Recebeu o apelido de Ilha Branca devido à delicada paisagem e das rochas esbranquiçadas que compõem a sua costa.
“É a menos montanhosa das ilhas açorianas (…). Esta baixa elevação confere à ilha um clima temperado oceânico, caracterizado pela menor pluviosidade do arquipélago. A baixa pluviosidade leva à relativa secura da ilha, o que lhe dá no fim do estio uma tonalidade esbranquiçada, que associada ao casario branco das povoações lhe deu o epíteto de ilha Branca, que lhe foi atribuído por Raul Brandão na obra As Ilhas Desconhecidas.” https://pt.wikipedia.org/wiki/Graciosa
A ilha Graciosa, (2ª ilha mais pequena dos Açores, a seguir à ilha do Corvo) de formato quase oval (com 12,5 km de comprimento e 7 km de largura máxima), situando-se aproximadamente a 60 km a noroeste da ilha Terceira, é também a ilha mais a Norte das cinco que compõem o Grupo Central do arquipélago, estando (a ilha mais próxima) São Jorge, a 37 km de distância.
A pequena Ilha da Graciosa, merece bem o nome de tão encantadora que é. Ela é a única da qual se avistam as outras 4 ilhas do grupo central (da Caldeirinha) tendo como ex-libris vários moinhos de vento os quais abrilhantam a paisagem rural da ilha com o seu vermelho. Construídos inicialmente (finais do séc. XIX) para triturar os cereais (trigo, milho e cevada), alguns deles foram convertidos em alojamento turístico, mantendo, no entanto, as suas especificidades, permitindo uma experiência diferente e autêntica.
A ilha Graciosa oferece um cenário pitoresco, oscilando o mesmo entre pastagens e pequenos aglomerados de casas caiadas de branco, não faltando nunca a presença de igrejas brancas “salpicadas” de pedra lávica negra e a presença constante de um mar luminoso.
É uma ilha “em que nada acontece”, sem pressas nem stress! Chegados lá, rapidamente nos deixamos contagiar por aquela descontração, por aquele silêncio e pelo ar puro!
| 1. | COMO CHEGAR À GRACIOSA |
| 2. | PONTOS DE INTERESSE |
| 3. | ROTEIRO |
| 4. | ALOJAMENTO |
| 5. | RESTAURAÇÃO |
| 6. | CURIOSIDADES Moinhos de Vento Queijadas |
1. COMO CHEGAR À GRACIOSA
A Sata -Air Açores efetua voos diários, entre a ilha Terceira e a ilha Graciosa, de cerca de 30 minutos. Pode também recorrer ao transporte marítimo, a partir da ilha Terceira ou da de S. Jorge ou ainda, se fôr, entre maio e setembro usar a carreira de barcos de passageiros, que liga todas as ilhas do grupo central (dura aproximadamente 3h).
2. PONTOS DE INTERESSE
| LOCAIS E INFORMAÇÃO |
|---|
| Furna do Enxofre caverna lávica visitável no fundo da Caldeira inaugurada em 2010 183 degraus, 200 m de diâmetro e 50 m de altura |
| Caldeira ponto mais elevado da ilha – 405 metros |
| Furna do Abel pequeno tubo lávico comprimento – 96 m, largura – 8 m, altura – 6m |
| Furna da Maria Encantada pequeno tubo lávico; comprimento – 56,5 m, largura – 4,9 m, altura – 5,8 m; localizada na cumeada da Caldeira; usufrui de um belo panorama sobre o interior da Caldeira da Graciosa e sobre algumas localidades (Luz e Pedras Brancas), bem como o Pico Timão e Serra das Fontes |
| Caldeirinha algar vulcânico com 37 metros de profundidade; do seu bordo há vista panorâmica sobre a ilha bem como para as restantes ilhas do Grupo Central (Terceira, S. Jorge, Pico e Faial) |
| Termas do Carapacho uma pequena estância termal localizada na pequena freguesia da Luz |
| Monte de Nª Sra da Ajuda 3 ermidas – São João, São João Salvador e Nª Sra da Ajuda; vista panorâmica sobre Santa Cruz e para a parte norte da ilha |
| Ilhéu da Baleia formação rochosa de origem vulcânica localizada na Baía da Ponta da Barca, com a configuração de uma baleia |
| Ilhéu de Baixo ao largo da Ponta da Restinga – abriga nas suas falésias e superfície: plantas costeiras endémicas e importante local de abrigo de aves marinhas |
| Praia de S. Mateus com o Ilhéu do mesmo nome fronteiriço à localidade |
| Santa Cruz da Graciosa Igreja Matriz de Santa Cruz; Igreja da Misericórdia |
| Pico Timão 398 metros (o pico mais alto da ilha) Pico do Facho 375 metros |
| Moinhos de Vento os mais imponentes são os da Praia de S. Mateus (Moinho de Pedra e Boina de Vento) mas ao longo da ilha encontra um aqui e acolá (perto de Sta Cruz, Luz…) |
NA ZONA DA PRAIA DE S. MATEUS : Miradouro da Restinga, Farol da Ponta do Carapacho, Termas do Carapacho
3. ROTEIRO
1º DIA – TARDE
Santa Cruz, Monte de Nª Sra da Ajuda, S. Mateus -Praia e os Moinhos de Pedra e Boina de Vento
Vindos da ilha Terceira (voo às 13h 30m), chegámos à ilha Graciosa pelas 14 horas. Levantámos o carro no aeroporto e dirigimo-nos ao hotel Biosphere Island Hotel Resort para fazer check-in. Tínhamos pensado fazer uma refeição soft para mais depressa começar a explorar a ilha, mas acabámos por ir almoçar, no restaurante Chapa Real, a Santa Cruz.
Após o almoço demos uma volta por Santa Cruz ( é uma vila pequena). Ela expande-se essencialmente a partir da Praça principal, repleta de árvores diversas e de um grande tanque de água o qual em tempos idos era usado para saciar a sede do gado.


Perto daí, a poucos metros, na rua Matriz, situa-se a Igreja Matriz de Santa Cruz, construída no século XVI e reconstruída no séc. XVII, constituindo o mais antigo e artístico templo de estilo manuelino e barroco. A poucos metros situa-se, também, a Igreja de Santo Cristo da Misericórdia.


Daí seguimos de carro até ao topo do Monte de Nª Sra da Ajuda, (onde existem 3 ermidas) sobranceiro à vila de Santa Cruz. Num plano inferior, na cratera do vulcão do monte, existe uma pequena Praça de Touros que é utilizada durante a feira taurina (meados de agosto).
Do cimo do monte, obtém-se uma vista panorâmica deslumbrante para Santa Cruz e para a parte norte da ilha.
Depois desse momento de contacto com um pouco da Graciosa, retomámos a estrada principal (EN 1-2) e fomos até à praia de S. Mateus.

Aí contactámos pela 1ª vez, com um dos ícones da Graciosa – moinhos – o Moinho de Pedra e o Moinho Boina de Vento, ambos utilizados como alojamento. São, de facto, algo memorável! Pena estar a chover! Abortámos e regressámos ao hotel, onde já tínhamos reservado mesa para jantar.
2º DIA – MANHÃ
S. Mateus – Praia e os Moinhos de Pedra e Boina de Vento, Fábrica de Queijadas; Miradouro da Restinga, Farol da Ponta do Carapacho e Furna de Enxofre
De manhã iniciámos o nosso dia por S. Mateus para melhor podermos apreciar aquela zona mas desta vez sem chuva!



Lá nos deliciámos outra vez com os moinhos – Moinho de Pedra e Boina de Vento ! Mas bem perto daí (na rua por detrás dos moinhos) tínhamos algo também célebre na ilha Graciosa, a Fábrica das Queijadas, gerida por uma empresa familiar. Devido à pandemia não pudemos visitar. Comprámos algumas caixas (caixa c/ 6 queijadas –3,75 €) dessas famosas queijadas de textura cremosa, funcionando como um recuerdo. Demos também um giro por São Mateus.
Prosseguimos viagem, ao longo da costa, sempre que possível, parando aqui e acolá para gozar a paisagem, passando pelo Miradouro da Restinga e Farol do Carapacho.


Aí é paragem obrigatória. Daí, dependendo para onde olharmos, temos como paisagem, em primeiro plano, o Ilhéu de Baixo e se nos focarmos num horizonte mais longínquo, no mesmo sentido, vislumbramos a ilha Terceira.


Se dirigirmos o nosso olhar para o sul vemos a localidade do Carapacho bem como as famosas Termas do Carapacho e ainda as ilhas de S. Jorge, Pico e Faial. É uma sensação indescritível para qualquer um, começar a reconhecer o formato de cada ilha, sendo ainda mais para quem já pisou todas essas maravilhas!
Bom … mas o nosso dia ainda mal tinha começado! Começámos a descer, tendo passado pela localidade do Carapacho, sendo que as Termas estavam fechadas devido à pandemia. Fizemos a estrada até à povoação da Luz, seguindo depois para Canada Longa com a finalidade de cumprir um momento alto do nosso plano: a visita à Furna de Enxofre (tínhamos telefonado de antemão para reservar mas foi-nos dito que não era necessário). No início do percurso (no exterior) somos agraciados por uma paisagem descontraída,



contrastante a partir do túnel pois para aceder à gruta, tem que se descer uma escada em espiral de 183 degraus até ao chão da caverna, onde se estende uma lagoa de água fria. Depois de, na preparação da viagem os olhos terem observado a imagem da chaminé vista de fora, e agora poder contemplá-la ao longo da sua descida (escadaria), oferecendo ela, através das suas janelas uma visão para um plano superior ou inferior, é colossal! Nada como passar do virtual ao real! É de facto um momento digno de nota, na ilha Graciosa.
Mas … estava na hora de reconfortar os estômagos. Como tal dirigimo-nos para a Baía da Folga (costa oeste) para nos deliciarmos com iguarias espetaculares (Molho à Pescador c/ Encharéu (1 dos peixes típicos dos Açores) e Abrótea frita) no restaurante Estrela do Mar com uma vista fantástica para as ilhas de São Jorge e Pico (pelo menos).
TARDE – Caldeira: Furna do Abel e Furna da Maria Encantada; Percurso em redor da Caldeira; Serra Branca; Caldeirinha; Porto Afonso; Miradouro Ponta da Barca e Ilhéu da Baleia
Após o almoço dirigimo-nos para a zona da Caldeira para vermos a Furna do Abel



e a Furna da Maria Encantada (localizada na cumeada da Caldeira oferecendo, assim, um belo panorama para o seu interior) cujo trilho pedestre para a alcançar é fabuloso pela paisagem abrangente que nos proporciona.




Após esses momentos fabulosos, mais tínhamos para gozar pois tendo continuado a fazer o trajeto em redor da Caldeira de uma zona mais alta e mais abrangente, fomos contemplados com perspetivas ainda mais ricas da costa que já tínhamos feito – Praia e Ilhéu de S. Mateus, a zona do Miradouro da Restinga, o Ilhéu de Baixo, o Farol do Carapacho e a ilha Terceira – pequenos prados com vacas e com hortênsias os quais ajudavam a completar o cenário! Simplesmente de cortar a respiração!


De seguida fazia parte do plano passar pela Serra Branca e alcançar a Caldeirinha para gozarmos alguns momentos de algo único: uma paisagem de 360 graus: circulando em redor da Caldeirinha, além de daí ficarmos com uma noção da ilha toda, conseguimos também ver as outras 4 ilhas do Grupo Central. É difícil afirmar quantas fotos cada um faz, deste local paradisíaco!






A tarde ainda tinha mais momentos para nos oferecer! (Tentámos ir ao Pico das Terças mas abortámos pois percebemos pelo Google Maps que teríamos que fazer um percurso pedestre considerável para atingir o cume). Dirigimo-nos assim para o Porto Afonso e gozámos a tranquilidade do local.
A seguir fomos para a Ponta da Barca para vermos ao vivo e a cores o famoso Ilhéu da Baleia. É de facto impressionante e percebe-se o porquê dessa designação: pela sua configuração, faz, na realidade, lembrar uma baleia!



Depois disso, com o dia a declinar, fomos em direção a Santa Cruz para usufruirmos de um momento refrescante numa esplanada. Quando nos dirigimos, a pé, para o restaurante Costa do Sol (onde já tínhamos reservado mesa), no largo da Calheta fizemos um trajeto ao longo do cais tendo constatado a presença da Piscina Natural do Boqueirão de água salgada e da zona balnear da Calheta. Havia pessoas ao banho a gozar a água luminosa e a temperatura amena.
3º DIA – MANHÃ
Com muita pena de não podermos continuar a usufruir da descontração da ilha Graciosa, lá tivemos que fazer check-out. Conseguimos ainda fazer uma passagem breve por Santa Cruz para rever pela última vez o centro e adquirir algumas lembranças.
Fizemos um voo para a ilha Terceira (Lajes) no fim da manhã (11:40 – 12:10) e depois Terceira (Lajes) – Lisboa (13:40 – 16:55).
E assim estava terminada mais uma aventura em terras açorianas, tendo a ilha Graciosa representado a última que nos faltava conhecer! Não hesite em conhecer tais paragens!
4. ALOJAMENTO
Ficámos alojados no Biosphere Island Hotel mas os Moinhos em São Mateus (Moinho de Pedra e Moinho Boina de Vento) também são uma boa opção para um ou dois casais e a localização também é excelente pois situam-se em frente à praia de São Mateus.
5. RESTAURAÇÃO
| Costa do Sol | Santa Cruz da Graciosa – Largo da Calheta |
| Estrela do Mar – localização fantástica – na Baía da Folga | End. 12 Porta da Folga – Baía da Folga |
| Biosphere Island Hotel Resort | Porto da Barra – Sta Cruz da Graciosa |
6. CURIOSIDADES
MOINHOS DE VENTO


Era uma vez … o surgimento dos moinhos de vento!
Desde há muito que a humanidade sentiu necessidade de triturar os cereais para alimentação da população. Surgiram os moinhos de mão e as atafonas (tipo de moinho manual ou movido por força animal).
Nos Açores, os moinhos de vento vieram substituir esses meios numa época em que a agricultura, mais propriamente o cultivo do milho, passou a ocupar um papel extremamente importante, não só no sustento da população local, como também no ramo das exportações.
O surgimento dos primeiros moinhos de vento nos Açores, bem como as suas origens é algo controverso. A princípio dizia-se que grande parte dos moinhos dos Açores eram de tipologia holandesa, devido às características das cúpulas, mas de acordo com um estudo recente, (feito por um antropólogo da Universidade dos Açores) acredita-se que esses moinhos são do norte da Europa, de origem escandinava, que passaram da Suécia para Inglaterra e daí vieram para os Açores.
A chegada dos moinhos de vento à Graciosa deu-se nos finais do séc. XIX, aquando da vinda do artesão micaelense Francisco Cordeiro para a ilha, tendo trazido e difundido esse projeto.
Em tempos antigos a Graciosa era a ilha que mais cereais exportava para as outras ilhas e até para o continente. Devido à sua grande produção foi considerada como “o Celeiro dos Açores”.
Os moinhos de vento são um ex-líbris da Graciosa, existindo ainda 28 que compõem a paisagem rural da ilha, tendo sido alguns convertidos em alojamento turístico, conservando, no entanto, as suas características. (informação recolhida e adaptada do folheto “Graciosa – Rota dos Moinhos”)
QUEIJADAS DA GRACIOSA
As famosas e deliciosas queijadas da Graciosa são originárias desta ilha, não tendo tido, no entanto, desde sempre esta designação! Vamos ver a sua história!


As Queijadas da Graciosa da fabricante Maria de Jesus dos Santos Bettencourt Félix:
“Em 1980 comecei a fazer doces em minha casa, principalmente os famosos covilhetes de leite, hoje conhecidos por Queijadas da Graciosa. Nessa altura tinha um café e comecei a fazer covilhetes de leite para lá vender.
As vendas começaram a aumentar e resolvi, juntamente com o meu marido, fazer um espaço próprio para o fabrico deste doce. Fizemos uma grande cozinha atrás da casa. As encomendas continuaram a aumentar e na altura, porque não tinha posses para pagar ordenados, era ajudada por 2 primas em dias de mais trabalho.
Passado algum tempo, tive a visita de uma pessoa amiga que me aconselhou o aumento da produção. Fiquei de pensar no assunto! E então resolvi fazer um projeto para que o Governo Regional me ajudasse, porque ainda não era capaz de tal investimento sozinha.
No ano de 1991, após ter feito obras de ampliação da fábrica, contratei as minhas primas como colaboradoras.
Passados alguns meses as encomendas aumentaram bastante e o nosso doce já era um sucesso, não só na ilha, como fora dela (S. Miguel, Terceira, Faial e Sta Maria).
Com o passar dos anos a pastelaria foi-se tornando pequena para acolher tantas encomendas. O espaço tornava-se pequeno e resolvi, mais uma vez, fazer um projeto para a ampliação da pastelaria. As obras ficaram concluídas no ano 2000. Mudei o nome de covilhete de leite para Queijadas da Graciosa, que mais tarde viria a tornar-se uma marca registada.
As condições de trabalho melhoraram, apareceram novos clientes e as encomendas não pararam de aumentar, aumentando assim o número de postos de trabalho.
Neste momento as Queijadas da Graciosa estão representadas em todas as ilhas dos Açores, na Madeira e no Continente, bem como nos EUA e Canadá.” (informação obtida num painel no local da fábrica das Queijadas da Graciosa).



















Bom dia,
Tem ainda para alojamento o Moinho Mó da Praia 😊 fica ao lado do Moinho da Pedra e traseiras da famosa fábrica das queijadas.
Espreite o siteeposera ver algumas fotos da recuperação.
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Ok. Obrigada pela informação.
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