Letónia – ainda em terras do Báltico:

o maior em Art Nouveau

AGOSTO de  2019

A Letónia, localizada no nordeste da Europa, é um dos 3 países do Báltico, juntamente com a Estónia e a Lituânia.

A Letónia faz fronteira com a Estónia a norte, com a Lituânia a sul, com a Rússia a leste, e com a Bielorrússia a sudeste. Banhada pelo mar Báltico a oeste, o país faz também fronteira marítima com a Suécia. Metade do território da Letónia é coberto de floresta, o que favorece o turismo ecológico. Devido à sua localização estratégica foi desde sempre cobiçada por muitos povos, tendo vindo apenas a conquistar a sua independência em 1991.

Como herança do domínio soviético, os russos constituem mais de 25% da população.

 A Letónia começou a fazer parte da União Europeia em 2004, e adoptou o euro em 2014. A sua língua é o Letão, embora o Russo também seja utilizado, por um largo número de habitantes.

Riga é a capital (sendo a maior dos países bálticos) e tendo sido desde muito cedo um centro mercantil a sua arquitetura reflete isso – desde edifícios medievais, renascentistas a arquitetura de Arte Nova, sendo a cidade com a maior concentração de arquitetura “Art Nouveau” em qualquer lugar do mundo. É uma cidade magnífica e com muito para oferecer.

ROTEIRO DE 4 DIAS – LETÓNIA

RIGA

LETÓNIA OCIDENTAL

MERSRAGS-LAGO ENGURE- JÜRMALA-PALÁCIO DE RUNDALE

LETÓNIA ORIENTAL

SIGULDA – TURAIDA
1º DIA  –  TARDE – RIGA

Como fizemos check in no Tallink Hotel Riga a meio da tarde (chegados de Gdansk na Polónia), e porque já tínhamos estado em Riga apetecia-nos rever alguns locais que tinham ficado na memória.

As zonas mais interessantes de Riga não se encontram muito longe umas das outras.

Começámos pela Ópera (a 10 minutos do hotel)

que está integrada num dos parques verdejantes da cidade, Parque Bastejkalns. Aí encontra-se um monumento a 5 letões que foram mortos num tiroteio com as tropas russas em 20 de janeiro de 1991, quando lutavam pela indepndência do país. Passámos também pelo Monumento à Liberdade, (erigido em 1935 )

com 42 metros de altura, é um poderoso símbolo da independência letã. A base em granito é decorada com estátuas que representam as 4 virtudes: trabalho, vida espiritual, família e proteção. Chegados aí decidimos avançar até ao Parque Esplanade com o intuito de apreciarmos mais de perto a Catedral Ortodoxa – neobizantina russa, é uma interessante estrutura encimada por cinco cúpulas. O seu exterior e interior são de uma beleza impressionante. (atenção: dentro das igrejas ortodoxas russas não é permitido fotografar !) A foto da direita é só da entrada!

 Daí fomos para a Avenida Brivibas (zona pedonal) que tem alguns edifícios interessantes e depois para a rua Kalku (Kalku iela400m) para apreciarmos alguns edifícios de Arte Nova, sendo de salientar o que se situa no nº 23 dessa rua, com um portal em forma de árvore.

A seguir fomos para o centro histórico de Riga. Começámos pela  Praça da Câmara Municipal (onde se encontra a Estátua de Rolando – figura medieval) que é ponto de encontro de locais e turistas pois é das zonas mais emblemáticas e conhecidas da cidade de Riga pela Casa dos Cabeças Negras juntamente com a Casa Suábia.

Estes dois edifícios, de estilo renascentista holandês, formam um dos mais impressionantes conjuntos arquitetónicos de Riga, sendo que as atuais estruturas datam de 1999, pois tinham sido devastadas durante a 2ª Guerra Mundial pelos alemães e sete anos mais tarde pelos russos.

A Casa dos Cabeças Negras possui também um relógio astronómico com emblemas hanseáticos e 4 figuras – Neptuno, Mercúrio, Unidade e Paz. Vale a pena a visita pois  ficamos a conhecer um pouco mais da história de Riga e da Letónia.

Para bem começar a contactar com as iguarias letãs, fomos jantar a um restaurante da Praça da Catedral – Key to Riga, não sendo, no entanto, barato.

2º DIA  –  RIGA

Prontos para mais um dia! Começámos a nossa manhã pelo último local onde tínhamos terminado o nosso passeio no dia anterior – a Praça da Câmara Municipal para desta vez visitar o interior da Casa dos Cabeças Negras.

A cave é a original após remoção dos escombros para a reconstrução do edifício, no início da década de 1990. Sendo a Catedral relativamente perto tentámos visitá-la mas só seria possível a partir das 16h, devido a um concerto. Acabámos por entrar na Igreja de S. Pedro que também ficava por ali. Este bonito edifício que remonta ao séc. XIII foi várias vezes destruído e reconstruído ao longo dos séculos.

Estávamos curiosos por encontrar a famosa Casa dos Gatos na rua Meistaru, edifício em estilo Arte Nova, popular na cidade de Riga, pelas suas estátuas de felinos! De facto, é algo único: um telhado encimado com 2 gatos! 

Nas imediações encontram-se dois edifícios o Grande e o Pequeno Grémio. O primeiro, datando do séc. XIII, foi detentor do monopólio comercial de Riga durante séculos. Atualmente funciona como sala de concertos da Orquestra Filarmónica. O Pequeno Grémio, que promovia os interesses dos artesãos alemães de Riga, foi renovado em 2000.

Estes edifícios fazem parte de uma praça que tem vários restaurantes com esplanadas. É uma zona interessante da cidade. Nós comemos num deles: o Blue Cow.

Depois de um repasto tranquilo tínhamos pela frente algo mais: Art Nouveau. Ir a Riga e não explorar a Arte Nova é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa!

O distrito de Art Nouveau é assim conhecido por apresentar uma grande variedade de edifícios deste estilo ao longo de várias ruas (ielas) Elizabetas, Alberta, Strenieku e Vilandes, sendo que o resto da cidade também nos delicia aqui ou ali com edifícios do mesmo estilo.

Arte nova é um estilo internacional de arquitetura e de artes decorativas. É inspirado principalmente por formas e estruturas naturais não somente de flores e plantas, mas também de linhas curvas.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Art_nouveau

arquitetura Art Nouveau em Riga representa cerca de um terço de todos os edifícios no centro de Riga, tornando a capital da Letónia a cidade com a maior concentração de arquitetura Art Nouveau em qualquer lugar do mundo. Construídos durante um período de rápido crescimento econômico, a maioria dos edifícios Art Nouveau de Riga datam de 1904 a 1914. O estilo é mais comumente representado em prédios de apartamentos de vários andares.

(….) Vários subestilos formaram-se neste período. (…) O estilo mais popular em Riga é conhecido como “art nouveau romântico”. Simplista e moderno em forma, esses prédios foram decorados com elementos de outros estilos históricos (…). De 1905 a 1911, o romantismo nacional da Letônia atingiu seu auge. Apesar de ser um subestilo do art nouveau, copiou formas de arquitetura tradicional e incorporou elementos decorativos tradicionais. Com o amadurecimento do art nouveau, a ênfase em linhas verticais tornou-se mais popular, gerando o “art nouveau vertical”. Esse estilo foi mais popular logo antes da Primeira Guerra Mundial. O centro de Riga é, atualmente, designado como um dos patrimónios mundiais da UNESCO devido, em parte, à sua arquitetura art nouveau.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Arquitetura_Art_Nouveau_em_Riga

Na Alberta iela nº 12, está a funcionar o Museu Memorial de Janis Rozentäls e Rudolf Blaumanis. Através dele temos a oportunidade de visitar o interior de um dos edifícios de Arte Nova. A escadaria ornamentada que conduz ao quarto piso merece por si só uma visita.

Mas não fica por aqui. É interessante conhecer também os vários espaços e a sua decoração, que é espantosa, com elementos característicos do estilo em causa.

3º DIA  –  MERSRAGS – LAGO ENGURE- JÜRMALA

Já tendo combinado com a empresa do rent-a-car, a entrega do carro no hotel pelas 9.30, foi só começar a cumprir de acordo com o planeado. Aí íamos nós começar a nossa aventura pela Letónia Ocidental.

Saímos para norte de  Riga seguindo a estrada da costa . Foi um trajeto interessante e tranquilo. O ponto mais alto que atingimos foi Mersrags (120km – 1h45min). Aí demos uma volta a pé por essa zona, tendo chegado à beira da água. Subimos ao Farol, o qual estava integrado num parque de campismo. Lá de cima tem-se uma panorâmica interessante para o mar Báltico.

De seguida queríamos ir ao Lago Engure (cerca de 15km – 20/30min) que é o terceiro maior lago letão. Tivemos alguma dificuldade em encontrar a estrada de acesso ao lago. Circulámos por um estradão não asfaltado. Apresenta uma paisagem interessante e pacífica, mas tanto Mersrags como o lago não são imperdíveis!

Invertemos o trajeto e dirigimo-nos para Jürmala (em letão significa beira mar),sendo que acabámos por almoçar à beira da estrada num restaurante simpático, antes de chegar a Jürmala. Por ser uma faixa de praias atrativas, pinhais e vilas ao longo do golfo de Riga, é por excelência uma zona de veraneio e por isso muito concorrida por turistas.

Majori, é o coração de Jürmala. (para ter acesso de carro a essa zona tem que se passar por uma cancela e pagar, caso contrário poderemos ser multados).  A rua principal (pedonal), Jomas – parece uma passerelle pois todas a pessoas por ali passam, fazendo o mesmo que nós! Usufruir de momentos de relax, bebendo uma bebida numa esplanada, almoçando ou jantando num dos muitos restaurantes, observando o que as lojas ou bancas têm para oferecer ou ainda se necessitar de pernoitar, num dos seus hotéis.

Foi um dia descontraído! Mas não ficou por aqui! De regresso a Riga estacionámos na marginal perto do Castelo, edifício sem grande interesse arquitetónico, que funciona como residência oficial do Primeiro Ministro e alberga 2 museus que não visitámos. Daí fomos para a Torna iela (rua Torna), que segue ao longo de edifícios que eram casernas militares (Casernas de S. Tiago, à esquerda) e que hoje em dia estão transformadas em lojas e restaurantes.

Mais ou menos a meio da rua (à direita) existe um arco que dá acesso a uma rua descendente – esse arco é a Porta Sueca.

Voltando à Torna iela seguimos até à Torre da Pólvora. Tendo já marcado mesa no restaurante Tavern (pois esta rua é uma zona de restaurantes por excelência) dirigimo-nos para lá.

4º DIA  – SIGULDA – TURAIDA –  PALÁCIO DE RUNDALE

Dia de check out e malas feitas para prosseguir viagem para desbravar outro país do Báltico: a Lituânia. Mas antes disso ainda tínhamos mais pontos a cumprir no nosso plano.

Saímos, então, para nordeste de Riga em direção a Sigulda (cerca de 70km- 1h 30min) para ir desvendar um pouco da Letónia Oriental. Sentimos alguma dificuldade em encontrar o local de acesso ao castelo de Sigulda.

Sigulda e Turaida, integrados no Parque Nacional de Gauja, oferecem esplêndidos cenários naturais bem como 2 locais históricos fascinantes.

Sigulda é uma cidade pequena favorecida pela sua localização, tendo como local de interesse o Castelo oferecendo também a possibilidade de ir de teleférico a Krimulda (não fomos por falta de tempo).

A entrada do Castelo é paga mas vale a pena. Dos pontos mais altos tem-se uma paisagem abrangente dos arredores, sendo visível o castelo de Turaida, que dista cerca de 6 quilómetros.

Para lá nos dirigimos de carro tendo-o deixado num parque de estacionamento próximo da entrada da Reserva do Museu de Turaida, onde se compram os bilhetes de acesso.

O Castelo de Turaida bem como diversos edifícios anexos estão inseridos num parque natural ao longo do qual se encontram 25 esculturas e uma das mais antigas igrejas de madeira da Letónia. Não hesite em visitá-lo!

Após a visita rumámos para sul. De acordo com o nosso plano depois de perfazermos 140km (cerca de 2 horas), estaríamos no Palácio de Rundale. Deixámos a viatura num parque de estacionamento nas imediações. Este palácio é considerado um dos mais deslumbrantes palácios do Báltico. Reflete dois estilos arquitectónicos: o Barroco e o Rococó com jardins em estilo francês, lembrando um pouco os de Versailles.

Reserve umas boas 2 horas para a visita ao interior (todas as salas são dignas de imensos cliques de tão ricas e fabulosas, pois contêm pormenores inigualáveis)

e aos jardins que parecem ter sido especialmente cuidados para nós nos deleitarmos neles.  Só um motivo de força maior nos impulsionou a deixar este local: o querermos muito pisar mais um país: Lituânia!

5º DIA  – MANHÃ – RIGA

Regressados da Lituânia eis-nos de volta a Riga onde pernoitámos no Rixwell Gertrude Hotel e quase de partida mas ainda com algumas horas para explorar algo mais!  Tínhamos deixado em suspense  a visita  ao interior da Catedral. Assim fizemos, a troco de 5€  por pessoa. Dedicámos cerca de uma hora na visita ao interior e claustros. Perto da Praça da Catedral, um dos muitos edifícios interessantes alberga o Museu da Prata. Decidimos visitá-lo pois achámos curioso. A curiosidade desta vez representou 10€ por entrada. Apresenta peças de um requinte impensável!

O términus da visita culmina numa ourivesaria, com peças interessantes a preços razoáveis. E pronto. Restava-nos decidir onde iríamos saciar a fome pela última vez em terras letãs.

Hora de partir mas com a certeza inabalável de querer continuar a desbravar o mundo!

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