Marrocos – gargantas encantadoras

GARGANTAS DO DADÈS, DO RIO TODRA e DO RIO ZIZ

Gargantas ou Desfiladeiros são passagens estreitas e profundas entre montanhas que formam vales resultantes da ação erosiva vertical dos rios e glaciares em rochas duras. Esta descrição leva-nos a algo que queremos desde logo conhecer.

Quando se planeia uma viagem, passa-se por algumas fases: consultar o Guia do local ou país em questão, ver blogs, ver fotos e fazer ainda outras pesquisas. Relativamente às Gargantas sejam elas as do Dadès, do Todra ou do Ziz, apostámos nelas, pois todas elas têm a sua beleza, apesar de serem diferentes umas das outras. Não deixe de conhecer quaisquer umas delas. As que necessitam de mais tempo são as do Dadès e as do Todra. As do rio Ziz como acompanham a estrada, mesmo que se façam algumas paragens para gozar a magnífica paisagem e reportar esses momentos, são mais pacíficas em relação ao tempo dispensado.

GARGANTAS DO DADÈS

O ideal será dedicar umas 3 horas, depois de sair de Boumalne, para gozar as gargantas com a tranquilidade que elas merecem. As gargantas do Dadès distam cerca de 150 km de Ouarzazate.

Os desfiladeiros do Dadès representam uma série de desfiladeiros escarpados em barrancos esculpidos pelo rio Dadès em Marrocos. O rio tem origem na cordilheira do Alto Atlas, nas montanhas do Atlas, fluindo cerca de 350 quilómetros a sudoeste antes de se juntar ao rio Draa, na margem do Saara.” Dadès Gorges – Wikipedia

O dia começou em grande! Tendo pernoitado em Ouarzazate fomos visitar o Kasbah Taourirt. Quando saímos de Ouarzazate apanhámos a estrada N10 (Ouarzazate – Er- Rachidia). Ao longo desse trajeto parámos aqui e acolá pois a paisagem era cativante e descontraída. Após cerca de 1 hora (50 km ) visitámos o Kasbah Amridil, inserido no palmeiral de Skoura. E como não há duas sem três, após a visita ao Kasbah Amridil e porque os estômagos ansiavam por iguarias marroquinas e tendo sabido que o Kasbah Ben Moro servia refeições, acabámos por decidir “fazer o sacrifício” de continuar a usufruir de espaços únicos nas nossas vidas.

Mas tínhamos assumido compromisso também com algo diferente, de uma beleza natural fascinante: as Gargantas do Dadès. Para tal, de seguida dirigimo-nos para Boumalne. Esperavam-nos cerca de 80 km pela N10, (depois do almoço no Kasbah Ben Moro) que conseguimos fazer numa 1 hora e 20 minutos.

Chegados ao ponto mais alto da terreola (Boumalne) daí avistava-se um casario que se desenvolvia ao longo do vale do rio Dadès.

Esta localidade serve de ponto de partida para quem quer explorar as Gargantas do Dadès e do Todra. Nesse dia fizemos então parte do trajeto para alcançar as Gargantas do Dadès.

É, de facto, extasiante a paisagem que nos foi dado observar – o rio ao longo do qual se desenvolvia um vale fértil (com campos de cultivo), cenário este completado com casario de adobe ou taipa, (alguns restaurantes e hotéis com características marroquinas – kasbahs e riads) e o castanho árido das montanhas.

É uma paisagem de contrastes que nos deixa sem palavras!

(da próxima vez – partir à mesma de Boumalne para as Gorges pela R704 – 29km – 42 min – depois de Tamellalt ir até Timzzillite – vista panorâmica c/ muitas curvas. O mais lógico é fazer viagem de ida e volta)

Já não tivemos tempo para avançar mais pois tínhamos pela frente ainda cerca de uma hora de viagem para chegarmos a Tinehir (ou Tinghir). Programámos pernoitar aí porque Tinghir se situa no centro do oásis do vale do rio Todra. Ficámos no Hotel – Kasbah Lamrani o qual  superou as espetativas. Um kasbah com um requinte e decoração indescritíveis! O jantar foi servido à beira da piscina.  Pena não termos mais tempo para usufruir destas maravilhas.

GARGANTAS DO RIO TODRA

De Tinghir até às Gargantas distam apenas 16 km

Dedique-lhe 1 a 2 horas para gozar esse local paradisíaco e único com tranquilidade!

De manhã é que se começa o dia! O que tínhamos pela frente prometia! Após 16 km estávamos nas Gargantas do rio Todra  que são nem mais nem menos:

um desfiladeiro muito profundo e estreito, ladeado de escarpas muito íngremes que chegam a ter 200 metros de altura nos últimos 40 km do percurso através das montanhas (…) Os últimos 600 metros constituem o trecho mais espetacular. Aí, o desfiladeiro fica ainda mais estreito, não ultrapassando os 10 m de largura em alguns lugares, e é ladeado por paredes praticamente verticais de rocha macia que atingem os 160 m de altura.” https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Todgha

O rio Todra nasce nas montanhas do Alto Atlas estendendo-se desde as gargantas por cerca de 50 km, formando um dos oásis mais pitorescos e coloridos de Marrocos.

Outrora era difícil alcançar as Gargantas, mas já alguns anos a esta parte, foi construída uma estrada de betão que serve também algumas aldeias. O desfiladeiro é usado pelos amantes de escaladas (apesar de não ser tarefa fácil, vêem-se aqui e acolá grupos a praticar essa modalidade) e caminhadas. É uma verdadeira delícia caminharmos ao longo do rio pois encontra-se de tudo um pouco: pessoas a lavarem no rio, outras a fazer escalada, cabras empoleiradas nos penhascos a alimentarem-se, marroquinos a tentar vender de tudo um pouco e muitos viajantes como nós a gozar o local. É mais um sítio imperdível donde não apetece arredar pé! Goze bem a imponência e beleza deste desfiladeiro. Existe um hotel no local e temos conhecimento de viajantes que ficaram lá alojados e não se arrependeram da experiência.

Depois prosseguimos para sul – Merzouga (onde pernoitámos) – para ir ao deserto de Erg Chebbi no fim da tarde.

GARGANTAS DO ZIZ

De Merzouga às GARGANTAS DO ZIZ (2h30m – 170km )

No dia a seguir depois de termos gozado momentos únicos no deserto estava na hora de começar mais um dia e deixar estas paragens recatadas, magníficas e únicas! (Estávamos a quase 500 km de Fez – 7h – estradas: R 702; N13; N8; A2 – local onde iríamos pernoitar). O dia prometia pois tínhamo-nos proposto ficar com ideia de alguns locais que nos tinham despertado interesse no guia, quando planificámos a viagem. (Apesar dos quilómetros a fazer, não foi uma viagem cansativa!)

Aquando da nossa descida para Merzouga tivemos pena de não conseguir visitar Rissani: pois bem, aí estávamos nós a contactar com mais um local de expressão marroquina – fomos recebidos por um portão de entrada imponente bem como por uma mesquita, entre outras coisas.

Depois de termos visitado Rissani

fomos gozando a N13, a qual nos ofereceu paisagens deslumbrantes, sendo de realçar o palmeiral de Talifalt que nos transmitia um bem estar e tranquilidade indescritíveis,

passámos ainda por Erfoud (ou Arfoud) e ao longo do trajeto fomos acompanhando o vale do Ziz. Passámos também por Errachidia ou ( Er-Rachidia), pois essa povoação fica numa encruzilhada de estradas, fazendo algumas paragens pois a paisagem era surpreendente: desde montanha, rio, lagos, a barragem de Hassan-Addakhil (que fornece eletricidade a Er-Rachidia), palmeiras, kasbahs

e as Gargantas do Ziz – tudo nos foi dado observar!

O rio Ziz nasce no coração do Alto Atlas, correndo na direção leste, depois obliquamente para sul, ao nível do pequeno povoado de Rich. Em seguida, esculpe um desfiladeiro (ou garganta) nas montanhas, alimenta uma série de oásis, irriga o palmeiral Tafilalt e desaparece nas areias do Saara.

O seu vale é desde há muito usado como rota de trânsito ao longo das regiões montanhosas que atravessa. Perto do lugarejo Hamat Moulay Alk Sharif  foi feito o túnel de Foumzabel ou Túnel do Legionário (construido em 1928 por elementos da “Legião Estrangeira”) através da rocha calcária, permitindo a ligação rodoviária entre o sul e o norte.

O impressionante Vale do Ziz situa-se entre as cidades de Midelt (nas Montanhas do Atlas) e a cidade de Er-rachidia (próximo do Deserto do Saara).

Durante algum tempo fomos acompanhando o rio Ziz e as suas gargantas e no caminho (depois de termos passado pelo Túnel do Legionário) parámos em Hamat Moulay Alk Sharif para almoçar e dar um pequeno passeio a pé. Optámos por fazer a refeição numa esplanada perto de uma pequena mesquita.

Depois restava-nos prosseguir mais 200 e tal quilómetros para atingirmos Fez, a nossa última paragem daquele dia, após passagem por Azrou (conhecida pelos bosques de cedros) e por Ifrane (a quem chamam a “Suiça de Marrocos” ).

Apesar das 3 Gargantas que visitámos serem diferentes, todas nos encantaram! É uma experiência a repetir!

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