Maasai – um povo sem fronteiras

Os Maasai são conhecidos internacionalmente pela sua cultura muito própria, pelos seus rituais, pelo canto, dança e pelos seus saltos, trajes característicos e personalizados – túnicas vermelhas e quadriculadas (habitualmente) – e por serem guerreiros corajosos.

QUEM SÃO OS MAASAI?

Os Maasai são o único grupo étnico autorizado a deslocar-se livremente entre o Quénia e a Tanzânia.

Os Maasai, antiga tribo de guerreiros, são, hoje em dia, pastores semi-nómadas que circulam entre as terras do sul do Quénia e do norte da Tanzânia em busca de capim para alimentar os seus rebanhos, e embora a sua vida gire em torno do gado, já há alguns Maasais estabelecidos e com um emprego, tentando respeitar, no entanto, as suas tradições. Atualmente as crianças são obrigadas a frequentar a escola. Não há a certeza quanto ao número total de Maasais uma vez que eles circulam entre os 2 países ( Quénia e Tanzânia) mas pensa-se que possam ser cerca de 850.000.

LÍNGUA DO POVO MAASAI

 O idioma dos Maasais é o maa, sendo por eles falado no sul do Quénia e no norte da Tanzânia.

ONDE VIVEM?

Sendo os Maasais semi-nómadas vivem em aldeias temporárias designadas bomas, cercadas por acácias cheias de espinhos, para evitar que leões ou outros animais selvagens ataquem as vacas. As aldeias apresentam uma forma circular sendo constituídas por várias pequenas cabanas (manyatas) feitas de esterco de vaca e barro, dispostas em círculo para que as vacas durante a noite fiquem mais protegidas dos animais selvagens.

AS SUAS TRADIÇÕES

PASTOREIO

Para o povo Maasai, as vacas constituem a sua riqueza sendo a sua cultura centrada na crença de que Deus (chamado Engai, ou Enkai, na língua Maa da tribo) criou o gado especialmente para eles, considerando-se assim os guardiões de todo o gado do mundo, significando o consumo da carne e do leite das vacas um ato sagrado, que as une ao seu criador. Assim sendo, a sua dieta depende tradicionalmente do leite, sangue e carne do seu gado.

O povo Maasai costumava ser nómada e praticava o pastoreio tradicional de gado, vivendo em harmonia com a vida selvagem ao longo dos anos, significando isso mover os seus rebanhos, na sua maioria vacas e também algumas cabras, de um lugar para outro, para que o capim pudesse crescer novamente.  Os Maasai, um povo que desde há muito, pelas suas migrações sazonais por grandes extensões de território (por todo o Vale do Rift), permitindo que a terra recupere, têm contribuído para um planeta mais sustentável e saudável: respeito pela terra e pelos animais, podendo-se afirmar que têm sido os guardiões das savanas.

Mas isso só tem sido possível graças a um sistema de posse de terra comunitário em que todos partilham o acesso à água e pastagem. No entanto, apesar do seu antigo ideal ser viver exclusivamente do gado, hoje em dia eles também precisam de cultivar e sentem-se cada vez mais forçados a tornarem-se sedentários sendo que muitos já trabalham tanto nas cidades quanto no turismo.

VESTES

As vestimentas do povo Maasai e a ornamentação corporal são únicas e distintas!

Porquê?

As suas shukas são algo icónico, bem como os seus adereços!

O que é uma shuka? É um pedaço de tecido grosso, geralmente vermelho com um padrão listrado ou xadrez em azul ou preto, que é usado como roupa pelos Maasai, enrolado no corpo.

O vermelho, para os Maasai, é a cor mais importante, pois para eles simboliza coragem, bravura e força, no entanto mais cores se juntam ao vermelho, sendo sempre interessantes.

Os Maasais são, assim, conhecidos pelas suas túnicas, tradicionalmente, vermelhas e quadriculadas mas não só! É interessante observar o seu calçado! Fazem os seus chinelos aproveitando pneus.

As mulheres Maasai para além da shuka exibem adereços belos e coloridos: gigantescos colares, brincos e pulseiras.

A roupa e adereços do povo Maasai têm tido tamanho realce que têm sido amplamente imitados por estilistas modernos, incluindo Louis Vuitton bem como muitos designers de jóias sofisticadas que também já se inspiraram nas peças Maasais.

ERA UMA VEZ UMA SHUKA…

Muitas histórias se podem tentar contar em redor das vestes dos Maasai!

Supostamente, antes da colonização da África, o povo Maasai usava roupas de couro e só teriam começado a substituir as peles dos animais (bezerros e ovelhas) por tecido de algodão já no século XX (por volta de 1960), tendo vindo a shuka substituir as roupas de pele de animal.

Mas como e porquê escolheram o tecido shuka ainda não está claro hoje. Há quem afirme que o pano Maasai possa ter sido trazido e introduzido durante a era colonial por missionários escoceses, pela semelhança do tecido axadrezado ou aos padrões tartãs (padrão quadriculado de estampas, composto de linhas diferentes e cores variadas) escoceses, usados nas suas kilts (saias típicas usadas pelo povo escocês). Tem alguma lógica mas não há certezas!

O passado do tecido Shuka pode ainda ser um mistério, mas parece, no entanto, destinado a conquistar o futuro, pois nos últimos anos os tecidos shuka apareceram no mundo da moda e ganharam fama em todo o mundo!

DANÇA E SALTO

O povo Maasai é também conhecido pela sua beleza física e pelo seu físico esguio que, como é lógico, ajuda no ato de saltar, praticado desde a infância.

Entre as muitas cerimónias de canto e dança, praticadas e executadas de uma forma estratégica e acrobática pelos jovens guerreiros Maasai, a mais conhecida é, sem dúvida, o adumu conhecida como dança dos saltos.

Neste ritual, os jovens homens Maasai reúnem-se em semicírculo cantando e libertando gritos de alta energia ritmicamente e em uníssono: cada um dá um passo à frente do grupo e salta várias vezes para o alto, o mais alto que pode. Os que saltam mais alto e de forma mais reta são considerados os mais valentes … e também acabam por impressionar as mulheres. Funciona como uma competição e demonstração de força para os jovens guerreiros Maasai que desejam atrair as raparigas que um dia poderão vir a ser suas esposas.

Eles têm uma vitalidade tão singular que conseguem dançar e saltar durante horas, balançando a cabeça e o tronco para trás e para a frente, impulsionando o salto, pulando o mais alto possível sendo quase impossível vencer um Maasai numa competição de salto.

MASCULINIDADE E STATUS

Outrora para os jovens Maasai se tornarem guerreiros (morani) e atingirem a maioridade, masculinidade e status, como parte do ritual, tinham que caçar e matar um leão com as suas próprias mãos. Devido à proteção da população de leões em extinção, isso deixou de constituir um pré-requisito. Essa tradição foi substituída, entre outras coisas, por uma festa que dura alguns dias fazendo o adumu (dança com salto) parte da cerimónia do ritual de maioridade, uma vez que para alcançar uma altura para poder dar pulos altos exige muita força e condicionamento físico. A bravura feroz dos morani continua , assim, a ser reverenciada ainda nos dias de hoje.

RELIGIÃO

Os Maasai em tempos idos reverenciavam um deus que eles consideravam viver em todas as coisas, professando, assim, uma religião animista monoteísta. Hoje, porém, muitos Maasai pertencem a diferentes igrejas.

VISITA A UMA COMUNIDADE MAASAI

Não deve haver viajante algum que despreze a hipótese de visitar uma comunidade Maasai e aprender um pouco sobre a sua cultura, forma de ser e de estar. É provável que todos os guias ou empresas turísticas encaixem a visita a uma comunidade Maasai num dos itinerários de safari. Apesar de se perceber, de um todo, que estávamos perante um espetáculo para turistas, foi uma experiência interessante. Será benéfico para estas comunidades? Fica a pergunta!

Assim que se chega à aldeia, para nos sentirmos mais integrados e Maasais por alguns momentos, é toca a colocar a manta/shuka (que nos foi oferecida no 1º dia pela empresa com a qual vivenciámos a nossa experiência em terras africanas – The Claws of Africaescolhida pelo nosso Tour Leader – Artur Cabral) passando a visita por vários momentos:

RECEÇÃOcom canto, dança e salto
VISITA A UMA HABITAÇÃOcom um guia
VISITA A UMA ESCOLAcom um guia
VISITA AO “MERCADO” no centro da aldeia várias bancas com colares típicos, pulseiras, peças em madeira esculpida, peças decorativas, …

Era toca a vivenciar uma experiência única nas nossas vidas, passando isso:

– 1º – por observar as danças das mulheres ao som das suas canções e os saltos fenomenais dos homens, sendo que a seguir fomos convidados a participar tentando cada um de nós corresponder de acordo com o seu jeito. É claro que os homens do nosso grupo quiseram participar e imitar os jovens Maasai nos seus saltos mas dificilmente se aproximaram das alturas alcançadas pelos “guerreiros” que praticam desde a infância. Foi giro!

Mas isto era apenas um warming up!

– 2º – De seguida fomos visitar alguns locais na pequeníssima aldeia com um guia, começando por uma habitação/casa pequeníssima e inimaginável – onde supostamente viveria uma família. Depois de entrarmos num espaço minúsculo, o guia senta-se e pede para nos sentarmos também, explicando-nos que estamos sentados no seu quarto/cama, apontando depois para o lado mencionando que é o quarto das crianças e perto de onde está sentado diz-nos que “é onde se fazem as refeições” e por cima, nessa direção, há uma pequena abertura para o fumo sair. E pronto! Está feita a descrição do espaço habitado por uma família!

– 3º – De seguida e a uns passos de distância localizava-se a escola com capacidade para cerca de 18 – 20 crianças no máximo. (Quando estas crianças se tornam maiores têm que ir frequentar outras escolas fora da aldeia tendo que percorrer alguns quilómetros diariamente). Junto à secretária da professora existe uma caixa onde se pode deixar a quantia que se quiser enquanto donativo.

É normal ir-se tirando fotografias tanto com crianças como com os adultos.

– 4º – E faltava passar pelo “mercado” ou bancas ao ar livre com uma oferta considerável desde: os famosos colares Maasai, as pulseiras, os brincos, malas, pratos em madeira bem como peças decorativas, etc… mas com preços inflacionados, próprios para turistas endinheirados! Se, no entanto, estiverem interessados em comprar alguma/algumas peças ofereçam um preço que vos pareça justo! Acabámos por deixar um donativo!

E pronto! Volvido que estava mais um momento na Tanzânia, era toca a prosseguir caminho!

P.S. Deixo aqui um agradecimento ao nosso Tour Leader e World Traveler, que também se dedica ao mundo da fotografia, pela cedência de algumas fotografias para este meu artigo.

Podem segui-lo e contactá-lo através das redes sociais – Facebook ou Instagram

ARTUR CABRAL – Photographer, Tour Leader e World Traveler.  facebook.com/ARTURCABRALPHOTO ou http://www.arturcabral.com

Quem quiser acompanhar também uma europeia que decidiu abraçar o mundo dos Maasai, tendo casado com um deles, deixo-vos aqui o link dela – Stephanie Fuchs:

https://instagram.com/masai_story?igshid=YmMyMTA2M2Y=










 

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