Ilha do Corvo – uma pequena maravilha!

O Corvo é tão somente a mais pequena ilha dos Açores tendo apenas 17,5 km2 (pouco mais de 6 km de comprimento e menos de 4 km de largura) e de acordo com o Census de 2021 não chega a 400 habitantes (tendo 21 professores e havendo a hipótese de qualquer jovem poder estudar na ilha até ao 12º ano). Que esses aspetos não sirvam de desculpa para deixar de visitar aquela pequena maravilha, até porque não indo lá não pode referir que conhece todas as ilhas do Arquipélago Açoriano. Embarque nessa aventura!

A Ilha do Corvo conjuntamente com a das Flores (a qual dista apenas a 27,8 km) formam o Grupo Ocidental do Arquipélago dos Açores.

A. COMO CHEGAR

DE AVIÃO

Através da companhia aérea SATA Air Açores que efetua voos regulares para a ilha do Corvo.

DE BARCO

A partir da ilha das Flores pode utilizar a transportadora marítima regional Atlanticoline pois a mesma oferece serviços de ferry para passageiros e veículos entre as nove ilhas dos Açores (em, https://www.directferries.pt/, pode pesquisar e encontrar horários Atlanticoline, tarifas e reservar bilhetes de ferries Atlanticoline) ou ainda através de empresas de barcos privadas: Elisiário Serpa ou do Hotel Ocidental, que fazem a travessia incluindo passeio panorâmico pela costa norte da ilha das Flores (ou ainda tours.)

B. COMO SE DESLOCAR

DE TÁXI

Há várias empresas de táxi que transportam as pessoas pela ilha sendo o mais comum levá-las ao ex-líbris da ilha: o Caldeirão.

DE CARRO ALUGADO

Também pode recorrer ao aluguer de um carro, se tiver tempo para gozar a ilha na sua plenitude, apesar de ser bastante pequena.

A PÉ

Como a ilha é pequena se tiver tempo, também pode conhecê-la fazendo o percurso a pé.

C. O QUE VISITAR/FAZER

CALDEIRÃO e (Lagoas do Caldeirão) – Ex- líbris da Ilha do Corvo

O conhecido e famoso Caldeirão, situado no Monte Gordo, é o que resta da cratera do vulcão que deu origem à ilha. Tem um perímetro de 3400 metros e as suas paredes elevam-se até 300 metros de altura. No fundo existem lagoas e pequenas ilhas.

ESTREITINHO ou MORRO DOS HOMENS

O ponto mais alto da encosta do Caldeirão é conhecido como Estreitinho ou Morro dos Homens elevando-se a cerca de 720 metros de altura em relação ao nível do mar.

MORRO DO PÃO DE AÇÚCAR 

O Morro do Pão de Açúcar é um miradouro natural que permite um vasto e belo panorama sobre a ilha e o mar. No regresso à Vila do Corvo se fizer parte do Trilho PR1 passa pelo Morro do Pão de Açúcar.

VILA NOVA DO CORVO

É a vila/capital mais pequena de todas as ilhas açorianas, sendo a única povoação da ilha.

Dar um giro pelas ruelas (designadas canadas), observar o casario (casas baixas) e ver também a Igreja de Nª Sra dos Milagres.

MOINHOS DE VENTO

Numa faixa do litoral ( virada para a ilha das Flores) há alguns pequenos moinhos que embelezam a paisagem.

TRILHOS

Se tiver tempo e se encontrar em boa forma física tem 2 trilhos ao dispor na ilha do Corvo: o trilho da Cara do Índio – PR01 COR e o trilho do Caldeirão PR02 COR.

Pode ver mais pormenores em:
https://trails.visitazores.com/pt-pt/trilhos-dos-acores/corvo/cara-do-indio
https://trails.visitazores.com/pt-pt/trilhos-dos-acores/corvo/caldeirao

O trilho da Cara do Índio é maravilhoso pois permite ficar com uma boa perceção da ilha do Corvo, vislumbrando-se também a ilha das Flores e tendo uma vista aérea da Vila do Corvo.

O trilho do Caldeirão é uma rota circular e desenvolve-se em torno do próprio Caldeirão. Se não o quiser ou puder fazer, pode descer um pouco até às lagoas ou subir um pouco para o lado direito (estando virado/a para o Caldeirão) e terá uma perspetiva mais elevada para o interior da Caldeira.

D. ONDE PERNOITAR

Sendo a ilha muito pequena só tem 2 ofertas de alojamento (bem cotadas, de acordo com a pesquisa feita, pois a princípio era nossa intenção pernoitar pelo menos 1 noite).

Hotel Comodoro – Caminho da Várzea (a 8 minutos a pé do ferry/ barco) – (quartos informais em residência insular com cozinha partilhada, terraço e vista para a montanha)

Joe and Vera’s Vintage Place – Rua da Matriz ( 2 minutos a pé do aeroporto/aerogare)

E. FAZER UMA REFEIÇÃO

Tem 3 opções ao dispor: (independentemente da designação todos servem refeições)

O Caldeirão – Restaurante e Pastelaria

BBC Caffé & Lounge -Bar e Fast Food

Irmãos Metralha – Café e Bar

F. A NOSSA EXPERIÊNCIA

Este ano (em agosto/setembro de 2022) decidimos rever as ilhas das Flores, do Corvo e de São Miguel, pois amamos os Açores. Tal como é habitual planificámos esta viagem tendo em conta as variações atmosféricas. Querendo nós rever a ilha do Corvo convinha planear antecipadamente o dia a dedicar a essa ilha.

Apesar da companhia aérea Sata Air Açores operar para a ilha do Corvo, a forma mais interessante de lá chegar é através de barco. Contactámos, assim, uma das empresas de barcos – Elisiário Serpa – e solicitámos que de acordo com a nossa disponibilidade escolhessem um dia em que o mar permitisse a travessia.

(Era nossa intenção pernoitar na ilha do Corvo e vivenciar as 2 experiências: chegar de barco e partir de avião mas como viajámos no início de setembro e no dia em que tínhamos que regressar a São Miguel não havia voo, acabámos por fazer as 2 viagens de barco. Foi memorável pois os 2 percursos foram diferentes mas ambos muito ricos.)

No dia combinado, o local de encontro foi no Porto das Poças em Santa Cruz das Flores, pelas 9h (com partida prevista para as 9h e 30 minutos) para uma pequena explicação, colocação de coletes e embarque. (O barco tinha capacidade para 16 pessoas.)

Durante a viagem, de cerca de 1 hora, para além de vivenciarmos osups and downs” a que a ondulação obrigava, gozámos também a paisagem ao longo do trajeto, tendo sido agraciados por bandos de cagarros (é tão somente a ave mais emblemática dos Açores com um canto peculiar) e por imensos golfinhos.

À medida que nos aproximávamos do Corvo tínhamos ainda mais dificuldade em saber o que fotografar ou filmar: os cagarros, captar o emergir dos golfinhos ou ainda registar a pequenez de uma ilha

que tem só uma localidade à beira mar plantada (mal seria!). É logo um começar a gozar algo antes de chegar ao local que nos tínhamos proposto visitar.

Antes do início da viagem de barco tínhamos sido informados de que à nossa chegada à ilha do Corvo teríamos lá o Sr. Fernando que é proprietário de uma empresa de carrinhas que fazem tours pela ilha sendo, no entanto, o mais comum levar as pessoas ao ex-líbris da ilha: o Caldeirão (10 € por pessoa – ida e volta). Foi o que aconteceu. Começámos a gozar a ilha cerca das 11 horas.

O Caldeirão situando-se na zona mais alta da ilha oferece uma visão fantástica.

Ele apresenta 2 lagoas lá bem no seu fundo e ao longo da sua caldeira está rodeado de zonas mais altas (Estreitinho ou Morro dos Homens) ou mais baixas. Vivia-se uma tranquilidade incrível naquele local sentindo-nos sempre “acompanhados” por “clientes” descontraídas e habituais, sem receio de alturas ou precipícios – as amigas vacas, que enriqueciam a paisagem sem igual. Queríamos muito fazer os 2 trilhos da ilha mas como não tínhamos tempo para isso, optámos por fazer o da Cara do Índio pois o trilho do Caldeirão apesar de ser interessante só nos dava uma perspetiva dessa zona e o outro tinha uma vista mais abrangente da ilha.

Tínhamos combinado com o Sr. Fernando ir-nos buscar por volta do meio-dia para depois ele nos deixar numa zona que nos permitisse fazer parte do Trilho da Cara de Índio. Assim foi!

DESCIDA DE TÁXI PARA INICIAR O TRILHO

Antes de sairmos da carrinha ele aconselhou-nos a fazer a subida ao longo do muro do lado esquerdo, havendo do lado direito uma planície com imensas vacas a pastar (atrás de nós ficava um mar azul e tranquilo!).

Após termos atingido o topo caminhámos um pouco numa zona plana e logo a seguir começámos a fazer uma ligeira descida.

Íamo-nos deliciando com a paisagem que oscilava entre vacas, hortênsias, planície, mar e a ilha das Flores lá ao longe. Sentíamo-nos quase pendurados num drone pois a altura a que nos encontrávamos era considerável.

Passado algum tempo lá vimos uma seta a indicar “Cara de Índio”. Representava nem mais nem menos que um rochedo que alguém terá achado que teria a fisionomia de um índio!

Não é fácil filmar ou fotografar pois encontra-se numa zona bastante mais baixa do que aquela onde é possível chegar, mas mesmo assim valeu a pena!

A partir daí começa-se a vislumbrar a Vila do Corvo que vai crescendo na sua pequenez!

Muito tínhamos ainda para calcorrear (trajeto descendente) até a conseguirmos atingir pois ela ficava bem lá em baixo e nós ainda a uns consideráveis metros acima!

Era toca a gozar a descida mas também a controlar o tempo de forma a conseguirmos almoçar e não perder o barco (pelas 15.30) que nos levaria de volta à ilha das Flores.

Almoçámos (buffet) na esplanada do restaurante O Caldeirão, em frente aos Moinhos (cumprindo assim mais um local de interesse da ilha do Corvo),

tendo conseguido ainda dar um giro por ali, passando pela zona balnear (com vista para a ilha das Flores)

bem como uma passagem rápida pela rua da Igreja tendo ainda entrado para a visitar.

Estávamos nós no interior da igreja quando o meu telemóvel tocou! Saí a toda a pressa pois era a rapariga do barco a perguntar se estávamos quase a chegar. Lá acelerámos o passo para alcançar o porto.

Mas a experiência não terminava aqui! Esperava-nos uma travessia fabulosa! Os cagarros e os golfinhos estavam à nossa espera para nos encantarem mais uma vez!

Após esses momentos, quando nos aproximámos da costa norte da ilha das Flores, o barco encaminhou-se para uma zona de rochedos e grutas

e água que brotava bem das alturas, ou seja uma cascata!

Ainda tínhamos colocado a hipótese de irmos visitar a Gruta dos Enxaréus (de barco), mas acabámos por não concretizar esse momento!

E como se costuma dizer “não há duas sem três”, pode ser que numa terceira vez no Corvo, consigamos dedicar-lhe mais tempo! Ou seja valeu a pena repetir a experiência!

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