


Apesar de ter dado este título ao artigo, os locais em causa tanto podem ser visitados estando a fazer o trajeto para o sul da ilha ou a iniciar a subida em direção à capital. Qualquer viajante que pretenda conhecer o sul da ilha (imperdível) vai ter que fazer o mesmo percurso para o sul ou de regresso à capital pois não há outra alternativa. Constitui, no entanto, um desafio pois as estradas apesar de estarem a passar por melhoramentos neste momento (outubro de 2022) pioram substancialmente a partir de São João dos Angolares, podendo-se mesmo afirmar que a estrada é um buraco! Apesar disso a experiência compensa!
LOCAIS DE INTERESSE


Nós acabámos por conseguir fazer quase todos os pontos de interesse assinalados, tendo apenas cumprido 2 – no trajeto para o sul: Roça São João dos Angolares e Pico Cão Grande, (porque apanhámos um dia bastante chuvoso) tendo feito os outros na subida em direção à capital.
São Tomé é uma ilha deslumbrante e muito diversificada: neste percurso (no sentido do sul e no regresso à capital) contactámos com:
| (Roça Água Izé – a 1ª que implementou a cultura do cacau) |
| Boca do Inferno – rochedo cavado devido ao movimento das ondas, projetando a água para cima o que lhe confere uma beleza extraordinária ( próximo da Roça Água Izé) |
| as Praias das 7 Ondas e Micondò- paradisíacas de areias douradas e águas cristalinas e mornas |
| a Roça São João dos Angolares – transformada em alojamento e espaço de restauração. O restaurante, a cargo do chef João Carlos Silva, é algo imperdível ! |
| São João dos Angolares – localidade pequena como as demais com uma localização muito agradável perto de praias e da Lagoa Baía Azul – restaurante imperdível – Mionga – pela localização, iguarias e simpatia do staff |
| a lagoa da Baía de Santa Cruz – perto da localidade de São João dos Angolares |
| plantações de andim – na zona de Ribeira Peixe – pareciam verdadeiras alamedas |
| a Cascata da Praia Pesqueira – acaba por ser uma das mais largas da ilha desaguando no mar, com uma paisagem maravilhosa sendo uma fusão entre a água doce e salgada. Está situada no términus da estrada da pequena localidade de Ribeira Peixe. |
| uma pedra gigantesca – Pico Cão Grande – de quase 1000 metros – rocha vulcânica semelhante a um arranha-céu que oferece perspetivas deslumbrantes. |
TRAJETO EM DIREÇÃO AO SUL
Tendo saído da capital a meio da manhã sem no entanto ter conseguido o propósito (levantar dinheiro) e tendo antecipadamente reservado mesa no restaurante da Roça de São João dos Angolares e por o dia estar de chuva, não conseguimos cumprir os pontos que nos tínhamos proposto visitar (a Roça Água Izé, a Boca do Inferno e as praias). Fomos gozando uma paisagem verdejante contrastando de quando em vez com crianças e adultos com indumentárias de cores diversificadas, ao longo da estrada.
O almoço na Roça São dos Angolares foi uma experiência divinal por vários motivos: pelo espaço, pela vista deslumbrante (pena estar a chover!) e pelas iguarias confecionadas pelo famoso chef João Carlos Silva (tornado célebre com o programa televisivo – Na Roça com os Tachos). A refeição constou de várias entradas, a seguir às quais serviam um tira gosto, seguida de pratos principais e ainda sobremesas servidas por um staff extremamente simpático e afável que ia explicando o nome e os ingredientes que faziam parte de cada prato.








Tivemos a honra da presença do chef João durante alguns momentos da refeição, tendo também tirado algumas fotos com ele para podermos recordar esse momento para todo o sempre. São momentos incríveis nas nossas vidas.


Após esses momentos descontraídos tínhamos duas árduas tarefas: gerir a chuva e o mau estado da estrada, em locais onde nos estávamos a estrear. Como tínhamos que ir numa passada muito lenta, lá íamos tirando partido da passagem por alguns lugarejos à beira da estrada com casas típicas coloridas


quando no meio do verde da paisagem surge um rio – Caué – com algumas pedras negras a condizer com algo que irrompia lá bem ao fundo: uma rocha vulcânica gigantesca semelhante a um arranha-céu – Pico Cão Grande – que era impossível passar despercebida. Um verdadeiro viajante e amante de fotografia esquece se chove ou se faz sol e dedica-se a registar o momento. Não há palavras para descrever esta paisagem: é algo inigualável!


Ao longo do percurso contemplando um e o outro lado da estrada pareceu-nos vislumbrar alamedas de andins (palmeiras de origem africana das quais se extrai óleo de 2 qualidades). Não era um vislumbre, correspondia de facto à realidade! Descobrimos depois que tinham sido de facto assim plantadas e que faziam parte de um projeto para fabrico de óleo de palma a nível industrial e que se estendiam por uns quantos hectares.


De quando em vez surgiam porcos, cabras ou ainda vacas que pacatamente lá circulavam ou atravessavam a estrada, bem como crianças – umas brincavam, outras vinham da escola com a sua mochila às costas, ou ainda quando passávamos numa ponte por cima de um riacho ou rio, havia pessoas a lavar roupa ou a colocá-la no chão fazendo da beira do rio e da estrada um estendal e crianças a deliciarem-se a tomar banho naquelas águas mornas.
À medida que nos íamos aproximando mais do sul, o trajeto tornou-se por um lado mais picado por causa do estado da estrada


mas por outro ainda mais rico, tendo como paisagem do lado esquerdo, água, (mais concretamente o Oceano Atlântico) vislumbrando-se a Ponta da Baleia, Porto Alegre e lá muito ao longe o célebre Ilhéu das Rolas e do lado direito vegetação.




(Apesar de termos continuado a nossa viagem até ao alojamento que se situava na Praia Inhame consideremos que este artigo encerra por aqui, sendo que haverá um outro para descrever a experiência por nós vivida na zona sul.)
DE REGRESSO À CAPITAL
Depois de gozados 2 dias fantásticos no sul aí íamos nós iniciar o regresso no sentido da capital. Hoje o dia estava a nosso favor tendo tentado tirar o máximo proveito possível. Tínhamos que voltar a enfrentar o piso irregular e difícil mas nada que a paisagem não nos ajudasse a ultrapassar.
Assim sendo … aí íamos nós, mas com vontade de ficar!
Lá abandonámos o maravilhoso alojamento Praia Inhame Ecolodge,

tendo passado por Porto Alegre, Vila Malanza, Ponta Baleia, Praia Grande, fazendo algumas paragens e registando momentos ( hoje sem chuva!) para mais tarde recordar. (Do alojamento até ao Pico Grande eram 20 e tal quilómetros, o que representaria cerca de 1 hora, sem incluir paragens).

Tínhamos feito pesquisa no sentido de ver e apreciar o Pico Cão Grande mais de perto, apesar de já o termos visto ao longe no troço ao longo da estrada EN nº 2.




Depois de se começar a acompanhar de um e do outro lado da estrada plantações de andim, há uma entrada do lado esquerdo de acesso a uma empresa de exploração de palmeiras (na zona de Ribeira Peixe). Deixaram-nos entrar e ainda percorremos (de jipe) alguns quilómetros mas como o tempo estava um pouco nublado, não conseguimos tirar partido de uma maior aproximação ao Pico do Cão Grande! Fizemos o troço contrário para voltar a alcançar a estrada EN nº2.


Um pouco adiante do lado direito havia a indicação de Embaixada Cristã Ribeira Peixe.


Fomos até ao fim da estrada e estacionámos por ali. Bem escondidinha/o do lado direito, estava um riacho/lagoa com pessoas a lavar roupa bem como crianças a aproveitar as águas tranquilas e mornas,


e lá bem atrás estava a Cascata Praia Pesqueira com um caudal razoável alimentando o riacho que por sua vez se ligava com o Oceano Atlântico do lado esquerdo. Tudo isso com arbustos e palmeiras compõe um cenário idílico, sendo difícil abandonar tal local,




mas a manhã ia avançando e de acordo com pesquisas feitas tínhamos pensado ir almoçar no restaurante Mionga em São João dos Angolares.
Assim aconteceu! É mais um local imperdível pela localização – em frente à Lagoa da Baía de Santa Cruz e Praia São João dos Angolares – pelo espaço de restauração, iguarias e simpatia do staff.


Era uma delícia contemplar a Lagoa da Baía de Santa Cruz pois ela transmitia tranquilidade. Havia crianças e adultos a gozar aquelas águas. Mais um local difícil de abandonar. (Uma próxima vez não nos importaríamos de pernoitar por ali pois apercebemo-nos que o local onde almoçámos também tinha alojamento).




Mas como tínhamos em mente no trajeto dedicar algum tempo às Praias Micondò e Sete Ondas, foi mais fácil aceitar “dizer adeus” àquele local maravilhoso! (Um conselho: tente vestir uma indumentária fácil de mudar ou algo que permita fato de banho por baixo, para não perder a oportunidade de contactar, sempre que possível, com aquelas águas apetecíveis – cristalinas e mornas!) Foi isso que nos aconteceu!
O primeiro contacto que tivemos foi com a Praia Micondò. Não sabendo, não é fácil encontrar o acesso ao parque de estacionamento dessa praia, mesmo socorrendo-nos do Google Maps (chegámos à conclusão que se calhar não estaria mapeado).
Libertámo-nos do jipe numa zona alta e depois fomos tateando o percurso para alcançarmos a praia, tendo depois concluído que foi mais interessante assim, na medida em que obtivemos uma panorâmica de um nível superior de toda a extensão em que a praia se desenvolvia. É uma praia imperdível – pela sua beleza, tranquilidade, águas mornas mas que implicava alguma luta e desafio pela sua ondulação! Foram momentos divinais!




A seguir prosseguimos tendo passado pela Praia das Sete Ondas. Tem uma zona de apoio com bar e restaurante. Esta praia oferece 2 alternativas: se fôr persistente ou quiser mesmo banhar-se nestas águas maravilhosas tem que caminhar uma grande extensão de areia até atingir a água, ou então pode-se sempre e apenas caminhar ao longo da praia.


Estávamos curiosos em alcançar a Boca do Inferno. Ganhou esse nome pela forma violenta como as ondas batem nas rochas naquele local, permitindo captar ângulos duplamente interessantes: pela movimentação das águas e pelo pôr do sol (que anunciava o fim do dia) e assim sendo já não conseguimos visitar a Roça Água Izé (apesar de ser perto dali!)





Dirigimo-nos para a Roça Santo António Ecolodge onde iríamos jantar e pernoitar. (As suas imediações estavam a ser melhoradas). Foi uma noite agradável. Após o jantar convivemos e conversámos com as pessoas que estavam a explorar a Roça, tendo adquirido mais algum conhecimento acerca da ilha. O espaço de restauração era à beira da piscina o que tornava esses momentos duplamente agradáveis: pela riqueza e diversidade de iguarias e pela presença da água.


Bom … era toca a dormir para no dia seguinte gozar ainda algumas horas na capital e dizer adeus a terras são tomenses! Mas fica a promessa de voltar um dia!
Fica a apetecer visitar S. Tomé !
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Completamente! Adorávamos lá voltar e ir à ilha do Príncipe que segundo dizem ainda é mais espetacular!
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