhecido por apresentar uma grande variedade de edifícios deste estilo ao longo de várias ruas (ielas) Elizabetas, Alberta, Strenieku e Vilandes, sendo que o resto da cidade também nos delicia aqui ou ali com edifícios do mesmo estilo.
“Arte nova é um estilo internacional de arquitetura e de artes decorativas. É inspirado principalmente por formas e estruturas naturais não somente de flores e plantas, mas também de linhas curvas.” https://pt.wikipedia.org/wiki/Art_nouveau
“A arquitetura Art Nouveau em Riga representa cerca de um terço de todos os edifícios no centro de Riga, tornando a capital da Letónia a cidade com a maior concentração de arquitetura Art Nouveau em qualquer lugar do mundo. Construídos durante um período de rápido crescimento económico, a maioria dos edifícios Art Nouveau de Riga datam de 1904 a 1914. O estilo é mais comumente representado em prédios de apartamentos de vários andares.
(….) Vários subestilos formaram-se neste período. (…) O estilo mais popular em Riga é conhecido como “art nouveau romântico”. Simplista e moderno em forma, esses prédios foram decorados com elementos de outros estilos históricos (…). De 1905 a 1911, o romantismo nacional da Letônia atingiu seu auge. Apesar de ser um subestilo do art nouveau, copiou formas de arquitetura tradicional e incorporou elementos decorativos tradicionais. Com o amadurecimento do art nouveau, a ênfase em linhas verticais tornou-se mais popular, gerando o “art nouveau vertical”. Esse estilo foi mais popular logo antes da Primeira Guerra Mundial. O centro de Riga é, atualmente, designado como um dos patrimónios mundiais da UNESCO devido, em parte, à sua arquitetura art nouveau.” https://pt.wikipedia.org/wiki/Arquitetura_Art_Nouveau_em_Riga
Na Alberta iela nº 12, está a funcionar o Museu Memorial de Janis Rozentäls e Rudolf Blaumanis. Através dele temos a oportunidade de visitar o interior de um dos edifícios de Arte Nova. A escadaria ornamentada que conduz ao quarto piso, merece por si só uma visita.
Mas não fica por aqui. É interessante conhecer também os vários espaços e a sua decoração, que é espantosa, com elementos característicos do estilo em causa.
Daqui dirigimo-nos para a famosa Rua Torna (Torna iela), que outrora (séc. XVII) era um aquartelamento dos soldados suecos, remanescendo ainda uma, das 8 portas da cidade, a Porta Sueca



bem como a Torre da Pólvora, vestígio das 18 torres que antigamente defendiam a cidade. Esta zona, é hoje, formada por restaurantes e lojas.
Aproveitando esse facto, acabámos por fazer 2 refeições por aí, sendo um dos restaurantes Taverna. Depois seguimos no sentido do rio tendo passado pelo Castelo e pela Igreja de S. Salvador.



3º DIA – MANHÃ
Regressados da Lituânia, eis-nos de volta a Riga onde pernoitámos no Rixwell Gertrude Hotel e quase de partida mas ainda com algumas horas para explorar algo mais!
Fomos de carro até à marginal do rio Daugava e demos uma volta a pé, por aí contemplando o que era dado observar de um lado e doutro do rio! Mas a nossa intenção era dirigirmo-nos para a Praça da Catedral



pois tínhamos deixado em suspense a visita ao interior da Catedral. Assim fizemos, a troco de 5€ por pessoa. Dedicámos cerca de uma hora na visita ao interior e claustros. A Catedral de Riga é o maior templo da região do Báltico.


Perto da Praça da Catedral, um dos muitos edifícios interessantes alberga o Museu da Prata. Decidimos visitá-lo pois achámos curioso. A curiosidade desta vez representou 10€ por entrada. Apresenta peças de um requinte impensável!
O términus da visita culmina numa ourivesaria, com peças interessantes a preços razoáveis. E pronto. Restava-nos decidir onde iríamos saciar a fome pela última vez em terras letãs.
Hora de partir mas com a certeza inabalável de querer continuar a desbravar o mundo!



































