



Se tiver espírito aventureiro, passando isso por não ter medo do mar e de andar em lanchas semi-rígidas, as quais às vezes atingem uma velocidade desmesurada para ver algo que abrilhanta e ressalta no oceano, lance-se numa experiência única: observar baleias e golfinhos!




Pensar que em tempos remotos estes cetáceos não eram observados mas sim caçados!
ERA UMA VEZ…
PARTE 1 – CAÇA DE BALEIAS
A história, da captura de baleias em águas açorianas, documentada, remonta ao séc. XVI, tendo ocorrido ao largo da ilha de Santa Maria. No séc. XVIII foi também registada a presença de baleeiros ingleses, mas a caça sistemática teve início na segunda metade do séc. XVIII (que se prolongou até ao séc. XIX) quando grande baleeiros norte-americanos se aventuraram em águas açorianas com o intuito de caçar baleias, derretendo a gordura (toucinho) para transformar em óleo, o qual era utilizado para iluminação. Por vezes tinham necessidade de recrutar homens para completar as suas tripulações. Dessa maneira os açorianos foram aprendendo as técnicas da caça à baleia e ganhando gosto por tal faceta.
Com a experiência adquirida a bordo dos baleeiros americanos, os açorianos deram início à indústria da caça à baleia (baleação) em meados do séc. XIX a qual perdurou até 1986 sendo que nos finais dos anos 60 se começou a observar o declínio da mesma. Como havia muitos cachalotes perto das costas açorianas foram introduzidos os vigias em terra: “Lá de cima do poleiro o vigia ergueu-se de salto, deu sinal de baleia à vista com o búzio e todos os homens desataram a correr para as canoas” – in As Ilhas Desconhecidas de Raul Brandão – (botes de boca aberta) e assim, conseguiam chegar perto dos cachalotes e caçá-los com arpões.
“Após a captura, as carcaças dos cetáceos eram objeto de desmanche para a extração do óleo (“azeite”), do âmbar cinza, das barbatanas e da carne. Os ossos eram reduzidos a farinha.” https://pt.wikipedia.org/wiki/Baleação#A_história_da_baleação
Desde 1987, que se deixou de poder praticar a caça à baleia em Portugal, após a assinatura em Berna da Moratória da Comissão Baleeira Internacional decretando a proibição da captura de todas as espécies de mamíferos marinhos.
Atualmente pode-se visitar o Museu da Indústria Baleeira em São Roque do Pico.
PARTE 2: OBSERVAÇÃO DE BALEIAS
Tendo sido posto fim à caça à baleia nos Açores, surgiram a partir de 1993 empresas de observação de cetáceos nas ilhas do Pico, S. Miguel e Faial. A experiência de whale watching tem permito manter viva a cultura baleeira nos Açores até aos dias de hoje, uma atividade e experiência cada vez mais enraizada e divulgada, de tal forma que o número de pessoas a procurá-la tem aumentado, tornando-se quase obrigatório para quem visita as ilhas açorianas.




Nos Açores estão identificadas 28 espécies de cetáceos estando, assim, entre os melhores destinos do mundo para ver baleias e golfinhos porque mais de 20 espécies habitam ou passam pelas nossas águas ao longo das suas rotas migratórias.


Os antigos postos de vigia (locais estratégicos junto à Costa) outrora utilizados para localizar e caçar os cetáceos, foram restaurados e hoje em dia são igualmente usados mas com uma finalidade diferente: a da observação de baleias. Os vigias comunicam via rádio e aí começa a euforia desenfreada das embarcações para que de acordo com as indicações possam ir ao encontro desses tão esperados habitantes do mar.
Antes da viagem deve pensar antecipadamente (senão arrisca-se a não conseguir, devido às imensas solicitações) quando quer encaixar o whale watcching e de acordo com isso fazer a reserva online. Há várias empresas que operam. No Pico, nós fomos já mais do que uma vez através do Espaço Talassa. As saídas são feitas do cais de Lajes do Pico.


A primeira vez, que decidimos passar pela fabulosa experiência de fazer whale watching, partimos do Faial (cais da Horta). Foi magnífico observar as ilhas do Faial e do Pico, do mar para terra, mas o nosso propósito era ver baleias e golfinhos. Constatámos que só começámos a ver ao largo da ilha do Pico.
Como tal, nas vezes seguintes escolhemos as Lajes do Pico (ilha do Pico) como ponto de partida e efetivamente a experiência foi mais rica. De qualquer forma é sempre um tiro no escuro pois nunca há certeza de se conseguir observar baleias. Cada viagem é sempre uma surpresa!
Antes de se iniciar a viagem de barco (deve-se comparecer cerca de meia hora antes da partida) é feita uma explicação acerca de alguns pormenores sobre as espécies de cetáceos que poderemos ver e da faina baleeira, as medidas de segurança a bordo (incluindo o uso de colete salva-vidas), o respeito pelos animais e as regras de observação no mar.
Deve-se levar roupa e calçado confortável, parka (para proteger de algum frio ou chuva), chapéu, protetor solar, água e (eventualmente barritas).
As melhores alturas para a observação de baleias e golfinhos nos Açores são na primavera e no verão. Aventure-se!
MUSEU DA INDÚSTRIA BALEEIRA
O Museu da Indústria Baleeira situado em São Roque do Pico, é considerado o primeiro museu de arqueologia industrial. Funciona na antiga fábrica da baleia que operou entre 1946 e 1984 tendo uma área total de cerca de 1200 metros quadrados.


A Sociedade das Armações Baleeiras Reunidas (constituída em 1942) coordenava a pesca da baleia, a produção dos seus derivados e a comercialização. Na fábrica produzia-se: o óleo, a farinha, os adubos e as vitaminas, a partir da transformação do toucinho, da carne, dos ossos e dos fígados de cachalote.
No museu consegue-se perceber a dinâmica de todos os passos da caça à baleia através de fotografias relacionadas com a atividade baleeira e de toda a maquinaria presente que ajudava em todo o processo de transformação e processamento dos cachalotes.


E era uma vez nós, os cetáceos que tanto demos e damos que falar!





Aventure-se em terras açorianas! É uma sensação espetacular a de se poder ver baleias e golfinhos!
GostarGostar