São Jorge – A Ilha das Fajãs

A ilha de São Jorge de forma alongada, (estende-se desde a Ponta dos Rosais até ao Ilhéu do Topo) (56km de comprimento por 8km de largura) e costa recortada, é atravessada, no seu comprimento, por uma cordilheira, atingindo a sua maior altitude no Pico da Esperança (1053 metros).

Fica a cerca de 20 km a norte da ilha do Pico, 40 km a sul da Graciosa, a 30 km a leste do Faial e a 60 km a oeste da Terceira. As suas principais localidades são: Velas (a capital), Calheta e Topo.

 É conhecida como a ilha das Fajãs, pelo facto de aí existirem umas dezenas, das quais cerca de dois terços se situam na costa norte e as restantes na costa sul. Apenas algumas delas têm acesso por estrada, onde pode circular um automóvel.

Fajãs são superfícies planas que se prolongam pelo mar, a maioria são formadas pela acumulação de materiais resultantes da desagregação das falésias (fajãs detríticas) enquanto outras são o resultado de escoadas lávicas sobre o mar (fajãs lávicas), que foram convertidas em férteis pomares e em campos de cultivo. Nalgumas delas, devido a microclimas, é possível cultivar frutos tropicais ou até café.

São Jorge é também uma ilha conhecida pelo seu queijo, sendo considerado o melhor dos Açores, tendo alcançado há muito, fama internacional. É um queijo com um aroma forte e com um sabor levemente picante. Muito apreciado como aperitivo pode também ser utilizado desde os pratos mais simples aos mais requintados, conferindo-lhes um “toque” de distinção. É o queijo que, já há muitos anos, é conhecido no continente como “queijo da ilha”.

1COMO CHEGAR À ILHA DE SÃO JORGE
2O QUE SÃO JORGE TEM PARA OFERECER
3ROTEIRO
1 DIA
3 a 4 DIAS
4ALOJAMENTO
5RESTAURAÇÃO

1. COMO CHEGAR A SÃO JORGE

Não havendo voos diretos do continente para a ilha de S. Jorge pode voar: para Lajes (Terceira); Ponta Delgada (São Miguel) ou ainda para o Pico. Os voos inter-ilhas são operados pela companhia aérea SATA Azores Airlines. De todas as vezes que visitámos a ilha de São Jorge, voámos de Lisboa para o Pico (voo direto) (dependendo das ilhas que se propuser visitar assim deverá fazer) e depois apanhámos o ferry em São Roque do Pico para Velas (capital de São Jorge). Também há carreiras de barco da Madalena (capital do Pico) para Velas. Pode alugar logo carro na ilha do Pico (no aeroporto) ou se preferir fazê-lo só na ilha de São Jorge pode ir de táxi do aeroporto até ao cais de embarque. Se for no voo da manhã chegará por volta da hora de almoço. Pode aproveitar até fazer a hora da travessia, para almoçar no bar do cais de São Roque.

Bilhetes de ferry/ barco inter-ilhas:

Comprámos os bilhetes online no site da Atlânticoline ( são mais baratos) e fomos levantá-los na loja do Cidadão em S. Roque do Pico; pode optar por descarregar a App da Atlânticoline (empresa de transporte marítimo entre as ilhas) e consultar o que lhe interessar ou ainda ir a directferries.pt.

2. O QUE SÃO JORGE TEM PARA OFERECER

FAJÃS – Costumam destacar-se : a Fajã do Ouvidor, a Fajã dos Vimes, a Fajã dos Cubres, a Fajã de São João, a Fajã Grande e a Fajã da Caldeira de Santo Cristo (na região da Ribeira Seca) com uma lagoa sendo o único local nos Açores onde se criam amêijoas. É considerada Reserva Natural bem como Área Ecológica Especial. Se no entanto tiver tempo, há mais que merecem a nossa atenção.

VELAS – A capital da ilha de São Jorge é a vila de Velas. Tem um porto de mar sendo lá que atracam os barcos/ferries provenientes de outras ilhas, sendo logo recebidos por um Portão do Mar, o qual fazia parte das muralhas de defesa. Esta vila encontra-se entre os povoados mais antigos da ilha de São Jorge estando localizada num extenso terreno relativamente plano junto à costa ao lado das montanhas e longas arribas junto a uma longa enseada. É relativamente pequena. Tem uma rua pedonal com calçada portuguesa, havendo num dos topos o Jardim da Praça da República – largo principal da vila de Velas com um coreto e com alguns edifícios entre os quais sobressai o edifício da Câmara Municipal (um dos exemplos máximos do barroco insular – construção do séc. XVII ) e no outro topo a Igreja de São Jorge (construída em 1460).

CALHETA – Esta povoação tem uma localização geográfica privilegiada pois encontra-se em frente da montanha do Pico oferecendo panorâmicas fabulosas no plano em que se situa a localidade ou de um plano superior. Apresenta também a Igreja de Sta Catarina, a Igreja Matriz construída no séc. XVII e o Jardim Francisco Lacerda (em homenagem ao maestro e um dos maiores expoentes da cultura portuguesa do século XIX)

TOPO – Na ponta leste da ilha situa-se o Topo com o seu farol e Ilhéu com o mesmo nome. Esta zona da ilha é deslumbrante pela sua localização. Aí tem também a Igreja de Nª Sra do Rosário.

URZELINA – o local mais visitado (à beira da estrada) é a Torre Velha ou Torre Sineira – ela mostra o que resta da primitiva igreja arrasada pela erupção vulcânica de 1808.

Na RIBEIRA SECA para além das paisagens gratuitas oferecidas ao longo da estrada, tem também a Igreja de São Tiago.

PICO DA ESPERANÇA – é o ponto mais alto da ilha com 1053 metros, de onde se avistam as restantes ilhas do Grupo Central (Terceira, Graciosa, Pico e Faial) se as condições climáticas o permitirem.

3. ROTEIRO

1 DIA

Já estivemos diversas vezes na ilha de São Jorge porque adoramos os Açores, sendo que cada ilha tem as suas belezas muito próprias e singulares. Se quiser apenas ficar com uma ideia geral da ilha pode dedicar-lhe 1 dia. A nossa primeira vez em São Jorge foi praticamente para fazer o reconhecimento da ilha.

Fizemos: a estrada principal do norte, a partir de Velas, até um miradouro donde se avistava a Fajã da Caldeira de Santo Cristo e aí derivado para a Calheta (almoço), para começarmos o trajeto da costa sul e alcançarmos o Topo. Fomos observando a paisagem na qual se incluíam obviamente as famosas Fajãs e na costa (sul) em frente à ilha do Pico, tínhamos sempre a montanha como painel de fundo. No regresso fizemos a estrada principal da costa sul tendo parado na Urzelina. Considerámos que a ilha de São Jorge tinha muito para oferecer e que não a tínhamos conseguido explorar.

3 a 4 DIAS

Querendo explorar, gozar a ilha e ver o mais típico de São Jorge que são as Fajãs, precisará de pelo menos 3 a 4 dias. Se se sentir em boa condição física é interessantíssimo escolher 2 ou 3 fajãs e fazer os trilhos pedestres para as alcançar. Pode, no entanto, chegar a algumas de carro e outras podem ser vistas ao longo da estrada ou fazendo um pequeno desvio, havendo, para isso, indicação na estrada principal.

1º DIA – TARDE – Santo Amaro e Fajã do João Dias

Sendo o nosso alojamento em Santo Amaro, demos por ali uma volta mas queríamos muito contactar com o mundo das fajãs. Seguimos a estrada no sentido de Rosais para alcançar a Fajã do João Dias.

A vista de cima é extasiante mas a nossa intenção era interagir mais de perto. Fomos descendo a encosta com cuidado pois o piso estava escorregadio devido a alguma chuva que se fazia sentir. Após alguns metros de caminhada tivemos que abortar, não sem antes termos arregalado o olhar e ter feito o gosto ao dedo.

Não sei se foi mais penosa a descida se a subida, mas valeu a pena. Regressámos a Santo Amaro onde nos deliciámos duplamente no restaurante Fornos de Lava – a nível de iguarias e de vista -para a montanha do Pico.

2º DIA – COSTA SUL:

Urzelina, Manadas, Fajã das Almas, Biscoitos, Fajã Grande, Calheta, Fajãs – dos Vimes e dos Bodes, Ilhéu do Topo

A nossa intenção era fazer a costa sul. Na zona de Santo Amaro começámos logo por parar num miradouro com vista para Velas e para a costa.

De quando em vez parávamos para nos deliciarmos com a paisagem. O nosso primeiro ponto era Urzelina. Esse local é conhecido pelo facto dessa zona ter sofrido uma erupção vulcânica em 1808. À beira da estrada está um azulejo que conta esse episódio e pode-se ver a Torre Velha ou Torre Sineira que é o que resta da primitiva igreja arrasada pelo manto de lava.

Prosseguimos pela costa, tendo parado em Manadas. Aí observámos mais uma vez a paisagem e visitámos a Igreja de Santa Bárbara.

A seguir fizemos uma paragem em Biscoitos e tínhamos mais uma igreja à nossa espera!

Na costa ao nível de Biscoitos parámos para nos deliciarmos com a vista para a Fajã Grande.

A manhã ia chegando ao fim e tendo referência de um bom restaurante – Os Amigos, na Calheta para lá nos dirigimos, tendo ainda dado um giro por lá antes de almoçarmos.

O almoço foi duplamente delicioso – pelas iguarias e pela paisagem. Gozado esse momento queríamos prosseguir e continuar a apreciar a costa sul. Na zona da Ribeira Seca há algumas fajãs. É interessante observá-las de cima, mas como o tempo nos sorria aproveitámos e descemos a encosta tendo ido à Fajã dos Vimes a qual é famosa por possuir antigos teares feitos em madeira para tecer colchas, a funcionar em pleno e podendo ser visitados.

De seguida visitámos a Fajã dos Bodes. Deliciámo-nos a observar, os terrenos cultivados essencialmente de milho, vinha, cafeeiros e inhame, e contactar com os locais bem dispostos e disponíveis para nos dar explicações acerca da fajã.

Mas o nosso dia ainda tinha muito para oferecer. Aí íamos nós a continuar a costa sul e passando por mais fajãs. Parámos na Fajã de São João. É a maior da costa sul do concelho da Calheta.

E com tudo isto estávamos quase a atingir o Topo (extremo da ilha na costa sul) e o seu respetivo Ilhéu.

Depois de termos gozado mais uma zona descontraída da ilha, iniciámos o regresso fazendo a mesma estrada. Jantámos na Urzelina no restaurante com o mesmo nome.

3º DIA – COSTA NORTE

Fajã D´Além, Fajã do Ouvidor, Norte Grande e Norte Pequeno, Fajã dos Cubres, Fajã da Caldeira de Santo Cristo

Outro dia desafiante começava! Hoje dirigimo-nos para a costa norte fazendo a estrada principal em busca das fajãs mais espetaculares da ilha.

Começámos por observar a Fajã D’Além de um plano superior. Encontrámos um local que nos disse que todo o material necessário à construção das casas que fazem parte desta fajã dependia de um guincho e que antigamente eram transportados por burros. Continuámos o trajeto pela estrada principal e passados alguns quilómetros seguimos a indicação de Fajã do Ouvidor (uma das poucas fajãs lávicas da ilha de São Jorge), pois esta tem acesso por estrada asfaltada. Não sei quantas vezes parámos ao longo da descida para observar a paisagem: casas semeadas ao longo da encosta, o mar, piscinas naturais e um cais.

Chegados junto ao mar é-nos dado contemplar o cenário de baixo para cima. Será que os locais conseguem ficar indiferentes a tal beleza? Uma das vezes aproveitámos para almoçar no restaurante “O Amílcar” famoso por servir amêijoas da Caldeira de Santo Cristo, entre outras coisas.

Apesar de ser difícil deixar locais como este, muitos mais tínhamos pela frente. A seguir continuámos a percorrer a estrada da costa norte tendo feito o trajeto entre o Norte Grande e o Norte Pequeno com paisagens extasiantes.

Na zona de Norte Pequeno deixámos a estrada principal e fizemos uma secundária ziguezagueando que lá nos conduziu à Fajã dos Cubres. Aí libertámo-nos do carro e começámos a apreciar a paisagem, incluindo vacas que se alimentavam e ruminavam com toda a tranquilidade. Deve-se levar água, fruta, barritas (pelo menos) porque temos alguns quilómetros pela frente. Caminhámos ao longo da Fajã dos Cubres, para depois iniciarmos o trilho pedestre que nos conduziria à Fajã da Caldeira de Santo Cristo. A meio do trajeto surgiu uma Moto4 e nós tivemos que nos desviar para cedermos passagem pois o trilho era tão estreito que não permitia “transeuntes e motoqueiros”! Qual não foi o nosso espanto quando o senhor nos perguntou se queríamos boleia. Eu e o meu marido olhámos um para o outro e acabámos por aceitar embarcar nessa aventura! Nessa altura já tínhamos calcorreado uns quantos quilómetros e outros tantos faltariam! Quando finalmente chegámos à fajã pensámos que se não tínhamos morrido desta, já não morreríamos! Houve troços em que cabia apenas e unicamente a moto4, com a água à esquerda e a falésia rochosa à direita.

Almoçámos no único restaurante existente na fajã. A seguir ao almoço ainda fizemos um pouco do trilho para além da fajã. Depois restava-nos fazer o trilho de volta à Fajã dos Cubres para chegarmos ao local onde tínhamos deixado o carro. Todo o trajeto proporcionou paisagens indescritíveis e sons inesquecíveis. Foram momentos divinais e de descontração que não se conseguem descrever! Restava-nos chegar ao alojamento, refrescarmo-nos com um bom duche, jantar e descansar (mas valeu a pena!)

4. ALOJAMENTO

As 2 vezes que dormimos na ilha de São Jorge ficámos no Hotel Os Moinhos (pequenas casinhas de pedra negra) em Santo Amaro. Inicialmente os donos tinham apenas o restaurante Fornos de Lava. A localização do alojamento é excelente pois fica em frente à montanha do Pico.

5. RESTAURAÇÃO

A oferta gastronómica passa por grande variedade de peixe (algumas espécies típicas dos Açores), marisco – lapas, camarões, as célebres amêijoas da Caldeira de Santo Cristo …, e carne.

Restaurante – Fornos de LavaSanto Amaro
Restaurante – O AmílcarFajã do Ouvidor
Restaurante – O BorgesFajã da Caldeira de Santo Cristo
Restaurante – Os AmigosCalheta
Restaurante – Urzelina(perto de Urzelina – à beira da estrada)
Restaurante – Clube Naval Velas (cais)

E pronto! Mais um destino maravilhoso à espera de qualquer um! Seja o próximo!

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