

| A – LOCALIZAÇÃO |
| B – UM POUCO DA SUA HISTÓRIA |
| C – GENERALIDADES |
| Fuso Horário Moeda Língua |
| D – INFORMAÇÕES ÚTEIS |
| Quando ir Como ir Como se deslocar |
| E – O QUE VISITAR/FAZER |
A – LOCALIZAÇÃO
O Egito é um país que fica entre o nordeste da África e o Médio Oriente. Faz fronteira com a Líbia a oeste, a sul com o Sudão e a nordeste com Israel. O país controla o canal de Suez, que liga o Mediterrâneo ao mar Vermelho.
B – UM POUCO DA SUA HISTÓRIA!
O Egito é um país que nos faz recuar ao tempo dos faraós, oferecendo monumentos colossais construídos há milénios.

O Egito atual tem mais de 1 milhão de Km2 de superfície, sendo 94% apenas deserto. Os principais centros urbanos estão localizados ao longo do vale do rio Nilo e no seu delta, razão pela qual 99% da população egípcia (98 milhões de habitantes) usa apenas 5,5% da área total do país. Devido à ausência de chuvas em quantidade relevante, a agricultura do Egito depende inteiramente da irrigação. As inundações do rio Nilo foram fundamentais para a sua economia durante milénios, mas a construção da barragem de Assuão em 1970 passou a permitir o controlo do fluxo das águas, trazendo grandes benefícios para a agricultura e para o desenvolvimento industrial devido à produção de energia elétrica em larga escala. Esta obra gigantesca deu origem ao maior lago artificial do mundo, o Lago Nasser.

Na pré-história, a atração das comunidades nómadas da região para os terrenos férteis das margens do rio Nilo deu origem a uma das mais importantes civilizações da Antiguidade, assim como a uma cultura que permaneceu relativamente inalterada por mais de 3000 anos.

No final do período Paleolítico (c. 13.000 a 10.000 a.C.) o clima árido do Norte de África tornou-se cada vez mais quente e seco, forçando as comunidades nómadas de caçadores-recoletores da região a concentrarem-se nas margens do rio Nilo. Estas planícies férteis possibilitaram o desenvolvimento de uma economia agrícola sedentária e de uma sociedade organizada, dando início ao período Neolítico (Idade da Pedra Polida: entre 10.000 e 4.600 a.C.). Por volta de 3.500 a.C. estes povos agruparam-se em duas comunidades, designadas atualmente por Reino do Sul (Alto Egito ou território da Núbia) e Reino do Norte (Baixo Egito, na região do delta do Nilo). Enquanto as populações do Alto Egito apresentavam características étnicas mais afins com o africano típico, as do Baixo Egito tinham pele e olhos mais claros.
Entre 3.200 e 3.100 a.C. os dois reinos foram unificados pela primeira vez num único estado, cuja capital foi colocada em Memphis, ao nível da fronteira entre o Alto e o Baixo Egito, no ponto em que o rio Nilo se ramifica para formar o seu delta. Contudo, cada reino manteve o seu próprio símbolo de realeza: a coroa vermelha no Baixo Egito e a coroa branca no Alto Egito, pelo que a partir dessa altura os faraós passaram a usar uma coroa dupla (de forma a realçar o seu poder sobre os dois territórios). Acredita-se que esta unificação tenha acontecido no reinado de Narmer (ou Menés), que era o governante do Alto Egito, em virtude de se ter descoberto uma placa de pedra (a Paleta de Narmer) com inscrições e relevos representando o referido acontecimento histórico. É a peça mais antiga que se conhece em que se encontra registada uma figura histórica identificada pelo seu nome, o rei Narmer (ou Menés) que é considerado o primeiro faraó.


Após a unificação do Egito pelo faraó Narmer (c. 3.100 a.C.) seguiram-se 30 dinastias faraónicas, considerando-se 3 períodos de maior prosperidade (Império Antigo, Império Médio e Império Novo) intercalados por períodos de decadência (chamados Períodos Intermédios), a que se seguiu o Período Tardio (ou Época Baixa) caracterizado pela invasão de outros povos (Assírios, Persas e Gregos), no qual se destacam o Período Persa entre 525-332 a.C. e o Período Helenístico (Dinastias Macedónica e Ptolomaica, de origem grega) entre 332-30 a.C.
As dinastias faraónicas terminaram em 30 a.C. quando o Egito foi conquistado por um exército romano liderado por Otaviano e passou a ser uma província romana (período Romano-Bizantino: de 30 a.C. a 639 d.C.), até à chegada dos árabes no século VII d.C.
PERÍODOS HISTÓRICOS
| Período Pré-dinástico (anterior a 3.100 a.C) |
| Período Dinástico Precoce (3.100 – 2.686 a.C.) |
| Império Antigo (2.686 – 2.160 a.C.) |
| 1º Período Intermédio ou de decadência (2.160 – 2.055 a.C.) |
| Império Médio (2.055 – 1.630 a.C.) |
| 2º Período Intermédio ou de decadência (1.630 – 1.550 a.C.) |
| Império Novo (1.550 – 1.069 a.C.) |
| 3º Período Intermédio ou de decadência (1.069 – 664 a.C.) |
| Época Baixa ou Período Tardio (664 – 332 a.C.) |
| Período Helenístico (332 – 30 a.C.) |
| Período Romano-Bizantino (30 a.C. – 639 d.C.) |
| Período Árabe (639 – 1516 d.C.) |
| Período Otomano (1516 -1805 d.C.) |
| Invasão de Napoleão em 1798 |
| Mohammed Ali (1805-1849) e os seus sucessores |
| Ocupação do Egito pelas tropas britânicas em 1882 |
| Egito Moderno |
| Período Pré-dinástico (anterior a 3.100 a.C) |
| Período de tempo que decorreu entre o final do Neolítico (aproximadamente 4.600 anos a.C) e o início da monarquia faraónica iniciada pelo rei Narmer (ou Menés) por volta de 3.100 a.C. |
| Período Dinástico Precoce (3.100 – 2.686 a.C.) |
| Unificação do Egito pelo rei Narmer (c. 3.100 a.C.), que é considerado o 1º faraó Este período corresponde à 1ª e 2ª dinastias de faraós Construção de mastabas. Deslocação da capital de Tinis para Memphis |
| Império Antigo (2.686 – 2.160 a.C.) |
| Da 3ª à 6ª dinastia de faraós. O faraó era considerado uma divindade (a encarnação do deus Hórus) e governava com poder absoluto. Período de 500 anos de paz e de prosperidade. Construção da Necrópole de Saqqara: mastabas construídas com tijolos de lama. Construção da Pirâmide Escalonada em 2.700 a.C. pelo arquiteto Imhotep e das primeiras Pirâmides no planalto de Gizé (2.700 – 2.600 a.C.), atribuídas aos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos. Admite-se que a Grande Esfinge de Gizé tenha sido construída neste período. |





| 1º Período Intermédio ou de decadência (2.160 – 2.055 a.C.) |
| Enfraquecimento do poder central. Admite-se que o dispêndio com a construção das grandes pirâmides, talvez associado a uma sequência de maus anos agrícolas, tenham prejudicado a economia do país. O longo reinado do faraó Pepi II (ocupou o trono do Egito durante 94 anos, desde os 4 anos de idade) pode ter agravado o problema devido à sua debilidade física nos últimos anos do reinado. Os governantes locais começaram a competir entre si pelo controlo territorial e poder politico, tendo-se estabelecido um clã que controlava o Alto Egito e outro o Baixo Egito. À medida que o clã do Alto Egito cresceu em poder e se expandiu para norte, um confronto entre os dois rivais tornou-se inevitável. Cerca de 2 055 a.C. as forças de Tebas (Alto Egito) derrotaram os governantes do Baixo Egito, unindo os dois territórios e dando origem a um período de renascimento económico e cultural conhecido como Império Médio. |
| Império Médio (2.055 – 1.630 a.C.) |
| Da 11ª à 14ª dinastias de faraós. A cidade de Tebas passou a ser a capital do Egito e sofreu grande desenvolvimento. Início da construção do Templo de Karnak (11ª dinastia), dedicado ao deus Amun. Sucessivos faraós fizeram melhoramentos neste complexo de templos, de modo a deixar a sua marca para a posteridade. Os faraós da 12ª dinastia mudaram a capital novamente para Memphis. Desenvolvimento das artes e da literatura. Campanhas militares bem sucedidas expandiram o território do Egito, tendo sido encontradas minas de cobre na Palestina e de ouro na Núbia. Entre 1.800 e 1.700 a.C. os hebreus retiraram-se da Palestina e chegaram ao Egito. Centralização do poder no faraó e substituição dos governadores regionais. Muitos destes novos governadores eram de origem estrangeira, que se tinham fixado no Egito ao longo dos últimos 150 anos (os Hicsos: povo nómada de origem asiática). Em virtude de estarem infiltrados no governo e aproveitando um período de instabilidade política, os Hicsos assumiram o poder em 1.650 a.C. dando início ao 2º Período Intermédio. |



| 2º Período Intermédio ou de decadência (1.630 – 1.550 a.C.) |
| Seguiu-se um período de grande instabilidade, com guerra civil intermitente e o país voltou a ser dividido em região norte e região sul. Em 1.550 a.C. o faraó Seqenenre Taa II e os seus 2 filhos conseguiram expulsar os Hicsos e unir novamente o Egito, dando origem ao Império Novo. |
| Império Novo (1.550 – 1.069 a.C.) |
| Após a expulsão dos Hicsos e a reunificação do Egito, seguiu-se um período de grande prosperidade. O grande desenvolvimento militar permitiu a conquista de um vasto território. Nessa época foram construídos alguns dos monumentos mais imponentes do Egito: Templo de Luxor, Templos de Abu Simbel, a necrópole do Vale dos Reis e o Templo Funerário de Hatshepsut (próximo do Vale dos Reis). |




O conhecimento atual da história do Antigo Egito permite destacar algumas figuras:
– Hatshepsut foi uma mulher que nasceu no início do séc. XIV a.C. e pertenceu à 18ª dinastia de faraós. Foi esposa (e meio-irmã) do faraó Tutmosis II, regente do seu enteado (o faraó Tutmosis III) e rainha-faraó durante 15 anos: 1.473-1.458 a.C. O seu reinado correspondeu a um período de prosperidade económica. Construção do Templo Funerário de Hatshepsut.



– Tutmósis III (1.481-1.425 a.C.) assumiu a governação após a morte de Hatshepsut, em 1.458 a.C.) e continuou as campanhas militares que ele já tinha iniciado no reinado da sua madrasta. Os egiptólogos modernos deram-lhe o nome de “Napoleão do Antigo Egito” em virtude de ter expandido o Império Egípcio até ao rio Eufrates, na Ásia Menor.
– Amenotép (ou Amenofis) III, o Magnífico (1.400-1.353 a.C.) teve um reinado marcado por 37 anos de paz, que é considerado como um dos períodos de maior grandiosidade cultural e artística do Antigo Egito, adicionando construções elaboradas em Karnak e iniciando a construção do Templo de Luxor, que eram centros religiosos dedicados ao deus Amun, patrono de Tebas. Idealizou a fusão do prestigiado deus Amun com Ra (o deus do Sol), dando origem a Amun-Ra, considerando-se ele próprio filho de Amun e a encarnação de Ra (provavelmente por litígio com os sacerdotes de Amun) e começou a construir monumentos em honra da sua própria divindade. Uma dessas construções foi um grande templo funerário próximo de Tebas, que incluía duas estátuas gigantes dele próprio, conhecidas atualmente por Colossos de Mémnon. Estava aberto o caminho para as reformas que o seu filho – Amenótep IV – iria realizar.




– O faraó Amenótep (ou Amenófis) IV, ou Akenáton, (1.372-1.336 a.C.) da 18ª dinastia era filho de Amenotep III e reinou durante 17 anos. Juntamente com a sua esposa principal (a rainha Nefertiti) realizou uma reforma religiosa, abandonando o tradicional politeísmo religioso do Egito e oficializando o culto monoteísta do deus Aton. Mudou o seu nome para Akenáton e mandou construir a cidade de Aketáton que passou a ser a capital do Egito. Seguiram-se grandes conturbações sociais no país e após a sua morte (14 anos após a reforma religiosa), o faraó Tutankamun (seu filho) restabeleceu o culto dos antigos deuses e mudou a capital do Egito novamente para Tebas. A cidade de Aketáton acabou por ser destruída.
– Nefertiti (1.370-1.330 a.C.) foi a esposa principal do faraó Amenófis IV (ou Akhenáton) e provavelmente exerceu o cargo de faraó durante um curto período após a morte do marido (antes da sucessão de Tutankamun). Tornou-se mundialmente famosa devido à descoberta do seu busto em 1912 (por um arqueólogo alemão), que atualmente está exposto no Neues Museum em Berlim e é um dos objetos de arte do Antigo Egito mais conhecidos.


– Tutankamun (1.341-1.323 a.C.) foi um faraó da 18ª dinastia, tendo ascendido ao trono aos 9 anos de idade (c. 1.332 a.C.). Era filho do faraó Amenófis IV (ou Akhenáton) e de uma esposa secundária (era enteado da rainha Nefertiti). No seu reinado foi desfeita a reforma religiosa realizada pelo seu pai. É um dos faraós mais conhecidos do grande público em virtude de o seu túmulo (descoberto em 1922) ser o único que, até ao momento, foi encontrado inviolado, por se encontrar debaixo de uma outra construção, tendo assim ficado escondido dos assaltantes.


– Horenheb (era um antigo escriba) foi o último faraó da 18ª dinastia, tendo sido os seus sucessos militares e a sua governação que conseguiram restabelecer a ordem social e a grandiosidade do Império Novo. Este caminho foi seguido pelos governantes da 19ª dinastia.
– Ramsés II, o Grande (1.303-1.213 a.C.), 3ª faraó da 19ª dinastia, governou durante 64 anos, tendo o seu longo reinado correspondido ao auge da civilização egípcia. As campanhas militares sucederam-se, tornando o Egito a primeira potência da zona do Médio Oriente e Norte de África. A sua esposa, a rainha Nefertari desempenhou papeis importantes na vida política do Egito. Os Templos de Abu Simbel (1.264-1.244 a.C.) foram construídos durante o seu reinado.








Segundo a Bíblia, foi no seu reinado que Moisés terá vivido e libertado o povo hebreu da escravidão, liderando uma longa peregrinação até à terra de Canaã.
– Ramsés III (1.217-1.155 a.C.) foi o 2º faraó da 20ª dinastia e o seu reinado durou aproximadamente 31 anos (1.194-1.163 a.C.), sendo considerado como o último faraó do Império Novo a exercer uma grande autoridade sobre o Egito. Defendeu o Egito da invasão dos Líbios e de outros povos do Mediterrâneo, mas os seus sucessores foram menos eficazes em reprimir estas invasões. Seguiram-se lutas entre os sacerdotes e os faraós nos reinados posteriores (Ramsés IV a Ramsés XI) que enfraqueceram o Estado, facilitando a invasão do Egito por outros povos e conduzindo ao 3º Período Intermédio.
| 3º Período Intermédio ou de decadência (1.069 – 664 a.C.) |
| Invasão dos Líbios, seguida por um período de alguma estabilidade. Invasão dos Assírios em 669 a.C. Apesar da expulsão dos Líbios e dos Núbios (que marcaram o final do 3º Período Intermédio), o Egito nunca mais se livrou de invasões estrangeiras. |
| Época Baixa ou Período Tardio (664 – 332 a.C.) |
| Começou com a 25ª Dinastia, de origem núbia. Invasão dos Assírios em 669 a.C. Invasão dos Persas em 525 a.C. Reinaram durante quase 200 anos (em 2 períodos) e não respeitaram a cultura e religião dos egípcios. Construção da Avenida das Esfinges (entre 380 e 360 a.C. no reinado de Nectanebo I – 30ª dinastia de faraós), que liga os templos de Karnak e de Luxor. Seguiu-se o 2º Período Persa e a partir de então o Egito deixaria de ser independente por mais de 2000 anos. Em 332 a.C. o representante da autoridade persa no Egito entregou sem grande resistência aquele território a Alexandre, o Grande, da Macedónia. |

| Período Helenístico (332 – 30 a.C.) |
| O período helenístico marca a transição da civilização grega para a romana, referindo-se ao periodo da história da Grécia e parte do Médio Oriente compreendido entre a morte de Alexandre, o Grande (Alexandre III da Macedónia) em 323 a.C. e a anexação da peninsula grega e das suas ilhas à República Romana em 146 a.C. Caracterizou-se pela difusão da cultura grega numa vasta área territorial, tendo sido um período de grande desenvolvimento científico (foi a época de Arquimedes e de Euclides) e durante o qual foram fundades várias cidades pelos gregos, nomeadamente Alexandria. Considera-se Período Helenístico do Egito o tempo que decorreu entre a conquista do país por Alexandre, o Grande, em 332 a.C. e a morte de Cleópatra VII em 30 a.C. altura em que o Egito passou a ser uma província romana. |
| Em 332 a.C. Alexandre, o Grande, conquistou o Egito com pouca resistência dos persas e foi recebido pelos egípcios como um libertador, em virtude de os ter livrado do domínio persa, que não respeitava as tradições nem as religiões do Egito. Durante a sua breve estadia no Egito, Alexandre, o Grande, definiu o plano para a construção da cidade de Alexandria e ofereceu sacrifícios aos deuses egípcios. |
| A Dinastia Macedónica no Egito teve origem com a anexação do país ao gigantesco Império Macedónico, em 332 a.C. Após a morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C. sucedeu-lhe o meio-irmão Filipe III Arrideu da Macedónia (323-317 a.C.) e, mais tarde, o seu filho Alexandre IV (317-309 a.C.) com 5 apenas anos de idade! Este último foi assassinado aos 14 anos, tendo o Império Macedónico sido dividido em 4 grandes províncias e a governação da cada uma atribuída a antigos generais de Alexandre, o Grande. Ptolomeu I Sóter foi o general a quem coube a governação do Egito, mas declarou-se faraó independente do Egito em 305 a.C. dando origem à Dinastia Ptolomaica, que terminou em 30 a.C. com a morte de Cleópatra VII. |
Ptolomeu I Sóter instituiu o culto dinástico do rei-salvador (Sóter, seguindo a tradição dos antigos faraós) e recusou-se a pagar o tributo ao rei da Macedónia (sucessor de Alexandre, o Grande). Fundou um império poderoso baseado em novas formas administrativas, conseguindo um grande sucesso económico e cultural. A cidade de Alexandria passou a ser a capital do Egito e foi alvo de grande desenvolvimento económico e cultural, tornando-se a cidade mais importante do mundo Antigo, sendo de realçar o Farol de Alexandria (que já não existe) e a sua famosa Biblioteca Alexandrina, destruída pelo fogo em data incerta (são apontados o período final da governação de Cleópatra VII ou o Período Árabe, separados por 700 anos!) e que reabriu ao publico em 2002, ostentando arquitetura e tecnologia modernistas.




Durante este período, apesar de ser governado por um país estrangeiro, o Egito voltou às suas tradições e rituais funerários e foram construídos templos em estilo egípcio, em honra das divindades tradicionais do país, nomeadamente o Templo de Philae (dedicado a Ísis, a deusa do amor), o Templo de Kom Ombo, o Templo de Edfu (dedicado a Horus e Hathor) e os edifícios atuais do Templo de Dendara.




Os governantes (de origem grega) retratavam-se a si próprios como faraós, mas apesar dos seus esforços, foram contestados por rebeliões locais e rivalidades entre famílias poderosas, que conduziram à instabilidade política.
A dependência de Roma relativamente à importação de cereais do Egito levou ao envio de tropas romanas, inicialmente com o intuito de assegurar a paz e mais tarde para anexar o país.
O último governante ptolomaico foi Cleópatra VII que herdou o trono em 51 a.C. e reinou durante 21 anos (até 30 a.C. quando se suicidou). Restaurou a grandiosidade do Egito em face das ambições expansionistas de Roma. O seu suicídio marca o fim do Antigo Egito, que então passou a ser uma província romana.
| Período Romano-Bizantino (30 a.C. – 639 d.C.) |
| A partir do momento em que o Egito foi integrado na República Romana (ano 30 a.C.) os governantes romanos passaram a considerar-se sucessores dos faraós, mas continuaram a residir em Roma. O Período Imperial da Roma Antiga só teve início no ano 27 a.C. (com Otaviano) e terminou em 476 d.C. (queda do Império Romano do Ocidente). Em 395 d.C. o Império Romano foi dividido em duas partes (Império Romano do Ocidente e do Oriente), tendo o Egito ficado incorporado no Império Romano do Oriente (ou Bizantino), que se manteve até 1453 d.C. (data da conquista de Constantinopla pelos turcos Otomanos). O imperador romano Constantino converteu-se ao Cristianismo em 313 d.C. e os cultos cristãos passaram a ser permitidos. A expansão rápida deste culto religioso representou uma força importante para a união do Império Romano, tendo-se tornado a sua religião oficial em 380 d.C. Em 391 d.C. o Imperador romano Teodósio I proibiu os ritos pagãos e os templos egípcios foram fechados ou transformados em igrejas, levando ao declínio do sistema religioso tradicional do país. Os escribas paulatinamente deixaram de existir, o que inviabilizou a leitura dos hieróglifos. |
| Período Árabe (639 – 1516 d.C.) |
| O domínio bizantino do Egito terminou com a invasão árabe no séc. VII d.C. (639-646) e o Egito tornou-se parte do império Islâmico em expansão. Após a submissão do Egito, a resistência dos nativos perante a ocupação árabe começou a materializar-se, tendo durado até ao século IX. Ainda no séc. VII d.C. os árabes impuseram um imposto especial aos egípcios cristãos. Nos séculos seguintes os habitantes do Egito foram arabizados e islamizados de forma gradual, de modo que a identidade nativa e a língua egípcia sobreviveram apenas entre os coptas (Coptas = Cristãos do Egito). Logo após a tomada do Egito pelos árabes a capital do Egito foi mudada para Fostate. Durante este período o Egito teve diferentes governos, incluindo os fatimidas (da Tunísia) fundadores da cidade do Cairo, o curdo Saladino (considerado um herói no mundo árabe por ter libertado Jerusalém dos cruzados europeus) e a dinastia dos Mamelucos (que eram antigos escravos do exército de Saladino). Os Mamelucos governaram o Egito até terem sido vencidos pelos turcos otomanos em 1516 d.C. A cidade do Cairo foi fundada em 969 d.C. como residência real dos califas fatimidas, embora a capital administrativa e económica do Egito continuasse a ser a vizinha Fostate. Após o incêndio intencional de Fostate em 1168 d.C. (para evitar a sua captura pelos cruzados), a capital do Egito foi transferida para o Cairo onde tem permanecido desde então. A Cidadela do Cairo e a Mesquita de Alabastro foram construídas nesse período, por ordem de Saladino e Mohammed Ali, respetivamente. |


| Período Otomano (1516 -1805 d.C.) |
| Em 1516 d.C., após terem derrotado os Mamelucos, os turcos otomanos chegaram ao Cairo e assumiram o controlo do Egito. Durante o Período Otomano o país era obrigado a enviar anualmente para Constantinopla uma elevada quantia em dinheiro, o que fez com que o Egito ficasse sem recursos para lutar contra os ataques dos beduínos e de milícias insubordinadas. Os Mamelucos eram ainda detentores de algum poder e a meio do séc. XVII tentaram ganhar relevância na governação do Egito, mas sem êxito devido a rivalidades internas. Em 1798, os exércitos napoleônicos conquistaram o Egito. |
| Invasão de Napoleão em 1798 |
| Com a França e a Inglaterra em guerra, a ocupação do Egito era de grande importância estratégica para os franceses. Os Mamelucos foram derrotados na Batalha das Pirâmides, mas logo a seguir a frota de Napoleão foi derrotada em Abu Qir pelos ingleses (Almirante Nelson). Seguiu-se uma declaração de guerra pelos turcos Otomanos e em 1801 os franceses foram expulsos do Egito. Contudo, o interesse dos europeus pela história do Egito continuou e levou à descoberta do significado dos hieróglifos pelo francês J. F. Champaulion em 1822. |
| Mohammed Ali (de origem albanesa): 1805-1849 e os seus sucessores |
| Na sequência da saída dos invasores, os Mamelucos, Otomanos e mercenários Albanezes disputaram a governação do país. Em 1805 Mohammad Ali (líder albanês) decidiu eliminar a ameaça dos Mamelucos convidando os seus chefes para um banquete e matando-os em seguida. Assim, após um período de instabilidade entre europeus, turcos e mamelucos, o Egito conquistou a sua independência. |
Mohammed Ali assumiu o poder do Egito em 1805, tendo modernizado e industrializado o país. Colocou a agricultura sob o controlo do estado e desenvolveu as indústias têxtil e de construção naval, assim como a fabricação de munições para o seu exército ocidentalizado.
Um dos seus sucessores – Khedive Ismail – transformou o Egito num estado moderno, tendo criado o primeio serviço postal nacional e uma rede ferroviária por todo o país. A abertura do Canal do Suez em 1869 foi presidida por Khedive Ismail, tendo sido financiada por bancos europeus, mas em virtude de a dívida nacional ter subido, foi obrigado a vender a maioria dos direitos sobre o canal aos ingleses e franceses.
| Ocupação do Egito pelas tropas britânicas em 1882 |
| Em 1882 alguns oficiais do exército incitaram levantamentos populares, numa tentativa de estabelecer um regime mais independente. A alteração da ordem pública serviu de pretexto para a Inglaterra enviar para lá navios de guerra (que bombardearam Alexandria) e desembarcar um exército de ocupação que derrotou os oficiais revoltosos. Em virtude de o Egito não conseguir pagar os empréstimos aos ingleses, as tropas britânicas de ocupação permaneceram, para manter a ordem pública e proteger os interesses da Inglaterra sobre o Canal do Suez. Embora os sucessores de Mohammed Ali permanecessem no trono, o poder executivo era controlado pelos ingleses. |
| Com o eclodir da Primeira Guerra Mundial em 1914 a presença inglesa no Egito tornou-se ainda mais forte, aumentando o descontentamento da população. Após o fim da guerra surgiram violentas rebeliões a exigir a autonomia do país, que levaram a Inglaterra a pôr fim ao protetorado e a reconhecer o Egito como um estado soberano com uma monarquia hereditária. Assim, em 1922 o rei Fuad I (filho de Khedive Ismail) subiu ao trono. Contudo, os britânicos continuaram a controlar o sistema legal, as comunicações, os negócios com o exterior e o Canal do Suez. |
| Durante a Segunda Guerra Mundial o Egito foi vital para os objetivos militares britânicos, com a derrota do exército alemão (Afrika Korps, liderado por Rommel). No final da guerra a Inglaterra retirou a maioria dos seus soldados do Egito mas, mais uma vez, a exigência dos egípcios era a independência total. A derrota das tropas egípcias pelo exército do recém-formado Estado de Israel em 1948 acentuou ainda mais o desejo de independência, culpando o rei Farouk (filho de Fuad I) pela derrota (acusado de ter ganho uma fortuna com a venda de material militar defeituoso ao exército do Egito). Após 6 meses de violentos protestos no Cairo (com o ataque às representações de várias empresas europeias na cidade), Abdel Nasser subiu ao poder através de um golpe de estado. A monarquia foi deposta e o rei Farouk enviado para o exílio. |
| Egito moderno |
| As ideias socialistas de Abdel Nasser (governou de 1952 a 1970) aliadas ao nacionalismo árabe fizeram dele um herói das massas populares. Durante a crise do Canal do Suez em 1956 ele enfrentou as forças conjuntas de Inglaterra, França e Israel, que invadiram o Egito após o anúncio de Nasser de nacionalizar o Canal do Suez, tendo sido obrigadas a retirar após a intervenção da ONU e dos EUA. A Guerra dos 6 dias em 1967 pôs fim à glória de Nasser, após a derrota das tropas egípcias pelo exército israelita. |
| O seu sucessor – Anwar Sadat – rejeitou as ideias socialistas de Nasser e atraiu o investimento privado estrangeiro. Em 6 de outubro de 1973 ele lançou um ataque de surpresa às linhas israelitas estacionadas ao longo do Canal do Suez que, apesar de inicialmente bem sucedido não terminou numa vitória militar, mas abriu caminho para as negociações de paz. Assim, o Egito assinou os Tratados de Paz de Camp David em 1979 (contra a vontade dos outros países árabes). Em 1981 Anwar Sadat foi assassinado por extremistas islâmicos, em consequência desse acordo de paz com Israel, tendo governado entre 1970 e 1981. |
| Quem lhe sucedeu foi o vice-presidente Hosni Mubarak, que conseguiu atenuar o fundamentalismo religioso no país e tentou estabelecer a paz na região, sendo mediador entre israelitas e palestinianos. Reeleito quatro vezes, renunciou à presidência, após quase trinta anos no poder, na sequência dos grandes protestos populares que aconteceram durante a Primavera Árabe em 2011, tendo ordenado uma violenta repressão que causou a morte a centenas de manifestantes. Num primeiro julgamento, foi condenado a prisão perpétua por crimes de guerra e contra a humanidade, mas após uma apelação ao tribunal a pena foi alterada para apenas três anos de prisão. |
Em 2011 o Egito teve o primeiro presidente eleito democraticamente na sua longa história – Mohamid Morsi – (da irmandade muçulmana), mas após um ano de decadência da economia do país e de novas manifestações, foi destituído por mais um golpe militar, em 2013. No ano seguinte houve eleições presidenciais, tendo sido eleito Abdel Fattah el-Sisi, o general responsável pelo golpe de estado de 2013. Seguiu-se um período de repressão, com o intuito de restabelecer a segurança e melhorar a economia.
C – GENERALIDADES
FUSO HORÁRIO
2 horas mais tarde que em Portugal
MOEDA
Libra Egípcia
Neste momento (junho de 2023) 1 Libra egípcia equivale a 0,030 EUR
LÍNGUA
A língua oficial no Egito é o Arabe, contudo o staff de hotelaria e restauração, falam e entendem um pouco o Inglês. Em tours tente escolher a língua que mais se adequa a si ou ao seu grupo ( Espanhol, Português, Inglês…)
D – INFORMAÇÕES ÚTEIS
QUANDO IR
Atendendo a que o Egito é um país que atrai multidões, pode-se afirmar que tem turistas/viajantes o ano inteiro. No entanto para evitar as temperaturas mais altas, são menos recomendáveis os meses entre maio e setembro, sendo a melhor época para visitar o Egito entre os meses de outubro e abril.
Nós fomos em meados de março e todos os pontos de interesse estavam pejados de “rebanhos turísticos” o que dificultou apreciar de forma tranquila algumas das maravilhas egípcias.
COMO IR
Partindo de Lisboa como não há voos diretos para o Egito, conte (com 1 escala que poderá ser em Barcelona ou ainda Itália – Milão ou Roma) com 10 a 12 horas de viagem.
COMO SE DESLOCAR
Como o trânsito é completamente caótico não se recomenda o aluguer de uma viatura. Pode ir logo de Portugal inserido num grupo de uma Agência de Viagens (e ter logo um guia e autocarro no aeroporto no Egito) ou ir de táxi ou uber até ao hotel. Na receção também se poderá inteirar das várias empresas turísticas e encaixar-se nos mais variados tours com o intuito de conhecer o Egito faraónico, ou ainda ter aderido com antecedência a pacotes que incluam o que se pretende conhecer e ter alguém à espera logo no aeroporto.
QUANTO DIAS
Se puder dedique 10 a 12 dias ao Egito (não incluindo Sharm El Sheikh ou Hurghada – estâncias balneares). Ficámos com uma ideia bastante razoável do Egito, tendo considerado, no entanto, que o programa da Agência de Viagens foi muito intensivo e cansativo. A nossa experiência pautou-se por 9 dormidas – 4 noites no Cruzeiro do Nilo e as restantes 5 no Cairo – com uma ida a Alexandria, tendo o percurso tido início e fim na cidade do Cairo, a capital.
E – O QUE VISITAR/ FAZER
Numa primeira viagem a um país, é difícil conhecermos tudo. Deve-se fazer um estudo prévio e considerar quais os pontos de interesse que gostaríamos de conhecer mesmo indo por Agência de Viagens pois há visitas opcionais, cabendo-nos a nós decidir se estamos interessados em realizar ou não! (aqui estava em causa – Abu Simbel – algo imperdível).
1. CAPITAL E ARREDORES: (realizado de autocarro)
Locais a não perder:
| CAIRO |
| Cairo Islâmico |
| Cairo Copta |
| Museu Egípcio |
| Torre do Cairo |
| mais pormenores em: https://viagensdalita.com/2023/05/18/cairo-locais-a-nao-perder/ |
| PLANALTO DE GIZÉ |
| Pirâmides de Gizé – Queóps, Quéfren e Miquerinos |
| Grande Esfinge ver mais em:https://viagensdalita.com/2023/04/06/a-famosa-e-misteriosa-esfinge-de-gize/ |
| NECRÓPOLE DE SAQQARA |
| Pirâmide Escalonada |
| Mastabas |
2. CRUZEIRO NO RIO NILO:
Não perca a oportunidade de desfrutar de um cruzeiro no rio Nilo – no troço entre Luxor e Assuão podendo começar em qualquer destes pontos. Aproveite as paisagens deslumbrantes ao longo do trajeto (cerca de 300km) no Vale do Nilo e as paragens para fazer alguns tours, sempre na companhia de um guia egiptólogo, e conhecer alguns dos mais importantes monumentos e pontos turísticos do Egito:
| Templo de Luxor |
| Complexo de templos de Karnak (próximo de Luxor) |
| Colossos de Mémnon |
| Vale dos Reis |
| Templo funerário da rainha Hatshepsut |
| Templo de Hórus e Hathor (em Edfu) |
| Templo de Kom Ombo e Museu dos crocodilos |
| Barragem de Assuão |
| Templo de Philae |
| Aldeia Núbia |
3. ABU SIMBEL:
Viagem de autocarro a partir de Assuão (285 Km – 3 horas e 30 minutos)
| Templo de Ramsés II |
| Templo da Rainha Nefertari |
4. ALEXANDRIA
Há 2 formas de alcançar Alexandria: de autocarro ou de avião.
| De autocarro : | prepare-se para enfrentar uma viagem de pelo menos de 3h |
| De avião: | cerca de 1 h |
Se tiver tempo
| fazer um passeio de falua – embarcação tradicional – se por acaso não estiver incluído em nenhum pacote. Nós fizemos em Luxor por nós mesmos (convém negociar o preço antes de embarcar) e depois em Assuão para irmos a uma aldeia Núbia ( incluído no pacote do cruzeiro no Nilo). Foram 2 viagens distintas, sendo que 1 não substitui a outra! |
| visitar o Templo de Dendara |
E pronto! Eis um pouco acerca de um país com uma história riquíssima e com muito para oferecer!