Khiva – uma jóia muralhada

Se puder dedique pelo menos 2 dias completos a KHIVA

Khiva é, indubitavelmente, uma cidade histórica deslumbrante (no norte do Uzbequistão), situada num oásis perto da fronteira com o Turquemenistão, parte fundamental da antiga Rota da Seda terrestre.

Foi uma das principais cidades a florescer ao longo da Rota da Seda, no itinerário que ligava a Ásia Central ao Turquemenistão e Cazaquistão, rumo ao mar Cáspio e ao Azerbaijão, em direção à Europa, tendo visto, no entanto, a sua importância mercantil começar a definhar com o final das rotas comerciais por terra, mas a cidade, completamente isolada no deserto, foi ganhando importância quando se tornou capital de um dos três khans da “terra dos uzbeques”, (a par com Bukhara e Kokand). 

A icónica cidade de Khiva, mais concretamente a cidadela de Khiva – Itchan Kala, foi o primeiro lugar do Uzbequistão a ser inscrito na Lista de Sítios de Património da Humanidade da UNESCO (em 1990), estando o centro histórico da cidade repleto de edifícios magnificamente preservados:
é reconhecida pelas suas muralhas antigas, palácios, mesquitas, madraças e arquitetura de barro, que formam um núcleo histórico conhecido como Itchan Kala com muralhas bem preservadas e várias portas históricas.
(Há minaretes inacabados e mais de vinte madraças, umas convertidas em museus, outras em hotéis ou restaurantes. As mesquitas do século X até ao século XVIII espalham-se pela cidade, existindo ainda vários palácios esquecidos e um mercado de escravos, testemunhando o passado conturbado da cidade).

COMO ALCANÇÁMOS KHIVA

Tendo partido de Tashkent e lá tendo regressado (bem no final do mesmo dia), fizemos 2 voos: (TashkentUrgench) e um trajeto de autocarro para alcançar Khiva e depois um outro trajeto de autocarro para alcançar o aeroporto de Urgench para o voo (Urgench – Tashkent).

Fomos de autocarro até ao aeroporto de Tashkent para fazer um voo para Urgench (1h 20 min) e mais 1 trajeto de autocarro (de 40 minutos) para alcançar Khiva.

P.S. Se fosse agora e indo por nós mesmos, ficaríamos a dormir pelo menos 1 noite em Khiva.

PRINCIPAIS PONTOS DE INTERESSE

COMPLEXO ITCHAN KALA:
 cidade interior muralhada – antigo centro de Khiva –
possui mais de 50 monumentos históricos
rodeado por 2.250 metros de muralhas,
com quatro entradas/portas magnificamente preservadas.
(a muralha de adobe é do século XVII
no entanto, as paredes de cerca de dez metros de altura e seis de largura, podem ter tido origem no século X
)
a finalidade destas muralhas era defender o núcleo urbano dos ataques dos inimigos, nomeadamente povos nómadas guerreiros e tribos oriundas da Ásia Central e da Mongólia, e das tempestades de areia que sopravam do deserto Kyzyl Kum.
Alberga monumentos importantes do século XVIII, incluindo mesquitas com azulejos turquesa, minaretes como o Kalta-Minor e a fortaleza Kunya-Ark. 
Minarete Kalta Minor (significa minarete curto em uzbeque)
o magnífico minarete incompleto de Kalta Minor,
é um dos minaretes mais belos do mundo.
Situa-se na parte exterior da Madraça de Muhammad Amin-Khan.
Construído (na década de 1850) para ser o mais alto minarete do mundo,
ficou inacabado depois da morte do Khan, com cerca de 29 metros de altura,
embora tivesse sido planeado para alcançar 70 ou mais metros!
Tem 1 diâmetro de aproximadamente 14.5 metros na base:
estrutura icónica e notável pelo padrão variado com azulejos coloridos em branco, azul, verde e amarelo acastanhado, completamente coberto com azulejo vitrificado, de cores vivas e brilhantes.

Madraça Muhammad Amin-Khan (construída entre 1851 e 1855)
situa-se ao lado do minarete Kalta Minor,
é a maior de Khiva e da Ásia Central
considerada também a mais ricamente decorada madraça de Khiva
(foi baptizada em honra de um dos maiores Khans que a cidade teve e sob a ordem de quem foi construída)
A madraça possui cinco cúpulas, exibindo uma fachada de tijolos vidrados com padrões ornamentais, azulejos em majólica e portas de madeira maciças ricamente trabalhadas.
É um edifício imponente com 125 celas (que eram usadas por estudantes)
dispostas em dois andares em torno de um pátio interno com formato quadrado,
que entretanto foram transformadas em quartos de um luxuoso hotel.
Cidadela Kuhna Ark (ou Kunya Ark)
É uma antiga fortaleza-palácio, separada por muralhas internas dentro da própria Itchan Kala,
no sector ocidental, imediatamente à esquerda depois de se entrar pelos portões desse lado.
Foi inicialmente construída no século XII mas o que vemos ali hoje é o resultado de uma reconstrução efectuada a partir de 1686.
Funcionava como “cidade dentro da cidade” servindo como residência dos khans em Khiva.
Madraça Mohammed Rakhim Khan
A mais bela madraça de Khiva (século XIX)
tem um centro de artes e artesanato, bem como um pequeno museu dedicado ao último Khan de Khiva.
Terá sido um dos locais mais importantes de educação na cidade
Complexo de Islam Khoja (do século XX):
incorpora uma mesquita, uma madraça e um minarete
o seu nome é proveniente do vizir Islam Khoja
Este terá sido o último edifício a ser construído em Itchan Kala antes da chegada dos soviéticos.
Este complexo religioso é dominado pelo minarete com cerca de 50 metros,
o mais alto do Uzbequistão,

ricamente decorado com cerâmica, tijolo e bandas de vidros coloridos
Termina com uma cúpula revestida a azulejo azul, verde e branco,
onde existe um miradouro, com vistas deslumbrantes sobre a cidade.
Funciona como um farol e um ponto de referência, sendo visível de qualquer ponto da cidade e mesmo do deserto envolvente.
Na base do minarete existe uma madraça, com o mesmo nome, onde atualmente funciona o Museu de Artes Aplicadas.
Existiam quarenta e duas celas para os estudantes, localizadas no piso térreo.
Mausoléu de Pakhlavan Mahmud
ergue-se com a maior cúpula da cidade,
coberta de azulejos vidrados azuis, azul-esverdeados e turquesa,
coroado por um remate dourado visível de vários pontos da cidade antiga
O edifício abriga o túmulo do poeta Pahlawan Mahmud, do século XIV, e herói nacional de Khiva
Palácio Tash Khauli (ao pé do Portão Este)
Este palácio, que significa “Casa de Pedra”,
contém a decoração interior mais sumptuosa de Khiva,
incluindo azulejos de cerâmica, pedra e madeira esculpidas, e muito mais.
– o palácio de pedra, albergou a corte do Khan Allah Kuli –
O complexo, em forma rectangular, é composto por três áreas distintas, aglomeradas em redor de outros tantos pátios interiores:
apesar da sua dimensão modesta,
apresenta os mais belos exemplares de colunas intrincadas e esculpidas da cidade, bem como a mais bela decoração de azulejos de majólica (tipo de faiança ou cerâmica vidrada de origem italiana) no interior do harém;
os tectos são também incrivelmente coloridos, em tons de verde, vermelho e dourado e as paredes repletas de representações de motivos florais.
Mesquita Juma
é a Mesquita de Sexta Feira,
um dos edifícios mais belos e único de Khiva
A sua construção ter-se-á iniciado no século X e desde essa altura que tem sofrido várias obras de restauro;
as colunas de madeira do seu interior datam desde o século X (sendo seis delas dessa altura) até ao século XVIII, testemunhando o passado criativo dos artífices de carpintaria.
As paredes exteriores são de tijolo e revestidas a estuque, sobre as quais assentavam pinturas com motivos florais diversos.
Esta mesquita é distintamente única no seu design:
sem portais, cúpulas, galerias ou pátios,
encerrada dentro de paredes de tijolos resistentes,
o interior da mesquita é um vasto salão único,
sendo o seu tecto plano sustentado por uma impressionante variedade de mais de duzentas colunas de madeira de olmo (madeira dura, resistente e durável)
ricamente esculpidas que suportam o tecto do espaço de oração,
algo pouco comum na arquitetura religiosa da região e que parece revelar uma influência das mesquitas árabes mais antigas.
Abrange uma área impressionante de 18 por 55 metros,
tendo um minarete imponente de 42 metros de altura
(subindo-se através de 82 degraus),
na sua fachada norte, visível de uma das principais ruas da cidade.
e ainda …
a Madraça de Shergazi Khan
um dos mais antigos edifícios da cidade
a Madraça Kutli Murad Inak
o primeiro deste tipo de edifícios a ser construído com dois pisos em Khiva
a Madraça de Amir Tura
encontra-se totalmente rodeada de casas residenciais;
foi renovada e atualmente é utilizada como mercado de artesanato
a Mesquita Ak ou Mesquita Branca
– é uma mesquita de pequenas dimensões, sem minarete –
caracteriza-se pela sua cúpula branca, com o mihrab;
assenta em múltiplas colunas de madeira
a Mesquita Bogbonli
é uma pequena mesquita, de finais do século XIX e localiza-se
não muito longe do minarete do complexo Islam Khodja.
As colunas que sustentam o edifício têm áreas decorativas e inscrições,
sendo em tudo semelhantes às que se encontram na mesquita Juma.
Banhos de Anush-Khan
encontram-se localizados por detrás da mesquita Ak, tendo sido construídos em meados do século XVII.
O complexo é composto por uma sala de entrada, balneários e salas de banho.
Do exterior, apenas as cúpulas características denunciam a existência de um complexo de banhos.
Bazares e artífices da cidade
Khiva está cheia de pequenas oficinas de artífices que produzem trabalhos em cobre e metais similares, tapeçarias…
AÍ ÍAMOS NÓS!

Khiva é pequena e pode ser percorrida a pé
(o acesso ao centro histórico Itchan Kala requer 1 bilhete válido para o dia)
Fora das muralhas pouco resta do passado, já que o padrão urbano foi redesenhado na década de 70 do século XX, quando o Uzbequistão fazia parte da União Soviética.

A alvorada foi compensadora pois “aterrámos” num verdadeiro museu ao ar livre: Khiva!

Mesmo antes de penetrarmos em Itchan-Kala, “fomos obrigados a recordar” desde logo a Rota da Seda através de algumas figuras de camelos e os seus acompanhantesMonumento às Caravanas – que num plano superior pareciam estar a fazer um trajeto por essa rota icónica!

A zona antiga da cidade de Khiva, designada Itchan-Kala, está rodeada por uma muralha de adobe com 10 metros de altura e 6 metros de largura que forma um retângulo com 2.5 km de perímetro. (A origem desta muralha remonta ao séc. X, mas a forma da muralha atual resulta da reconstrução no séc. XVIII, após ter sido destruída pelos Persas em 1740). Em cada lado do retângulo existe uma porta sendo a mais usada pelos visitantes a Porta Oeste, junto ao Monumento das Caravanas!

Entre a Porta Oeste e a Porta Este há uma rua que cruza ao meio o retângulo formado pelas muralhas. É ao longo desta rua e nas suas proximidades que se encontram os principais locais de interesse.

Após aquele primeiro momento (camelos e os seus acompanhantes), começámos a cirandar no antigo centro de Khiva, um verdadeiro museu a céu aberto, chamando os minaretes gigantescos e ricamente decorados com azulejos coloridos, desde logo, a nossa atenção, principalmente o designado pelo minarete Kalta Minor – possui uma grande base – mais de 14 metros de diâmetro e uma altura de 29 metros com azulejos coloridos de vários tons. É algo que surpreende qualquer um!

Mas isto representava apenas um pequeno momento num dia tão especial – passámos também pela Madraça Muhammad Amin-Khan, que fica ao pé do minarete. Era a primeira entre algumas que também visitámos. A sua rica fachada de tijolos vidrados com padrões ornamentais, azulejos em majólica e portas de madeira maciças ricamente trabalhadas, captaram a a nossa atenção!

Depois deixámo-nos, então, perder nas ruas empedradas de Itchan Khala, que eram autênticos centros comerciais, com uma oferta rica e diferente da maior parte dos locais que há mundo fora (chapéus, frutas, tecidos ikat, peças de vestuário, tapetes, cerâmicas pintadas à mão …) entre becos e ruelas que levam a todo o lado, e ao mesmo tempo a lado nenhum, repletas de maravilhas históricas, variando entre mausoléus, madraças, palácios, mesquitas… Difícil era mesmo saber a que devíamos dedicar mais atenção pois tudo era de uma riqueza única e indescritível.

Dentro das muralhas havia um dos ex-líbris da Itchan Kala, a cidadela de Kuhna Ark, que em séculos idos serviu tanto como residência real para os khans bem como de proteção e defesa. O seu portão ornamentado, ladeado por duas impressionantes torres, adornado com vibrantes azulejos azuis, transportou-nos para um mundo encantador. Aí demos especial atenção ao Palácio que conserva bonitos mosaicos, majólicas (tipo de faiança ou cerâmica vidrada), decorações em azulejo, murais coloridos no tecto e na Sala do Trono, um trono de madeira torneado, com decoração em prata.

Dedicámos também algum tempo às Madraças Mohammed Rakhim Kahn, considerada a mais bela madraça de Khiva e Allakuli Kahn, construída em meados do século XIX, é tida como um dos exemplos mais impressionantes da arquitetura medieval tardia em Khiva e o Complexo Islam Kohja, cujo minarete com os seus 45 metros de altura, se tornou o símbolo da cidade e também um importante exemplo de arquitetura da Ásia Central.

Cirandando por ali, visitámos também o Mausoléu Pahlavan Mahmud – do séc. XIX, uma das melhores obras da arquitetura de Khiva:com a maior cúpula da cidade, de azulejos vidrados azuis, azul-esverdeados e turquesa,

bem como o Palácio Tash Khauli – um complexo palaciano do séc. XIX para os khans (governantes) da cidade, que impressiona pelos seus pátios decorados e intrincados trabalhos em madeira e cerâmica e salas privadas decoradas com uma mestria difícil de igualar.

Mas ainda tínhamos algo mais para desbravar: a Mesquita Juma (do séc. X, restaurada no séc. XVIII), que encanta qualquer um por ser algo sui generis: possui mais de 200 colunas de madeira.

De seguida fomos fazer um passeio de tuk-tuk, durante cerca de 1 hora, dentro e fora das muralhas. Foi enriquecedor na medida em que nos levou a determinados locais que nos ajudaram a melhor entender a estrutura do interior da cidade antiga e ao circular pelo exterior das muralhas testemunhámos melhor a imponência das suas paredes/muralhas.

Depois ainda fomos visitar o Museu da Seda. Pequeno e encantador museu instalado numa antiga mesquita no centro histórico de Khiva, que combina exposições estáticas com demonstrações interativas.

Após esses momentos gozámos mais um pouco da vibe que se sentia na Itchan Kala, tendo jantado por ali.

Hora de dizer adeus a Khiva!

Aí íamos nós fazer um trajeto de autocarro até ao aeroporto de Urgench para voar até Tashkent, mas com muita pena nossa! Apetecia ter pernoitado em Khiva para a gozar durante mais tempo e com mais tranquilidade!

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