Vilnius – uma cidade por descobrir!

A Lituânia é o estado báltico com maior área e que se situa mais a sul. Faz fronteira a norte com a Letónia, ao leste e ao sul com a Bielorússia, ao sul com a Polónia, ao sul e ao oeste com o exclave russo de Kalinigrado e a oeste com o mar Báltico. Foi um estado poderoso especialmente na Idade Média. Depois, a Lituânia, foi dominada pelos polacos e russos. Os períodos de ocupação fomentaram uma união forte entre o povo. Entre as 2 guerras mundiais houve um breve período de independência, no entanto, apenas em 1991 a Lituânia adquiriu a sua nacionalidade e independência definitiva. Apesar da devastação sofrida ao longo dos séculos ainda subsistem muitos dos seus emblemáticos edifícios históricos que merecem o nosso olhar!

Com a adesão à NATO e à UE a Lituânia começou a ser um país mais próspero e mais seguro. A Lituânia ainda é um destino barato!

A Lituânia é um país rico em paisagens naturais, montes ondulantes, lagos, praias e dunas de areia. Tem 3 cidades que se destacam. São elas: Vilnius, Kaunas e Klaipèda.

Vilnius, a sua capital, por ter sido palco de muitos povos, reflete essa multiculturalidade na mistura de vários estilos – o gótico, o neoclássico e principalmente o barroco, contrastando com o modernismo do século XXI. Tudo isto faz dela uma cidade grandiosa. É interessante começar a desbravar o que até ao momento não passava de “circuito virtual”.

Saímos do hotel e fomos tomando contacto com a cidade. Passámos pelo Museu da KGB. De seguida fizemos o percurso ao longo da Avenida Gedimino (Gedimino Prospektas) que nos conduzia até aos locais de maior interesse de Vilnius. Ao longo dessa avenida fomos observando e fotografando edifícios que saltavam à vista até atingirmos o fim que desembocava na Praça da Catedral. Logo que se começou a vislumbrar tal, dávamos connosco a arranjar perspetivas interessantes para fotografar o Campanário da Catedral bem como a Catedral.

A Catedral, a principal igreja católica românica em estilo neoclássico da Lituânia, foi construída no local de um antigo templo pagão.

No flanco leste da praça encontra-se o Palácio Real que funciona como Museu. Em frente está a Estátua do grão-duque Gediminas. No centro da praça há um azulejo com a inscrição: “stebuklas” (milagre) que se julga ter sido o ponto de partida da Cadeia Báltica. (nome designado para o cordão humano que atravessou os 3 Países Bálticos – a seu tempo explico!)

Há algo que devo partilhar convosco para melhor entenderem o que é o quê! Já mencionei a Catedral e o Palácio Real e só falta o Arsenal para se poder dizer que estes 3 edifícios são conhecidos como Castelo Inferior.

O Arsenal alberga o Museu Nacional da Lituânia , o qual apresenta uma visão da vida quotidiana na Lituânia antes da II Guerra Mundial ( não visitámos por falta de tempo). Lá em cima situa-se o Castelo Superior ou Torre de Gediminas.

É um símbolo da cidade e da nação. Pode ser alcançado a pé ou de funicular.

Nós optámos pela segunda escolha para rentabilizar o tempo. Chegados ao topo temos uma visão da cidade de 360 graus que é ainda mais deslumbrante da varanda do Castelo Superior. De lá observam-se “duas cidades” – a antiga – pináculos e telhados do centro histórico e a moderna – recentes arranha-céus abrilhantados pela presença do rio, qual delas a mais digna de ser observada e fotografada.

O Castelo tem uma exposição através da qual se enriquece os nossos conhecimentos acerca da Lituânia incluindo a explicação do cordão humano que uniu os 3 Países Bálticos em 1989.

Designa-se por Cadeia Báltica  o evento ocorrido em 23 de Agosto de 1989 nos três países bálticos – à data ainda repúblicas soviéticas – quando aproximadamente dois milhões de pessoas deram as mãos para formar uma cadeia humana de mais de 600 km de comprimento, cruzando as três repúblicas bálticas (EstóniaLetónia e Lituânia) e passando pelas três capitais (TallinnRiga e Vilnius, respectivamente). Ilustrando solidariedade entre as nações, o movimento foi descrito como publicitariamente efetivo, emocionalmente cativante e visualmente impressionante. Esta original manifestação foi organizada para chamar a atenção da opinião pública mundial sobre o destino comum que tinham sofrido as três repúblicas. De facto, celebrou-se coincidindo com o cinquentenário da assinatura do acordo secreto conhecido como Pacto Molotov-Ribbentrop, pelo qual a União Soviética e a Alemanha Nazi dividiram esferas de influência na Europa de Leste, e que levou à ocupação por parte dos soviéticos dos três estados. Este pacto só foi admitido pelas autoridades soviéticas uma semana antes da realização da Cadeia Báltica. O protesto foi completamente pacífico.https://pt.wikipedia.org/wiki/Cadeia_B%C3%A1ltica

Não nos apetecia abandonar aquele local com vistas tão magníficas mas o tempo urgia e o nosso plano ainda contemplava muitos locais em Vilnius.

Descemos também de funicular e dirigimo-nos para a Rua Pilies, uma das mais antigas da cidade e que oferece uma bela perspectiva do local onde tínhamos estado – o Castelo Superior. Outrora foi o principal centro de comércio de Vilnius, sendo hoje muito popular pois alberga muitas esplanadas e restaurantes bem como lojas de âmbar, entre outras. Não quisemos ser exceção e também nós almoçámos nessa tão alegre e famosa rua, mas não antes de termos dedicado algum tempo ao campus da Universidade (onde tencionávamos visitar a Livraria Littera– famosa pelos seus frescos- mas estava em restauro) do qual fazem parte a Igreja de S. João e o seu Campanário, com 68 metros de altura, sendo assim o edifício mais alto do centro histórico, oferecendo vistas interessantes sobre a cidade.

A Igreja de S. João, de seu primeiro estilo gótico data de 1426 e foi reconstruída em 1749 num exuberante estilo barroco. Apresenta, assim, um interior digno de uma visita.

Após o almoço tínhamos pela frente mais uns locais para conhecer. Começámos pela Igreja de Santa Ana e de Santa Bernardina. Elas são contíguas.

A Igreja de Santa Ana em estilo Gótico Flamejante, conseguiu sobreviver aos tumultos ao longo dos séculos. Diz-se que durante a guerra franco-russa, tendo Napoleão deixado a Rússia e passado por Vilnius e se ter encantado nesta igreja, levou-o a dizer que gostaria de a levar para Paris na palma da mão! É de facto uma igreja imponente. A sua fachada ricamente ornamentada com arcos de ogiva e janelas esguias apresenta ainda pináculos cobertos por florões decorativos. Ela exibe 33 tipos diferentes de tijolos de barro.

Á frente da igreja Bernardina há uma estátua de Adam Mickiewicz, que foi ponto de encontro da primeira manifestação pública (em 1987) que apelava aos direitos nacionais para a Lituânia.

Daí fomos para a zona da Câmara Municipal. Aí deparámo-nos com mais 2 igrejas – a Igreja de S. Casimiro e a Igreja de Santa Teresa.

A igreja de São Casimiro foi um dos primeiros edifícios barrocos da cidade. Sofreu diversas devastações ao longo dos séculos, desde incêndios a ocupações por diferentes grupos religiosos sendo que no final do séc. XX foi devolvida aos católicos.

Muito perto há uma outra igreja digna de nota pela riqueza do seu interior: a igreja de Santa Teresa. Ela apresenta frescos e altares magníficos.

Imediatamente a seguir encontra-se a Porta da Alvorada, considerada uma das entradas da Cidade Velha e um local de peregrinação pois por cima da Porta existe uma Capela com a imagem prateada da Virgem Maria, da qual se diz ter poderes milagrosos. Ela é visível da janela.

Não muito longe dali há também a Porta Basiliana, que apresenta uma fachada de estilo Barroco.

Como o centro histórico de Vilnius tem muito para oferecer, ou se sabe que para além do clássico e antigo, há uma outra Vilnius, ou não se vai lá – estou-vos a falar do Bairro ou República de Užupis como é conhecida. Este bairro está situado perto da cidade velha de Vilnius, num meandro do rio Vilnia e como para lá chegar é preciso atravessar a ponte foi designado Užupis, que em lituano significa “atrás do rio”.

No século XVI, Užupis era o distrito mais pobre de Vilnius. Os artistas começaram a ir viver para lá e ali se estabeleceram. Em 1997 os artistas e espíritos livres declararam Užupis como uma República livre, adotando uma bandeira própria e nomeando um presidente. Desde então, Užupis tem o seu guardião – o Anjo de Bronze de Užupis, bem como um hino, uma Constituição e um Presidente.

O bairro Uzupis é, assim, uma zona de artistas que mostram a sua arte de uma forma distinta e única – um museu ao ar livre.

É uma zona descontraída e pitoresca com ruelas ladeadas de galerias de arte, cafés, esplanadas onde apetece descansar um pouco à beira do rio. E como o dia declinava, nada melhor que gozar a tranquilidade do local. Jantámos no restaurante mesmo à beira do rio, deliciados com o som da água como música de fundo.

Não perca locais como estes!

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