São Miguel – a maior e a mais rica!(I)

3 DIAS NA ILHA DE SÃO MIGUEL (veja também 7 DIAS!)

Com o aparecimento de voos low cost – da Easy Jet e Ryanair – com destino a Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, fez com que muitas pessoas despertassem para esse paraíso apenas a pouco mais de  2 horas de distância do Continente!

Escapadinha de 3 dias em São Miguel

São Miguel, a maior ilha, conhecida, mundialmente, pela Lagoa das Sete Cidades e pelas Furnas, desafia qualquer um pois tem muito mais para oferecer!

CALOURA – ÁGUA DE PAUILHÉU DA VILA – FURNAS – POÇA DA DONA BEIJA – LAGOA DO FOGO -LAGOA DAS SETE CIDADES

                   Agosto de 2020
1º DIA -TARDE CALOURA

Após já termos ido várias vezes a esta maravilhosa ilha – São Miguel – resolvemos revivê-la dando-nos ao luxo de escolher onde queríamos ir e o que fazer.

Este ano decidimos pernoitar, num local tranquilo e fabuloso tendo o mar como paisagem, na zona da Caloura (Água de Pau) no Caloura Resort Hotel, a cerca de 18 km – 20 minutos, de Ponta Delgada. (este hotel é fabuloso pela sua localização e pelo edifício – quem necessita de tranquilidade e contacto com a natureza, é o ideal)

Hotel Caloura – piscina e mar ao fundo – São Miguel, Açores

Como fizemos check in a meio da tarde (chegados da ilha de Santa Maria) e ficámos encantados com a localização do hotel, que dispõe de acesso direto ao mar, fomos ver se podíamos entrar na água mas desistimos pela ausência de escadas de apoio e ondulação forte. Mas valeu a pena a deslocação pois a paisagem é deslumbrante! De regresso fomos nadar e gozar a tranquilidade da piscina do hotel.

Caloura – Hotel e seus arredores – S. Miguel, Açores

A 4 ou 5 km do hotel, fica o Bar da Caloura, (não aceita reservas) local ideal para umas lapas grelhadas, camarões fritos e ainda peixe de várias espécies, bem como queijadas de Vila Franca do Campo.

Se quiser pode ir um pouco antes da refeição e dar um mergulho e nadar na zona balnear da Caloura.

Bar da Caloura e Zona Balnear – Caloura, S. Miguel, Açores

A zona da Caloura é uma zona pouco habitada e subsequentemente é possível, pela noite, ouvir os cagarros (aves com um cantar peculiar e inconfundível, espécie protegida), o que provoca em nós uma sensação de bem estar e ficamos em silêncio à espera de mais!

2º DIA ÁGUA DE PAU ILHÉU DA VILA – FURNAS – CALDEIRAS -POÇA DA DONA BEIJA

Na manhã seguinte como o pequeno almoço não estava incluído, aconselharam-nos a ir ao Bar da Praia em Água d’Alto (5.5km -10 minutos do hotel, no sentido de Vila Franca do Campo), um espaço muito agradável à beira da praia, mas antes passámos por Água de Pau. Apesar de ser um simples lugarejo é interessante e subindo ao Monte Alto, pode-se visitar a Ermida de Nª Sra do Monte e chegar ao miradouro donde se avista a zona da Caloura.

Água de Pau, S. Miguel, Açores
Água de PauErmida de Nª Sra do Monte – S. Miguel, Açores
Miradouro Monte Santo – Caloura vista de cima – S. Miguel, Açores

Seguimos até Vila Franca do Campo, desta vez não para a visitarmos mas para servir como ponto de partida para o Ilhéu da Vila do mesmo nome. Deste porto existem ligações regulares com o ilhéu durante a época balnear. Como nós apanhámos o barco do meio-dia grande parte das pessoas que também foram, levavam lancheiras e indumentária para fazer praia.

Vila Franca do Campo – ao fundo – S. Miguel, Açores
Ilhéu da Vila – Vila Franca do Campo ao fundo – S. Miguel, Açores

Estava um dia radiante e convidativo a isso. Nós demos apenas um giro pelo ilhéu e regressámos uma hora mais tarde. “Apresenta forma circular com uma abertura por onde o mar penetra livremente na cratera.  A cratera tem profundidade máxima de 20 metros e forma um círculo quase perfeito com 150 metros de diâmetro. A abertura está voltada a Norte, isto é na direção da costa da ilha, o que impede a entrada da agitação marítima para o interior.   O número de visitantes está limitado a 400 por dia, limite fixado atendendo ao impacto dos mesmos na geologia, flora e avifauna do local.

O uso balnear daquele espaço foi reordenado, tendo sido instaladas novas infra-estruturas de desembarque e de apoio aos visitantes, incluindo instalações sanitárias e de recolha de resíduos.”in https://pt.wikipedia.org/wiki/Ilh%C3%A9u_de_Vila_Franca

Ilhéu da Vila – Vila Franca do Campo – S. Miguel, Açores
Ilhéu da Vila – Vila Franca do Campo – S. Miguel, Açores

   As pessoas que já lá estavam gozavam de uma tranquilidade contagiante. Umas descansavam nas rochas, outras banhavam-se nas águas mornas, outras ainda deslocavam-se em caiaques.

Já tínhamos reservado mesa no restaurante Borda d’Água que se situa em Lagoa (16km -17 minutos). Comemos rocaz (um dos peixes do dia grelhado no carvão). É um local com tradição de servir sempre bem, peixe de diversas espécies dos Açores, pois das outras vezes que fomos a São Miguel também fomos lá, aconselhados por locais.

E ainda tínhamos alguns pontos do plano para cumprir: As Furnas – que são nem mais nem menos que a cratera de um vulcão que adormeceu há quase 4 séculos.

 Hoje em dia são, essencialmente conhecidas, mesmo para quem nunca lá foi, pelas suas caldeiras (sempre em ebulição), pelo célebre cozido e pelas piscinas térmicas. São de salientar alguns espaços: (1) a povoação propriamente dita(2),o parque Terra Nostra (3),a Lagoa das Furnas (4),as Caldeiras e a (5) Poça da Dona Beija. Na povoação (1) pode visitar essencialmente a igreja

Furnas – Igreja Nª Sra da Alegria , S.Miguel, Açores

e escolher um dos 3 restaurantes famosos pelo cozido (Tony’s, Miroma e Caldeiras & Vulcões todos na mesma rua), bem como o Parque Terra Nostra (2)o qual oferece uma piscina circular (enorme) de águas termais férreas,

Parque Terra Nostra – Piscina e Hotel – S. Miguel, Açores

(convém levar fato de banho usado e de preferência não molhar o cabelo, se fôr pintado), um jardim botânico com uma das maiores coleções de camélias, a maior de cicas (com folhas semelhantes às das palmeiras e um tronco grosso, cilíndrico, aéreo, mas nunca chegando à altura de uma árvore https://pt.wikipedia.org/wiki/Cicad%C3%A1ceas) e outras demais variedades as quais constituem uma paisagem lindíssima

e um hotel muito solicitado por quem aprecie uns dias de tranquilidade.

 Na Lagoa das Furnas (3) podemos deliciarmo-nos com a vegetação que a rodeia, a fauna, a flora (se tiver tempo pode fazer parte do trilho em redor da lagoa)

Lagoa das Furnas – S. Miguel, Açores

e ainda com os buracos no chão vulcânico usados por vários restaurantes, onde são colocados tachos, tapados com panos e dentro de sacos, durante várias horas, donde depois sai o famoso cozido (tem algumas semelhanças com o tradicional cozido à portuguesa mas com um sabor mais apurado, devido à lenta cozedura, incluindo o inhame nos acompanhamentos).

A zona das Caldeiras (4) é um local imperdível, por ser único. Aí podem-se observar várias caldeiras com água em ebulição libertando fumo, e pequenas fontes, de onde brotam águas minerais, que deixam um rasto cor de laranja, devido à grande quantidade de ferro.

O ponto mais alto do nosso dia culminava com a ida a um local mágico – Poça da Dona Beija (5) (8€ por px). Aí desfrutámos de momentos de relax únicos em águas termais quentes de cor amarelada que oscilam entre os 28 e 39°. Divide-se por 5 tanques/piscinas com diferentes nomes e profundidades.

Poça da Dona Beija – S. Miguel, Açores

Nós penetrámos essencialmente na Mística. A primeira sensação não é agradável pois não estamos habituados a água àquela temperatura, mas depois de nos deixarmos levar por aquela envolvência mítica – a vegetação, a tranquilidade do local e o som de água a correr proveniente de uma ribeira  – obriga-nos a  descontrair  e gozar o momento. (convém levar fato de banho usado e de preferência não molhar o cabelo, se fôr pintado)

Para darmos continuidade a estes momentos escolhemos de novo o Bar da Caloura para jantarmos.

3º DIALAGOA DO FOGO – COSTA NORTE – FERRARIA

Depois de termos tomado o pequeno almoço outra vez no Bar da Praia em Água d’Alto, dirigimo-nos para a Lagoa do Fogo (seguindo o sentido de Ribeira Grande, tendo como referência a povoação de Remédios) a qual apresentava alguma nebulosidade. À medida que nos íamos aproximando dela tínhamos uma melhor visibilidade.

Num dos miradouros – Miradouro da Lagoa do Fogo – fizemos uma paragem (parque de estacionamento) e aí nós e todas as demais pessoas, de máquina fotográfica em punho esperávamos por este e aquele momento para captar mais e mais, aquela paisagem indescritível.

Para além disso,  descemos um pouco para termos outras perspetivas da lagoa, ainda mais impressionantes e gozarmos a tranquilidade do local.

(se tiverem tempo e gostarem de caminhar, apanhem o trilho e desçam por entre vegetação de vária espécie até à lagoa – vale bem a pena – por experiência própria pois da outra vez fizemos esse percurso -1h30m a 2h).

Depois disso dirigimo-nos de facto para a Ribeira Grande/Rabo de Peixe

com o intuito de almoçarmos no restaurante Associação Agrícola. Possui um espaço interior e esplanada. O menu está virado essencialmente para os apreciadores da carne deliciosa dos Açores. Se não for o seu estilo pode ser optar pelo restaurante Alabote, com uma localização espetacular onde pode deliciar-se com marisco ou peixe.

Após o almoço fizemos a costa norte desde Rabo de Peixe, passando por Capelas, Santo António e Pilar da Bretanha.

Costa Norte – S. Miguel , Açores

Fizemos algumas paragens curtas para contemplar a paisagem e tirar algumas fotos. Na zona de Mosteiros há um ilhéu com o mesmo nome, o qual enriquece ainda mais a paisagem.

Ilhéu dos Mosteiros e Mosteiros – S. Miguel, Açores

Passados poucos kilómetros parámos num miradouro, de onde se via o Farol da Ponta da Ferraria, a Ponta da Ferraria e a piscina natural com o mesmo nome. Para além das termas, possui infra- estruturas para a prática balnear no mar.

Ferraria – S. Miguel, Açores

Mais uma vez fomos confrontados com a difícil tarefa de proporcionar à objetiva das máquinas fotográficas e telemóvel inúmeros disparos.  Descemos de carro, tendo-o estacionado junto das termas. Gozámos de perto a Ponta da Ferraria tendo-a calcorreado com um prazer desmesurado pois o som do mar a bater e a paisagem são um espetáculo de tirar o fôlego!

Ferraria – S. Miguel, Açores

Chegados ao hotel ainda nos fomos refrescar na enorme piscina.

Tendo já reservado mesa no restaurante Traineira, aí fomos nós comer o mais habitual em terras açorianas, o maravilhoso peixe!

4º DIA LAGOA DAS SETE CIDADES – PRAIA DO PÓPULO – PONTA DELGADA

Estava chegado o dia, de acordo com o nosso plano, de poder rever um dos locais mais emblemáticos da ilha de São Miguel – a Lagoa das Sete Cidades.

Lagoa das Sete Cidades localiza-se no topo da caldeira das Sete Cidades.
A caldeira foi formada por colapsos sucessivos de pedras e pedregulhos, e tem uma área de aproximadamente 4,3 km, profundidade máxima de 29 metros. Constitui-se numa das maiores caldeiras de abatimento do mundo. Os seus bordos apresentam, em sua maior parte, vertentes muito inclinadas e verdes.
Insere-se numa área de montanha de relevo bastante acentuado, com falésias interiores, profundas ravinas e almas, e sulcos em cujos leitos correm águas torrenciais.
A lagoa das Sete Cidades constitui-se no maior reservatório natural de água doce de superfície dos Açores, ocupando uma vasta área que chega aos 4,45 quilómetros quadrados, com uma profundidade de 33 metros.
Caracteriza-se pela dupla coloração das suas águas, sendo dividida por um canal pouco profundo, atravessado por uma ponte baixa que separa de um lado um espelho de águas de tom verde e, do outro, um espelho de tom azul.

in: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lagoa_das_Sete_Cidades

À medida que nos aproximávamos da Lagoa íamos rezando para que as nuvens escolhessem outro local que não aquele, pois é bastante frequente esta zona da ilha estar com nebulosidade e não permitir gozar a vista para as 2 maiores lagoas- a Verde e a Azul, pois é simplesmente deslumbrante conseguir contemplar tal maravilha da natureza. A esta paisagem falta acrescentar ainda as famosas hortênsias azuis e rosa completamente desconcertantes e que obrigam a mais uns disparos!

Lagoa das Sete Cidades – Miradouro Vista do Rei – S. Miguel, Açores

Há um parque de estacionamento onde se pode deixar o carro e permanecer apenas por volta de 20 minutos, de tão concorrido que o local é. Se as condições climáticas o permitirem e se tiver tempo pode fazer parte do Trilho PR 03 -Vista do Rei – Sete Cidades ou PR 04 – Mata do Canário- Sete Cidades. Nesse caso deve estacionar o carro no parque de longa duração situado algumas centenas de metros acima. (a ilha de São Miguel é rica em trilhos – pode consultar  – http://trails.visitazores.com/pt-pt)

 Nós, com muita pena não conseguimos fazer pois não estavam reunidas as condições mencionadas, mas ainda conseguimos chegar à povoação de Sete Cidades e deliciar-nos, assim, ao longo da descida de paisagens para as lagoas, vistas de outro ângulo.

Lagoa das Sete Cidades – Miradouro do Cerrado das Freiras -S. Miguel, Açores
Lagoa das Sete Cidades – Miradouro do Cerrado das Freiras -S. Miguel, Açores

Demos uma pequena volta a pé, tendo entrado na igreja de São Nicolau.

Sete Cidades – Igreja de S. Nicolau – S. Miguel, Açores
Sete Cidades – Igreja de S. Nicolau – interior – S. Miguel, Açores

Iniciámos o trajeto na direção de Ponta Delgada. Desprezámos a saída para a cidade e pouco depois saímos para Livramento (cerca de 40 minutos), onde se situa a praia do Pópulo,

local onde tínhamos reservado mesa para almoçarmos no restaurante Sunset Beach.  Não nos arrependemos de mais uma vez ter escolhido este local. Foi uma experiência gastronómica muito boa: as famosas lapas grelhadas, peixe porco e atum grelhados servidos com um molho divinal.

Depois deste momento só nos restava cerca de uma hora para nos dirigirmos para o aeroporto. Cumprimos o que tínhamos em mente:

pisar calçada portuguesa, muito usada em Ponta Delgada, a qual lhe confere uma beleza peculiar bem como rever o Centro Histórico, sendo de realçar  as  Portas da Cidade, a Estátua de Gonçalo Velho Cabral e a Igreja Matriz de S. Sebastião.

Ponta Delgada – Portas da Cidade- S. Miguel, Açores
Ponta Delgada – Portas da Cidade, Torre da Igreja Matriz e Estátua- S. Miguel, Açores

 E eis chegado o momento de partir!

Como eu entendo quando os açorianos nos dizem “até breve” a quem os visita, pois ainda a viagem não terminou e já sentimos saudades da tranquilidade oferecida por uma ilha, desta vez – São Miguel!

5 opiniões sobre “São Miguel – a maior e a mais rica!(I)

Deixe uma resposta para Henrique Rita Cancelar resposta