
Fez é a mais antiga das cidades imperiais marroquinas. É a personificação da história do país, sendo a sua capital espiritual e religiosa. Foi considerada Património Mundial pela UNESCO. Considerada como a terceira maior cidade de Marrocos, consiste em três partes: El-Bali – o centro histórico; El-Jedid – a cidade imperial dos Merinídios ou cidade nova e os bairros modernos.
ROTEIRO – 2 DIAS
1º DIA – FIM DE TARDE
Chegámos a Fez ao fim da tarde vindos de Merzouga (viagem descontraída de 4 a 5 horas) tendo ido ao deserto de Erg Chebbi. Perto da cidade de Fez pusemos o Waze a trabalhar para nós, com o intuito de ele nos conduzir até às proximidades do Hotel – Riad Al Makan. Mas isto não era tudo! Necessitávamos estacionar e descobrir a entrada do hotel. Lá tivemos a preciosa “ajuda” de uns “amigos” a troco de uns dirhams.
Indicaram-nos onde podíamos estacionar e levaram-nos até à porta do hotel. Eis que por detrás de uma porta discreta somos confrontados com algo nunca visto: Um pátio interior a partir do qual se adivinham os vários espaços.



Isto foge a qualquer espaço hoteleiro europeu, por muito magnífico que seja!
Tendo chegado ao fim do dia a Fez, jantámos no hotel e demos uma volta nas imediações para começarmos a ficar com alguma ideia da cidade. Ao longo do trajeto conversámos com um casal novo que passeava um bebé, que quase pareciam europeus, e que nos aconselharam a não andar a pé à noite, pois podia tornar-se perigoso. No nosso passeio ainda avistámos Bab Boujeloud.


Este portão monumental é a entrada principal do centro histórico (El- Bali). Construído em 1913 em estilo mourisco consiste em 3 arcos simétricos em forma de ferradura, decorados com padrões geométricos, motivos florais e azulejos vidrados de várias cores com predomínio do azul.
2º DIA
Esperava-nos um dia sui generis nas nossas vidas, mas não nos arrependemos de termos escolhido conhecer a labiríntica medina de Fez, acompanhados pelo guia Mustafa. (dia inteiro – 400 Dh+100Dh pela amabilidade). Aconselhou que começássemos o nosso dia por ver Fez de um plano alto. Para tal dirigimo-nos para lá de carro, seguindo as instruções dele, que foi connosco. De lá têm-se panorâmicas fabulosas sobre a cidade e entende-se o quão compacta é!


De seguida, de carro descemos para atingir a zona do Palácio Real, que fica situado na zona El Jedid ou cidade nova. O guia ter-nos-á explicado que o Palácio Real tem 7 portas representando estas os 7 dias da semana.

É impressionante observar o contraste incrível entre o Palácio de um lado da rua, de uma sumptuosidade absoluta, e do outro lado o Bairro Judeu com ruas estreitas com um casario velho, paupérrimo. Marrocos é isto mesmo!
E a seguir fomos de carro até uma das entradas da medina para irmos ao souk de objetos de cerâmica tendo visitado uma fábrica de cerâmica.



Vimos os artífices a fazer todo o tipo de artigos – desde tajines (panela em cerâmica com tampa cónica) , a tampos de mesa, a pratos… Muito interessante!



Ainda de carro dirigimo-nos para o souk dos curtidores: É algo ímpar! Começa por se situar perto de um curso de água (porque é necessária no processo de curtir das peles) e não muito perto de bairros residenciais por causa do odor que as peles libertam.





Eles trabalham essencialmente as peles de ovelha, de cabra, de vaca e de camelo. Há todo um processo: desde a retirada de pêlos e carne (às peles), à imersão em cubas enormes numa solução da casca de romã ou mimosa para as transformar em couro, à secagem e enxaguagem para estarem prontas para serem tingidas e a seguir preparadas para serem trabalhadas nas mais diferentes utilizações.


O guia ter-nos-á dito que marcas consagradas internacionalmente compram as peles aos marroquinos para com elas confecionar malas, casacos….
A pé embrenhámo-nos então noutras zonas da medina: é labiríntica possuindo 9800 ruelas, mas foi espetacular. Sentimo-nos num El Corte Inglês marroquino com uma oferta a todos os níveis. Circulámos pelas mais diversas áreas: legumes, peixe, carne, especiarias, artigos mais desusados, roupas…. Visitámos também uma fábrica de tapeçarias que de alguma maneira nos faz lembrar Arraiolos, tendo no entanto os tapetes outro tipo de design e sendo confecionados de uma forma diferente.


Fomos também a uma fábrica de tecelagem a funcionar em pleno – muito interessante! – ficámos a saber que usam catos para deles extraírem seda vegetal (que existem em abundância em terras marroquinas – plantas que crescem sozinhas em regiões áridas, sem precisar de muita irrigação) sendo utilizada para fazer lenços, écharpes …



Visitámos a medersa (ou madraça)Attarine (cuja construção remonta ao séc. XIV – escola islâmica), a qual é considerada uma das maravilhas da arquitetura marroquina.



Não muito longe fica a mais antiga e mais ilustre mesquita do mundo islâmico do oeste- a mesquita Karaouiyine – (remonta ao ano de 859 da nossa era). Foi a primeira universidade fundada em Marrocos. Como não está aberta ao público e porque íamos com o guia lá conseguimos tirar algumas fotos. O pátio está pavimentado com 50.000 azulejos. De acordo com o que nos foi dado observar, conseguimos constatar que se trata, de facto, de um espaço muito interessante.



Como já tínhamos”trabalhado ” muito e o guia também, no meio daquele labirinto lá estava algo escondido dos olhares de cada um – o Restaurante Nejjarine – um local típico – um riad – não há palavras para descrever locais como este!






Depois do almoço ainda tínhamos pela frente muitas ruelas interessantíssimas: perto da “Zaouia”de Moulay Idriss que é considerado o centro dos souks há a “Kissaria” (sedas, brocados,“kaftans”- túnicas e joalharia)



E aí íamos nós para mais um bairro (latão e cobre). Aí o guia levou-nos à zona da fonte e mesquita Nejjarine.


Dirigimo-nos depois para o exterior onde se situa a Praça el-Nejjarine, que é um antigo local de oficinas de latão e cobre. Fez é, ainda hoje, o mais importante centro desse tipo de produção.



Ainda na mesma zona fomos apreciar o pátio da Fondouk el-Nejjarine que é um dos edifícios mais célebres de Fez com uma elegante fonte. (fondouk – edifício de planta quadrangular ou retangular com um pátio central a céu aberto designados para outrora acomodar mercadores e os seus servos, animais e mercadorias).


Ao fim da tarde fomos de carro com o guia aos Túmulos Merinídios e Fortaleza Borj Nord que se situam na colina da zona norte da medina. As paredes que se avistam imediatamente abaixo da colina são a parte mais antiga das defesas da medina.




Estava a ser um dia fabuloso e diferente nas nossas vidas e mal sabíamos nós o que nos esperava ainda! Tínhamos pesquisado restaurantes tipicamente marroquinos e tendo descoberto um, mesmo na rua do hotel, optámos por fazer a refeição ali. Mais uma porta discreta com acesso a um local paradisíaco – o restaurante Palais Laraichi – um riad a não perder.






3º DIA– MANHÃ
Com alguma pena, lá fizemos o último check out da nossa viagem por terras exóticas, mas ainda nos restavam algumas horas para gozar mais um pouco da cidade de Fez. Hoje, já sozinhos, e com um dia mais promissor a nível do tempo atmosférico, queríamos rever o Palácio Real e as imediações. O complexo do Palácio Real ( Dar el-Makhzen) situa-se no no centro da zona El- Jedid (Fez nova) Está rodeado por muralhas e cobre uma área de 80 hectares e era a principal residência do sultão. Hoje em dia parte do Palácio é ainda utilizado pelo rei de Marrocos quando ele se desloca a Fez. A entrada principal é monumental. As portas de bronze primorosamente trabalhadas estão equipadas de aldravas de bronze finas.




Do Palácio sai uma Avenida larga e comprida.

Ao atravessar a rua deixamos a zona imperial para encontrar o Bairro Judeu o qual se desenvolve em ruas estreitas e pobres. É de realçar a Sinagoga Danan que remonta ao séc. XVII.



E pronto! Restava dirigirmo-nos para o aeroporto de Fez que ficava a cerca de 12 km (18 minutos) para dizermos adeus a terras marroquinas!