O título escolhido reflete dois aspetos: paisagem natural e vida selvagem.















A paisagem do bordo da cratera – a 2200 metros de altura – é extasiante e o fundo da mesma abrigando uma quantidade incomensurável de animais selvagens (podendo também ainda interagir com a tribo Maasai) representam um desafio imperdível!
“…. A cratera (de Ngorongoro) fica a 2.236 metros acima do nível do mar e é a maior caldeira intacta, ou vulcão desmoronado, do mundo. Mede mais de 19 quilómetros de diâmetro e tem uma superfície de 304 quilómetros quadrados, sendo que dentro da cratera é surpreendentemente quente.” https://pt.wikipedia.org/wiki/Ngorongoro
Pensa-se que foi formada há aproximadamente 2.5 milhões de anos tendo sido uma montanha vulcânica altíssima, supostamente até mais alta do que o Kilimanjaro (a mais alta da África com quase 6000 m de altura).
Ngorongoro é uma palavra Maasai (tribo cuja língua é o maa) – sendo que há 2 versões acerca da mesma: alguns dizem que imita o barulho dos chocalhos das vacas, outros que é um nome tradicional para um tipo de tigela, semelhante à forma da cratera.
A cratera de Ngorongoro – vizinha do Serengeti – faz parte da Área de Conservação de Ngorongoro, no norte da Tanzânia, estendendo-se das Terras Altas de Karatu até ao Serengeti e descendo até à ponta norte do Lago Eyasi. Foi considerada Património Mundial da UNESCO em 1979.
COMO ALCANÇAR A CRATERA
Depois de voar até à Tanzânia (mais concretamente para o aeroporto que se encontra perto de Arusha), está no local certo para poder iniciar uma aventura memorável!
(Tanzânia – país na África Oriental conhecido essencialmente pelo mundo dos safaris: no Parque Nacional do Serengeti e na Área de Conservação de Ngorongoro; pelo Kilimanjaro – montanha mais alta da África e pelas ilhas de Zanzibar).
O mais lógico é pernoitar em Arusha ou Karatu e pela manhã partir em direção à cratera de Ngorongoro.
QUANDO VISITAR A CRATERA
A observação da vida selvagem dentro da Cratera de Ngorongoro é excelente o ano inteiro, apresentando um cenário exuberante e espetacular, havendo, no entanto, algumas variantes.
| Melhor época – de junho a setembro – estação seca | para observar a vida selvagem em geral – a erva no fundo da cratera é escassa nesses meses, facilitando isso a localização dos animais. |
| Alta temporada – de julho a março – | muitos visitantes o que pode dificultar a aproximação para visualizar os animais |
| Baixa temporada – abril e maio – | a única época em que a cratera tem poucas multidões |
| Pior Clima – março e abril – | pico da estação chuvosa – piso mais difícil, podendo o acesso ao interior da cratera ser suspenso neste período |
| Melhor clima – junho a outubro – | a precipitação é pouca ou nenhuma |
Apesar do acesso ao seu interior ser controlado, é vulgar encontrar imensos jeeps no seu interior com viajantes sedentos de ver, fotografar e filmar todos os animais que surjam nas vastas planícies da cratera.
A NOSSA EXPERIÊNCIA
Como é uma viagem que obriga a uma logística considerável a vários níveis deve ir inserido num grupo liderado por um guia experiente que trabalhe com empresas locais que aluguem jeeps com condutores habilitados para o efeito. A nossa viagem ocorreu no início de fevereiro de 2023, tendo o nosso Tour Leader sido Artur Cabral. Éramos um grupo de 9 pessoas incluindo o Tour Leader, distribuídos por 2 carros.
ARTUR CABRAL – Photographer, Tour Leader e World Traveler. Podem segui-lo e contactá-lo através das redes sociais – Facebook ou Instagram – facebook.com/ARTURCABRALPHOTO ou http://www.arturcabral.com


Fizemos 2 voos (Lisboa – Amsterdão e Amsterdão – aeroporto de Kilimanjaro – a cerca de 1h de Arusha) e um percurso de jeep para atingirmos o local onde iríamos jantar e pernoitar – Planet Lodge em Arusha, para pela manhã do dia seguinte, bem cedinho iniciar o percurso que nos conduziria à icónica cratera de Ngorongoro.
Saindo do Planet Lodge estávamos a cerca de 170 km – 3 horas (estrada alcatroada até Lodoare) para atingir o local onde iríamos verdadeiramente começar a nossa “jornada”!

(no trajeto parámos na African Galleria – um pequeno centro comercial com uma entrada impressionante e cativante com animais metálicos e uma gigantesca cabeça de elefante. É um espaço que quase parece um museu pelas obras de arte de alta qualidade e esculturas em madeira (com artistas a pintar ou executar peças de madeira). Tem, assim, ao dispor uma variedade de pinturas de requinte (com uma imensidão de tons, com motivos de Africa – passando isso por animais e os célebres Maasais com as suas vestes coloridas), esculturas em madeira, cerâmica, roupas tradicionais, pedras preciosas, incluindo a famosa tanzanite, jóias … Tem também casas de banho e espaços de restauração disponíveis e uma área de estacionamento para qualquer tipo de veículo.)









CRATERA: NATUREZA E VIDA SELVAGEM
Começámos por contemplar a cratera de Ngorongoro do Heroes’ Point – (situado no bordo da cratera- 2200 metros acima do nível do mar) plano alto das suas falésias donde se obtém a primeira visão alucinante da própria cratera – é de cortar o fôlego: oferece uma paisagem abrangente, fascinante e relaxing oscilando entre vários tons.



A partir daí era ter espírito de aventura e gozar a natureza e a vida selvagem em trilhos de terra batida que variavam entre esburacados a desafiantes.
Depois desse primeiro momento com algo que é considerado uma das maiores atrações da Tanzânia, queríamos muito contactar com a flora e fauna da Cratera de Ngorongoro que oferecia todas as condições necessárias à vida dos animais selvagens: água e comida.


A descida até ao fundo da vastíssima cratera era de uma beleza estonteante. Os tons da borda da cratera faziam contraste com o azul do céu e o branco das nuvens. A vegetação é luxuriante sendo de destacar a imensidão e variedade de acácias.



Tudo isto obrigava a paragens sem conta para registar momentos que irão perdurar nas nossas memórias, tendo desde logo sido bafejados pela sorte: as primeiras zebras surgiram bem como alguns macacos. Estava chegado o momento do safari e de desvendar quais os seus “habitantes”.



Era como que um jogo! O nosso Tour Leader Artur Cabral tinha elaborado uma lista com as respetivas imagens e um quadrado relativo a cada animal. Agora cabia-nos a nós ir registando cada um que víssemos! Era um duplo desafio! Queríamos muito ver aqueles “bichinhos” que constavam na folha, ao vivo e a cores, e marcá-los com um visto! Parecíamos miúdos, a ver quem descobria primeiro o que surgia naquela extensa planície.
Não há palavras para expressar a sensação de estarmos perante um “Jardim Zoológico” incomensurável ao ar livre com uma extensão a perder de vista.
Quando se designa que estamos em modo safari os jeeps levantam os seus tetos para nos sentirmos mais perto de todos os animais que nos irão encantar ao longo do trajeto realizado no Ngorongoro.
Á medida que o nosso simpático e disponível driver percorria lentamente o fundo da cratera, tínhamos dificuldade em saber para onde dirigir o olhar! Se para a esquerda, se para a direita, se para a frente, se para trás… É um delírio quando nos sentimos rodeados de uma imensidão e variedade de animais que irão fazer parte para todo o sempre da nossa história de vida!
Começaram a surgir zebras – umas adultas, outras ainda muito jovens com as suas riscas brancas e acastanhadas, sempre a acompanhar o ritmo das “mães”: umas deslocavam-se ao longo da planície ou atravessavam a estrada à frente dos jeeps, outras alimentavam-se, sendo que todas elas nos encantavam com uma característica muito peculiar – a sua cauda sempre em movimento!



Mas nem só de zebras “vivia” aquele “jardim do Éden” (nome pelo qual é conhecido o Ngorongoro)!

Muitos gnus,



gazelas, búfalos …



juntaram-se também para fazer parte do “filme” bem como uma série de aves, até que se começava a avistar um SIMBA ou rei LEÃO que estava debruçado sobre uma carcaça (pareceu-nos de gnu).


Ele fez-nos pensar que também nós tínhamos os estômagos a reclamar. Dirigimo-nos para um dos locais destinados a piqueniques.

Foi muito agradável poder sair do jeep e poder gozar toda a paisagem envolvente à beira de um lago com hipopótamos, que se refrescavam e ignoravam a nossa presença mesmo quando fotografados, e sentirmo-nos “visitados” por uma imensidão de galinhas de Angola, aves de rapina e pássaros de várias espécies que queriam participar do nosso momento.




Mas … tínhamos que prosseguir em “busca” de mais e mais pois o tempo urgia, uma vez que a Área de Conservação de Ngorongoro encerrava às 18h!
Um amigo leão regalou os nossos olhares outra vez! É impressionante pois apesar de já termos contemplado um, reagimos como se fosse a primeira vez! Não há palavras para expressar momentos como este! Sempre de olhos bem abertos e empoleirados para nos sentirmos mais perto do que pudesse surgir, lá fomos bem atentos e valeu a pena!
Muitas amigas hienas quiseram encantar mais um momento da nossa tarde


bem como mais umas quantas girafas, gazelas, búfalos, uma imensidão de gnus que oscilavam entre alimentar-se, correr, andar ao longo da planície, beber água ou ainda atravessando a estrada à frente dos jeeps.
E mais…. um amigo rinoceronte também quis fazer parte da nossa lista! É impossível ficar indiferente a todas estas movimentações!


Mas… mais surpresas iríamos ter!
Na passagem por um pequeno lago, pudemos observar muitos flamingos-rosados que refletidos na água ainda tornavam o cenário mais deslumbrante!


Imediatamente antes de começarmos a subida que nos conduzia ao portão da saída ainda vimos uma quantidade considerável de elefantes, percebendo-se que estávamos perante famílias completas, querendo isto dizer que havia também elefantes juvenis que seguiam os seus progenitores.



Não ficámos por aí! Ainda surgiram uns quantos macacos deambulando por ali


e dirigindo os nossos olhares para cima, nos ramos mais altos das de árvores, marabus abrilhantavam o céu.


E agora esperava-nos uma subida picada de curvas e contra-curvas de cerca de 600 metros de desnível, que nos conduziria ao fim do safari de hoje.
Mas o dia não terminava aqui!
Ainda iríamos gozar o trajeto até ao alojamento no seio de paisagens encantadoras, o fim de tarde e jantar no Ngorongoro Rhino Lodge (a poucos quilómetros do portão de saída do Parque de Ngorongoro).
Este tinha sido apenas o primeiro dia de aventuras em terras tanzanianas!
A cratera de Ngorongoro é um local fascinante, que abriga milhares de animais selvagens que vivem em liberdade plena! Foi designada por alguns naturalistas como sendo a “oitava maravilha do mundo” e percebe-se porquê!
Sem dúvida alguma … um paraíso imperdível!