


Água Formosa é uma das 27 Aldeias do Xisto, (integrada no programa das Aldeias do Xisto) da região Centro de Portugal, localizada no concelho de Vila de Rei, distrito de Castelo Branco.
A aldeia de Água Formosa deve o seu nome a uma fonte de água pura, uma das maiores riquezas desta região. É uma localidade típica caracterizada pelas suas casas construídas em xisto,



mantendo a traça tradicional de tempos idos, rodeada de paisagens naturais pois desenvolve-se entre a Ribeira da Corga e a Ribeira da Galega, numa encosta soalheira, o que faz realçar ainda mais a sua beleza.

As aldeias do Xisto estão divididas em quatro Unidades Territoriais pertencendo a aldeia da Água Formosa (bem como mais 3 – Figueira, Martim Branco e Sarzedas) à de Tejo – Ocreza.
As aldeias do xisto são locais fabulosos para escapar ao ritmo do quotidiano e desfrutar em pleno, do contacto com a natureza.
| 1. | ALDEIAS DO XISTO: A SUA HISTÓRIA |
| 2. | COMO CHEGAR |
| 3. | PONTOS DE INTERESSE POR PERTO: A PÉ DE CARRO |
| 4. | A NOSSA EXPERIÊNCIA |
1. ALDEIAS DO XISTO: A SUA HISTÓRIA
Como tudo … também as aldeias do xisto têm a sua história e raízes!
Conta-se que há vestígios de ocupação desses territórios desde os tempos pré-históricos, sabendo-se que romanos, bárbaros e árabes também por ali deixaram vestígios da sua passagem através de: pontes, calçadas e nomes de locais. É, no entanto, na época medieval que se dá o povoamento ou a expansão das Aldeias do Xisto por algumas se encontrarem em pontos estratégicos de rotas comerciais.
Assim surgiu a necessidade de criar condições sabendo utilizar os recursos disponíveis: a pedra das montanhas para a construção das casas, a água das ribeiras e o terreno de cultivo! A construção das casas das aldeias deveu-se, então, ao talento, esforço, perseverança e mestria das populações. Havia um espírito comunitário: de coesão, de entre-ajuda, de partilha de alegrias e tristezas…
Todos estes aspetos pesaram no “nascimento” das aldeias de xisto que perduraram com centenas de habitantes residentes até por volta dos anos 70 do século XX. No entanto, as populações começaram a sentir cada vez mais as condições agrestes do território e a escassez de oportunidades de trabalho. As aldeias começaram, então, a atravessar um período de desertificação e abandono. Os seus habitantes, sentiram necessidade de procurar outras formas de vida e foram partindo: para o estrangeiro, para terras do litoral, onde havia trabalho remunerado e acesso a escolas e hospitais.
Todavia, no início do século XXI, para devolver vida às aldeias do xisto e de alguma maneira enaltecer e premiar a luta travada por dezenas de gerações em séculos de história, a União Europeia financiou um plano para ajudar a requalificar o território.
Nos dias que correm, apesar das aldeias do xisto não contarem com muitos habitantes residentes, com a divulgação que tem havido tornaram-se locais apreciados e visitados por turistas/viajantes sedentos de locais tranquilos e no seio da natureza com uma boa oferta de alojamento, trilhos e restaurantes com comida típica. Além disso, surgiu o hábito de algumas pessoas (por serem naturais da região ou por se terem encantado na beleza das aldeias) adquirirem segundas casas nesses locais.
2. COMO CHEGAR
Estando a aldeia de Água Formosa situada bem no centro do país, de acordo com o local de partida, assim se apresentam as possibilidades de a alcançar.
| DO SUL ou DO NORTE Pela A1 até à saída 7, na direcção Torres Novas, Abrantes (A23); seguir pela A23 até à saída 10 (após o km 41), na direcção Abrantes Norte, Vila de Rei, Sardoal; nas rotundas seguir pela N2, direcção Sardoal, Vila de Rei; na N2, após o km 374 seguir virar à direita, na direcção Vilar Chão, Água Formosa, Lousa (cf. placa); ao chegar à Lousa, após 2,2 km, virar à esquerda na direcção Água Formosa, Vilar Chão (cf. placa); após 1,2 km, seguir pela direita, na direcção de Água Formosa (cf. placa); após 0,7km entra em Água Formosa, pela parte nova. A parte antiga fica no final desse caminho. |
| DE ESPANHA (Vilar Formoso) Seguir o IP5, sair em direcção à A23; seguir a A23 até à saída 10 (Abrantes Norte, Vila de Rei, Sardoal); na rotunda, seguir na direcção Vila de Rei, Sardoal, pela N2; na N2, após o km 374 seguir virar à direita, na direcção Vilar Chão, Água Formosa, Lousa (cf. placa); ao chegar à Lousa, após 2,2 km, virar à esquerda na direcção Água Formosa, Vilar Chão (cf. placa); após 1,2 km, seguir pela direita, na direcção de Água Formosa (cf. placa); após 0,7 km entra em Água Formosa, pela parte nova. A parte antiga fica no final desse caminho. |
| informação obtida através de: https://www.aldeiasdoxisto.pt/pt/aldeias/tejo-ocreza/agua-formosa/ |
Ela possui 3 acessos rodoviários com pequenos parques de estacionamento porque não dá para circular de carro no interior da aldeia uma vez que as ruas são estreitas.
3. PONTOS DE INTERESSE POR PERTO:
| A PÉ: percursos que passam pela aldeia ou têm início: ver no myxistotrails : PR4VLR Caminho do Xisto de Água Formosa PR6 VLR Rota das Conheiras: https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/pr6-vlr-rota-das-conheiras-7998587 |
| DE CARRO Miradouros: Centro Geodésico de Portugal – situa-se a 10 km Miradouro Fragas do Rabadão Praia do Penedo Furado Passadiços do Penedo Furado |
4. A NOSSA EXPERIÊNCIA
início de dezembro de 2023
1º DIA
Tendo já reservado mesa no restaurante Quatro Talhas na vila do Sardoal, tínhamos um trajeto a fazer de cerca de 170 km o que representava menos de 2h. Foi chegar àquele local tranquilo e pitoresco e gozá-lo ainda um pouco antes do almoço.
É impressionante como não é necessário afastarmo-nos muito da zona onde residimos (proximidades de Lisboa) para sentirmos desde logo que a oferta de iguarias foge àquilo a que estamos habituados. Pautámo-nos pela sugestão dada pela filha do chef, pois verificámos que era um restaurante gerido pela família. Comemos Sopa da Pedra e Maranhos. Tudo estava delicioso e o restaurante era um espaço pequeno, acolhedor e confortável com decoração típica e regional, de traça rústica.


Após o almoço vagueámos entre ruas e ruelas, tirando partido da localização elevada da vila e do bonito casario.





Mas o dia ainda tinha muito para oferecer! Era toca a andar para outras paragens! Reserva de alojamento feita para a maravilhosa aldeia de Água Formosa, estávamos curiosos em fazer check-in para ver a casinha de xisto – a da Laje – onde iríamos ficar 2 noites e desfrutar de alguns momentos. Era uma casinha com características típicas do local, desenvolvendo-se em 2 pisos ligados por uma escada de madeira. Ao nível da entrada tinha os quartos e 1 casa de banho completa. O piso inferior, alcançado através da escada, tinha uma zona de sala de estar, de jantar, kitchenette e 1 casa de banho, com uma salamandra. Foi uma experiência divinal.
Mais um grande momento esperava ainda por nós! Estávamos a 13 km, 17 minutos de alcançar o Centro Geodésico de Portugal, o qual representa o centro geográfico do país. É um local que só visto! Situa-se na Serra da Melriça a cerca de 600 metros de altitude oferecendo uma vista panorâmica de 360 graus sobre um horizonte vasto.


Permite vislumbrar grande parte do Concelho de Vila de Rei bem como os concelhos limítrofes, onde se destaca a Serra da Lousã e a Serra da Estrela (a quase 100 km de distância), com céu limpo. Se fôr possível visite este local ao fim do dia e assista ao pôr do sol.
Hora de recolher pois a temperatura a isso convidava. Era toca a acender a salamandra e gozar de momentos de convívio e conforto. Após o jantar esquecemos os 6 graus e cirandámos durante alguns minutos pelas ruelas da aldeia para gozar a sua tranquilidade e as suas casinhas típicas, algumas delas iluminadas.
2º DIA
Pequeno-almoço tomado, estava na hora de começar a explorar mais um pouco da aldeia e das suas imediações, significando isso fazer parte do Trilho da Pequena Rota (PR) do Caminho do Xisto de Água Formosa ao longo da Ribeira da Galega.

Foram momentos descontraídos ao som de água a correr e no seio da natureza. No regresso à aldeia parámos alguns minutos na famosa fonte que deu o nome ao local.
Deambulámos um pouco pelas ruelas de Água Formosa, tendo encontrado e falado com algumas pessoas simpáticas e entrado na loja das Aldeias do Xisto. Ficámos estupefactos quando nos apercebemos que a aldeia iria ter o seu primeiro presépio feito pelos habitantes dali! São iniciativas muito interessantes! Foram momentos dedicados a criar perspetivas deste ou daquele recanto.


Tínhamos adquirido compromisso de ir almoçar no restaurante Dom Vinho, situado na vila do Sardoal, junto à EN 2. Oferece um espaço acolhedor e bem decorado, onde desfrutámos mais uma vez de uma saborosa refeição, baseada na cozinha tradicional, num ambiente de tranquilidade e bem-estar.
A seguir queríamos ir ao Miradouro das Fragas do Rabadão (15 km – 15 minutos). Para tal fomos em direção à aldeia de Milreu, tendo depois continuado pela EN2 seguindo a indicação de Penedo Furado, encontra-se uma seta a indicar Miradouro das Fragas do Rabadão. Aí deliciámo-nos com a soberba vista de uma forma inimaginável: de um baloiço (colocado ali recentemente), o que eleva a fasquia da contemplação. Sentimo-nos miúdos a baloiçar tendo um cenário verdadeiramente idílico de cortar a respiração. Aí observava-se o maciço rochoso bastante arborizado, o verde da vegetação, os passadiços do Penedo Furado e lá bem em baixo as águas tranquilas.


Ficámos indecisos: começar os passadiços naquele miradouro ou prosseguir de carro até à Praia Fluvial do Penedo Furado?! Optámos pela 2ª hipótese e ainda bem pois há uma zona dos passadiços fechada temporariamente que não teria permitido atingir a Cascata de Penedo Furado. Fizemos 1 km até ao parque de estacionamento da praia. Aí libertámo-nos da viatura e começámos a apreciar a quietude e beleza da praia de Penedo Furado.



Fizemos os passadiços até à cascata de Penedo Furado,




tendo ao longo do trajeto até lá, desfrutado de paisagens impressionantes no seio de uma natureza sem igual!


Como a partir daí estava interdita a passagem, regressámos ao ponto de origem mas de alma cheia! É algo imperdível estando por essas bandas!
Estava na hora de recolher e descansar já a gozar o calor proveniente da salamandra. E assim se passou mais um dia rico de momentos diferentes, todos eles dignos de nota!
3º DIA
Dia de check-out mas com algum tempo ainda para descobrir e desfrutar daquelas paisagens únicas. Numa das saídas da aldeia Água Formosa tínhamos o Trilho de Pequena Rota (PR) da Rota das Conheiras que esperava por nós. Desenvolvia-se ao longo de 3 ribeiras: Galega, Codegoso e Codes. Nós só regalámos os nossos olhares na primeira delas pois não tivemos tempo de avançar para além do 1º ponto do trilho: Lagar da Ferrugenta.





Tivemos pena de não contactar com o que dá o verdadeiro nome à rota: conhos: são pequenos seixos rolados resultantes da exploração de ouro por aluvião (terras, areia, lodo que se acumula pela acção das correntes e forma terreno onde exista água) datado da época romana e anteriores. Fizemos o regresso por estrada mas sempre acompanhados pelo som da água que deslizava ao longo da ribeira, observando a paisagem de um plano mais alto. Quando surgiu o primeiro lugarejo entrámos nele e a partir de determinada altura começámos a vislumbrar a aldeia de Água Formosa e a sua famosa ribeira de um plano superior. Oferece uma paisagem deslumbrante.



Ao longo do trajeto deliciámo-nos com medronheiros, não estando todos na mesma fase, ou seja uns ainda em flor, outros com o fruto ainda por amadurecer e outros já com o fruto vermelho. São momentos que irão ficar nas nossas memórias! Descemos até à aldeia tendo dado ainda um pequeno giro.




Depois disso encaminhámo-nos para o carro pois tínhamos feito reserva para almoçarmos no restaurante Casa Ti Augusta, na aldeia do xisto de Figueira (Sobreira Formosa), que distava cerca de 35 km, 40 minutos. Foi uma experiência gastronómica fenomenal pois pautámo-nos por pratos típicos que não conhecíamos: crepe recheado de farinheira com queijo, plangaio, afogado da boda, cabrito assado e tijelada de sobremesa.



Após a refeição caminhámos entre ruas e ruelas da aldeia de Figueira, havendo alguns locais que remontam a séculos idos, como o forno comunitário e umas cercas para proteger a aldeia de lobos ou outros animais. Pena a maior parte das casas de xisto estarem em mau estado de conservação.
Estava na hora de dizer adeus ao Centro de Portugal, esperando-nos ainda um trajeto de cerca de 240 km, o que representava 2h 30 m.
Não hesite em desbravar esta zona do nosso maravilhoso país.